Lula e Flávio fazem guerra de preços de comida nas redes sociais
A briga entre as campanhas de Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT)

Esqueça o cenário iluminado dos debates na TV. A briga entre as campanhas de Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) se dá, nos últimos dias, entre as gôndolas de supermercado. Bolsonaristas produzem e reproduzem vídeos apontando alta nos alimentos básicos. Os petistas trazem conteúdos tentando mostrar o contrário. É uma guerra de preços.
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Na quinta-feira, em uma visita a um mercado público de São Paulo, Flávio ergueu uma picanha —um dos símbolos da campanha de Lula em 2022— em tom vitorioso. Os bolsonaristas dizem que o petista prometeu, mas não entregou picanha a preço popular. O senador ficou meio obcecado com o assunto: já teve apoiadores distribuindo o corte de carne entre os banhistas endinheirados de Angra dos Reis e atirando pacotes da carne com fotos de Jair Bolsonaro (PL) para populares do alto de um helicóptero.
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No vídeo exibido da picanha pelos bolsonaristas aparece o preço da carne naquele mercado, R$ 47,99. Foi o suficiente para os petistas fazerem um material para "desmascarar" o adversário, juntando com outras cenas em que o senador fala em até R$ 139 o quilo da carne.
Nem tanto ao céu, nem tanto à terra, o preço da picanha varia pelo tipo de gado, corte e mercado. No caso dos R$ 47,99, era o preço em um mercado popular, voltado para os usuários do CadÚnico, serviço de proteção à população mais vulnerável economicamente. Os petistas aproveitam o vídeo para mostrar supermercados onde a mesma carne é vendida até por menos de R$ 40.


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É nesse clima de guerra dos preços que o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), o principal influenciador da direita e extrema direita no país, fez um vídeo mostrando como estão caros os produtos de primeira necessidade. O material atingiu milhões de pessoas no Instagram. Foram mais de 3 milhões de curtidas. O PT rebateu com outro vídeo, fazendo a mesma compra, com preços bem menores.
Flávio também republicou o vídeo de uma bolsonarista que afirmou ter gastado R$ 600 no mercado sem comprar carnes. Ela apresenta a nota fiscal e influenciadores começaram a divulgar vídeos mostrando que a mulher havia comprado carnes de acordo com o documento exibido por ela. O caso rendeu mais um vídeo da campanha petista, desta vez combatendo a desinformação da compra, com mais de 1 milhão de visualizações.
A briga pelos preços não estava na ordem do dia dos petistas, mas foi ganhando corpo nas redes sociais. A campanha de Lula fez estudos sobre a economia do dia a dia e o poder de compra dos brasileiros, aos quais a coluna teve acesso.
O estudo traz dados do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) e inflação. Do levantamento, os petistas extraíram dados para serem usados no material de campanha, como o preço do feijão: na gestão Bolsonaro, foi de R$ 4,87 para R$ 9,12. Na de Lula, de R$ 9,16 para R$ 9,24. A análise leva em conta 17 capitais do país e 13 alimentos básicos.
Segundo o IPCA, de 2019 a julho de 2022, os alimentos aumentaram 54%. De 2023 a julho de 2026, 13,7%. Os dados podem até ser favoráveis ao governo petista, mas estão longe de satisfazer os eleitores. A sensação de perda de poder de compra é evidente em todas as pesquisas eleitorais, com índices de quase 70% dos cidadãos considerando que o custo de vida ficou maior.
O desafio de quem está no governo é convencer esses eleitores, o que fica ainda mais difícil com fatos recentes da quebra financeira no setor de varejo, outro ponto que tem sido explorado pelos bolsonaristas. E, mesmo com programas como Desenrola e Desenrola 2, o nível de endividamento dos brasileiros está muito elevado, o que ajuda no sentimento de estrangulamento financeiro, em que medidas como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil tiveram pouco impacto no eleitor.
