Com as campanhas majoritárias e proporcionais a todo vapor, observadores políticos acreditam que a chapa de JHC, encabeçada pelo PSDB, vai precisar, junto com a União Progressista e o Partido Liberal, correr contra o tempo perdido durante as indefinições do período pré-eleitoral.
As divergências entre JHC e Arthur Lira, principalmente, permitiram que a chapa de Renan Filho avançasse mais no interior do Estado, além do apoio que tem de mais de 90 prefeituras. Assim, Arthur Lira volta ao patamar anterior, pedindo aos seus aliados o voto em JHC, e trabalha para que algumas lideranças já desgarradas do grupo e que, a princípio, foram liberadas voltem a se engajar na campanha.
SOPA DE LETRAS
Renan Filho (MDB) subiu o tom das críticas a João Henrique Caldas, o JHC (PSDB), durante ato político em São Luís do Quitunde. Ao ironizar o uso da sigla JHC pelo adversário, associou a estratégia a uma tentativa de evitar a exposição do pai, o ex-deputado federal João Caldas (DC). “Tem um candidato que é o ‘sopa de letras’. Ele virou uma sopa de letras só por um motivo: pra esconder o pai que tem, esconder o passado do pai”, afirmou.
PASSADO DO PAI
João Caldas acumula decisões judiciais desfavoráveis. Foi condenado por corrupção passiva no caso da Máfia das Sanguessugas, envolvendo fraudes na compra de ambulâncias com recursos de emendas parlamentares, e também por improbidade administrativa. Em 2019, o TRE/AL manteve a multa de R$ 49,5 mil contra ele por doação eleitoral acima do limite legal.
E O PRESIDENTE?
Renan também disse que JHC evita assumir seu posicionamento na eleição presidencial. “Além de esconder o próprio pai, o candidato de lá também esconde em quem ele vota para Presidente da República. Esconde porque tem vergonha de dizer que é bolsonarista”, disse. Em contraponto, declarou seu voto em Lula. “Eu não escondo nada. Quem é neutro é xampu de bebê.”
UM DIA DE UM LADO...
O candidato do MDB ainda lembrou as mudanças de JHC sobre qual cargo disputaria nas eleições. “Nem sabia se queria ser candidato a governador. Tava numa conversa mole, um dia de um lado, um dia do outro”, provocou. Renan completou: “Eu sempre soube que queria ser candidato a governador de Alagoas.”
DESESTÍMULO
Sem um puxador de votos que pelo menos garantiria a possibilidade de eleger dois deputados federais, o sentimento do grupo ligado a JHC é de frustração. Com Marina Candia agora candidata ao Senado, a disputa se complica. No barco estão nomes conhecidos como Kelmann Vieira, Chico Filho e Eduardo Canuto, todos com mandato.
MUDANÇAS À VISTA
No entorno de JHC, existe a possibilidade de mudança de liderança, como, por exemplo, Gilvan Barros assumir a liderança do grupo com a saída de Marina Candia. Além de ex-deputado estadual, elegeu o filho para a Assembleia Legislativa e figura entre os mais bem-sucedidos do empresariado local.
PARA DECIDIR
Com a chapa majoritária em Alagoas da Federação União Progressista, PSDB e PL parcialmente definida, a dúvida, agora, é se todos os candidatos do grupo vão para o palanque pedir votos para Flávio Bolsonaro (PL). O assunto, pra lá de delicado, vai forçar todos, indistintamente, a revelar o nome de seu candidato à Presidência da República.