O deputado federal Arthur Lira, candidato a senador pelo PP, está mostrando que é possível "furar a bolha" entre lideranças políticas da capita alagoana. Ele avança na cidade, sem pedir licença a JHC ou Rodrigo Cunha.
Lira sabe que precisa crescer em Maceió para garantir uma das vagas ao Senado. No interior, o deputado federal tem força, estrutura, lideranças e apoio de prefeitos. A capital é outra história: é onde ele enfrenta mais dificuldade e onde adversários como Renan Calheiros, Davi Davino Filho e, eventualmente, JHC podem ter mais espaço.
Isso explica o movimento de Lira na Câmara Municipal. Levantamento exclusivo feito pelo Blog do Edivaldo Junior mostra que Lira já tem apoio de 20 dos 27 vereadores de Maceió. Outros sete aparecem, hoje, como indefinidos.
Lira tenta transformar apoio parlamentar em presença nos bairros, agenda de rua, pedido de voto e estrutura de campanha. Se conseguir reduzir a desvantagem em Maceió, pode desequilibrar a eleição para o Senado.
A conta na Câmara
Na fotografia de hoje, apoiam Arthur Lira os vereadores Aldo Loureiro, Brivaldo Marques, Cal Moreira, Chico Filho, Davi Davino, David do Emprego, Eduardo Canuto, Galba Netto, Gerônimo Barbosa, Jeannyne Beltrão, Jônatas Omena, Kelmann Vieira, Leonardo Dias, Luciano Marinho, Marcelo Palmeira, Olívia Tenório, Pastor João Luiz, Samyr Malta, Siderlane Mendonça e Zé Márcio Filho.
Aparecem como indefinidos Allan Pierre, Charles Hebert, Fátima Santiago, Milton Ronalsa, Tácio Melo, Teca Nelma e Thales Diniz. A lista pode mudar nos próximos dias. Pelo menos mais um vereador deve anunciar apoio ao candidato do Progressistas ao Senado.
A presença de Lira na Câmara também mostra que ele decidiu ocupar espaço antes da definição final das chapas. Enquanto a aliança com JHC não sai, o deputado federal organiza sua própria base na capital, sem depender do PSDB do ex-prefeito de Maceió.
Capital decisiva
Maceió pode ser decisiva na disputa pelo Senado. Lira vai bem no interior, onde tem o apoio de muitas lideranças e de mais de 80 prefeitos. Mas, na capital, ainda precisa crescer em intenção de voto para disputar em melhores condições com adversários que têm mais presença na Grande Maceió.
Esse é o caso de Davi Davino Filho, que tem base eleitoral forte na capital e na região metropolitana. Também é o caso de Renan Calheiros, que, mesmo com força no interior, sabe que não pode perder muito espaço em Maceió. E pode ser, principalmente, o caso de JHC, se o ex-prefeito decidir disputar o Senado.
Se JHC entrar na disputa, a capital vira o principal território da eleição. Se não entrar, ainda assim terá força para influenciar parte importante do eleitorado e dos vereadores. Por isso, Lira trabalha para chegar antes e fixar apoios onde mais precisa crescer.
Há ainda um novo fator na conta: a saída de Alfredo Gaspar da disputa ao Senado. Com Gaspar fora, Lira passa a disputar a herança de parte do voto da direita em Alagoas. Flávio Bolsonaro já tem pedido voto para ele. Alfredo Gaspar também deve fazer o mesmo. Lideranças bolsonaristas tendem a reforçar essa operação nos próximos meses.
Isso pode fazer diferença em Maceió, onde o voto de direita tem peso maior do que em várias regiões do interior. Lira, que já tem prefeitos, estrutura e presença em Brasília, tenta agora somar a esse conjunto o apoio organizado dos vereadores da capital e o pedido de voto do campo bolsonarista.
A conta é simples. No interior, Lira já tem base. Em Maceió, precisa transformar apoio político em voto. Se conseguir fazer isso, pode mudar a disputa na capital.
E, se mudar a disputa em Maceió, muda também a eleição para o Senado em Alagoas. Mas essa é outra história.