Seus órgãos podem ter idade diferente da sua, aponta estudo
Análise com 983 pessoas mostra diferenças entre a idade biológica dos órgãos e a cronológica

A idade registrada na certidão de nascimento não conta toda a história sobre o envelhecimento do corpo. Um estudo publicado na última sexta-feira (14/8), na revista científica Nature Medicine, mostra que diferentes órgãos e tecidos de uma mesma pessoa podem envelhecer em ritmos distintos.
Tudo em um só lugar.
Receba notícias da GazetaWeb no seu WhatsApp e fique por dentro de tudo!

Isso significa que alguém com 50 anos, por exemplo, pode apresentar tecidos com características compatíveis com uma idade biológica maior ou menor. Os pesquisadores chegaram à conclusão após desenvolverem “relógios dos tecidos”, modelos capazes de estimar a idade biológica a partir de alterações microscópicas provocadas pelo envelhecimento.
Leia também
A pesquisa avaliou 25.712 imagens histopatológicas de 40 tipos de tecidos de 983 pessoas. Com inteligência artificial, os cientistas identificaram características relacionadas à idade e compararam a estimativa obtida com a idade cronológica de cada indivíduo.
Cada parte do corpo pode seguir um ritmo


De Vice governador a segundo suplente: Lessa perdeu espaço? Central das Eleições analisa

Sem Marina, como fica a chapa federal do PSDB? Central das Eleições analisa

"Estou pronta para essa missão”, diz Marina JHC ao ser oficializada ao Senado

JHC lança candidatura ao governo: “Ouvi Deus na voz de cada um de vocês”
Os modelos apresentaram erro absoluto médio de 4,88 anos na estimativa da idade. A diferença entre a idade prevista pelo tecido e a idade cronológica foi chamada pelos pesquisadores de “lacuna de idade”.
Quanto maior a lacuna positiva, mais envelhecido o tecido aparentava estar em relação à idade da pessoa. Os pesquisadores identificaram indivíduos com envelhecimento acelerado em vários tecidos e outros nos quais apenas determinados órgãos apresentavam uma idade biológica maior.
Entre as principais alterações associadas ao envelhecimento estavam atrofia dos tecidos, fibrose, redução de pequenos vasos sanguíneos e menor proliferação de células epiteliais. Os tecidos biologicamente mais velhos também apresentaram associação com telômeros mais curtos e maior presença de alterações patológicas.
O que o estudo encontrou em diferentes órgãos
O trabalho não determina uma idade padrão para cada órgão. Em vez disso, mostra quanto determinados tecidos podem estar biologicamente mais velhos ou mais jovens em relação à idade cronológica de cada pessoa.
- Cérebro: pessoas que sofreram acidente vascular cerebral (AVC) apresentaram envelhecimento acelerado mais pronunciado no cérebro. Entre pacientes com Alzheimer, o cérebro foi o único órgão com uma diferença de idade significativamente maior.
- Trato gastrointestinal: na doença de Crohn, o envelhecimento acelerado apareceu em tecidos do esôfago, estômago, intestino delgado e cólon.
- Pulmões: doenças respiratórias crônicas foram associadas de maneira mais evidente ao envelhecimento pulmonar.
- Pâncreas: a diabetes tipo 2 foi associada ao envelhecimento acelerado do tecido pancreático.
- Rins e outros tecidos: a insuficiência renal apareceu relacionada ao envelhecimento acelerado de diferentes partes do organismo.
- Aorta: tecidos biologicamente mais velhos apresentaram espessamento da parede e perda de integridade associados a alterações vasculares.
- Músculos: o avanço da idade foi acompanhado por alterações como atrofia e maior infiltração de gordura.
As associações não significam que uma doença necessariamente provoque o envelhecimento acelerado do órgão. Parte das análises envolvendo doenças, características demográficas e estilo de vida foi exploratória e não permite estabelecer relação direta de causa e efeito.
Idade biológica pode ajudar a entender doenças
Os cientistas também testaram uma estratégia para estimar o envelhecimento específico dos tecidos a partir de informações de expressão gênica encontradas no sangue. A proposta abre caminho para que, futuramente, métodos menos invasivos possam ajudar a acompanhar o envelhecimento de diferentes órgãos.
Por enquanto, os “relógios dos tecidos” são uma ferramenta de pesquisa e não funcionam como um exame disponível para descobrir a idade de cada órgão. A análise depende de amostras de tecidos e ainda precisa ser validada em populações maiores e mais diversas.
Os resultados reforçam, porém, que envelhecer não é um processo uniforme. Dentro de uma mesma pessoa, diferentes partes do organismo podem acumular sinais de envelhecimento em velocidades distintas, informação que pode ajudar pesquisadores a compreender melhor a relação entre idade, funcionamento dos órgãos e desenvolvimento de doenças.
