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Ex-engenheiro da Meta diz que avisou liderança sobre vício em jovens

Antigo funcionário da big tech disse que Zuckerberg estava envolvido em muitas tomadas de decisão


				Ex-engenheiro da Meta diz que avisou liderança sobre vício em jovens
• 9/11/2022 REUTERS/Peter DaSilva/Arquivo

Um ex-diretor de engenharia da Meta Platforms testemunhou nesta quarta-feira (19) que o CEO Mark Zuckerberg foi responsável por uma cultura que pode ter levado a empresa a se eximir da responsabilidade de proteger de danos as crianças que usam suas plataformas, Facebook e Instagram.

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Arturo Bejar, que trabalhou na empresa de 2009 a 2015 e como prestador de serviços independente de 2019 a 2021, e crítico vocal da Meta, disse que Zuckerberg estava intimamente envolvido em muitas tomadas de decisão e que a cultura de cima para baixo da empresa garantia que mudanças no design dos produtos ocorressem apenas se ele as ordenasse.

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"Se o Mark torna algo uma prioridade, montanhas se movem em meses", disse Bejar.

O engenheiro é a primeira testemunha em um julgamento histórico sobre acusações feitas por uma coalizão de estados que acusa a empresa de projetar suas plataformas para viciar jovens usuários e de coletar ilegalmente dados de crianças menores de 13 anos.

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Califórnia, Colorado, Kentucky e Nova Jersey acusam a Meta de projetar o Facebook e o Instagram para viciar jovens usuários, alimentando ansiedade, depressão e até suicídio, além de enganar os consumidores sobre a segurança das plataformas.

Esses estados e outros 25 também acusam a big tech de violar a lei federal ao coletar e usar indevidamente dados pessoais de crianças enquanto elas usavam suas plataformas.

A Meta negou as acusações e argumentou que as opiniões de Bejar estavam fora do escopo de seu trabalho. Ele começou a testemunhar no tribunal federal de Oakland, na Califórnia, na terça-feira, quando o julgamento teve início.

Espera-se que o julgamento dure seis semanas e que Zuckerberg preste depoimento.

Segurança era "pensada em segundo plano", diz testemunha

Bejar ajudou a conduzir pesquisas sobre as experiências de adolescentes como parte de uma equipe que examinava o bem-estar no Instagram entre 2019 e 2021.

Ele tem sido bastante enfático em criticar o histórico de segurança da Meta para crianças, e testemunhou perante uma comissão do Senado dos EUA em 2023, afirmando que a Meta estava ciente do assédio e de outros danos enfrentados por adolescentes em suas plataformas, mas não os combateu.

No depoimento desta quarta-feira, Bejar disse que a Meta usava métricas como interações sociais significativas e usuários ativos diários para recompensar funcionários, priorizando o engajamento dos usuários — e o lucro — em detrimento da segurança.

Ele também afirmou que uma ferramenta usada pela Meta que incentiva os usuários a fazerem uma pausa, um recurso fundamental citado pela Meta em sua defesa, foi "projetada para falhar", porque não é a configuração padrão e os lembretes são fáceis de ignorar.

"Caminhos de todos os lados levam ao tempo de permanência no produto", disse ele. "Nesse contexto, a segurança sempre foi pensada em segundo plano."

Bejar disse ainda que a Meta tinha tecnologia para sinalizar e exigir verificação de usuários suspeitos de terem menos de 13 anos, potencialmente na casa dos milhões, mas fechou os olhos para o problema por meio de uma política de "não pergunte, não conte", porque era financeiramente lucrativo a longo prazo.

"Onde as crianças mais novas estão é onde os usuários estarão no futuro", afirmou.

Especialistas dizem que o julgamento é o maior teste jurídico até hoje sobre os efeitos das redes sociais em jovens usuários.

A Meta enfrenta milhares de processos semelhantes por supostos danos causados a crianças. Bejar tem sido uma testemunha-chave contra a empresa em três dos casos que já foram a julgamento até agora. Um desses casos, movido pelo Novo México, resultou em US$ 942 milhões em indenizações e penalidades, além de uma ordem exigindo que a Meta altere suas plataformas no estado.

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