Conversa entre JHC, Lessa e Marina: os bastidores do encontro
Reunião durou horas e discutiu o realinhamento da chapa e uma nova acomodação para Ronaldo Lessa

A foto publicada nas redes sociais pelo candidato ao governo, JHC (PSDB), nessa segunda-feira (17), ao lado da candidata ao Senado, Marina Cândia (PSDB), e Ronaldo Lessa (PDT), foi acompanhada de uma mensagem de unidade: “A luta continua! Juntos para mudar Alagoas”. Mas, nos bastidores, o encontro teve um objetivo bem mais específico: discutir a composição da chapa e encontrar uma posição que acomode melhor o atual vice-governador.
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A reunião entre o ex-prefeito de Maceió, a ex-primeira-dama e Lessa durou horas. A conversa ocorreu depois de uma mudança importante no desenho eleitoral que vinha sendo anunciado pelo grupo.
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Lessa, que durante boa parte da pré-campanha aparecia como nome cotado para ocupar a vice de JHC, acabou fora da vaga. A posição foi destinada à ex-prefeita de Arapiraca Célia Rocha (PSDB). Para Lessa, restou a segunda suplência da chapa de Marina Cândia.
É justamente essa mudança que está no centro das novas conversas.


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A informação de bastidor é de que o principal objetivo do encontro foi promover um realinhamento da chapa, dentro dos parâmetros permitidos pela legislação eleitoral. As tratativas buscam encontrar uma acomodação que permita melhorar a posição de Lessa sem provocar um desequilíbrio na composição construída pelo grupo.
A discussão teria passado por duas possibilidades principais.
A primeira, mais desejada por Lessa, é a tentativa de fazê-lo retornar à condição de candidato a vice-governador. A vaga, entretanto, já está ocupada por Célia Rocha, o que torna qualquer mudança dependente de uma nova articulação entre os partidos e candidatos envolvidos.
A segunda possibilidade seria uma mudança na chapa do Senado: Lessa sairia da segunda suplência e passaria para a primeira suplência de Marina Cândia. Nesse cenário, ele ganharia uma posição politicamente mais relevante e poderia assumir o mandato no Senado em determinadas circunstâncias, caso Marina seja eleita e posteriormente se afaste do cargo.
Hoje, a primeira suplência de Marina é ocupada pela senadora Dra. Eudócia Caldas (PSDB), mãe de JHC.
A mudança, portanto, não seria apenas simbólica. A ordem dos suplentes define quem poderá ser chamado a exercer o mandato em caso de vacância ou substituição, conforme as regras eleitorais e constitucionais. Por isso, uma eventual troca entre Eudócia e Lessa teria peso político significativo.
Ainda não há, contudo, um entendimento fechado sobre qualquer dessas alternativas. O que existe, segundo os bastidores, é a disposição de manter a negociação aberta e buscar uma solução que permita acomodar Lessa de maneira mais satisfatória.
O prazo, entretanto, é curto.
A avaliação dentro do grupo é de que a definição precisa ocorrer o mais rapidamente possível, preferencialmente ainda nesta semana. A preocupação é evitar que uma disputa pela composição da chapa se prolongue e termine produzindo efeitos negativos justamente nas duas campanhas envolvidas: a de JHC ao Governo e a de Marina ao Senado.
Pelas regras eleitorais, as eventuais trocas, desistências e substituições de candidatos durante a campanha são possíveis até 20 dias antes do pleito: este ano, no caso, até o dia 14 de setembro. Após isso, apenas em casos extremos (de falecimento, por exemplo).
No caso de Lessa, a situação é particularmente delicada porque ele não deixou de integrar o projeto político de JHC. Ao contrário. Sua presença ao lado do candidato ao governo e de Marina na fotografia divulgada nas redes sociais foi justamente uma tentativa pública de demonstrar unidade.
A frase escolhida por JHC — “A luta continua! Juntos para mudar Alagoas” — reforça essa mensagem. A imagem, porém, também ocorre em um momento de negociação interna para definir qual será, de fato, o espaço de Lessa na disputa, considerando o efeito negativo de deixar o vice-governador em uma posição coadjuvante na chapa, longe das decisões políticas.
O desafio agora é transformar a sinalização pública de união em um novo acordo político capaz de encerrar a insatisfação do vice-governador com a composição atual.
A prioridade para Lessa, como avaliam interlocutores mais próximos, continuará sendo a vice-governadoria. Caso essa alternativa não avance, a primeira suplência de Marina surge como uma possibilidade de melhorar sua posição na chapa e preservar uma perspectiva concreta de chegar ao Senado em determinadas circunstâncias.
