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De mulheres ameaçadas aos CACs: armas entram nos planos de 2026

Propostas de 2026 levam a pauta das armas aos dois polos ideológicos, mas com objetivos distintos: proteção de grupos vulneráveis à esquerda e flexibilização do acesso à direita.


				De mulheres ameaçadas aos CACs: armas entram nos planos de 2026

A pauta das armas rompeu a fronteira ideológica nas eleições de 2026. Propostas apresentadas por candidatos de esquerda e de direita mostram que o tema deixou de ser um tabu restrito ao campo conservador, embora cada lado defenda o armamento com objetivos e públicos diferentes.

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No Distrito Federal, o PSTU propõe treinamento de autodefesa e fornecimento de armas para mulheres que estejam amparadas por medidas protetivas. A medida integra o programa do professor Robson, candidato do partido ao Governo do DF.

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O documento também prevê a criação de uma divisão policial especializada na proteção de mulheres ameaçadas, a compra de tornozeleiras eletrônicas e um programa gratuito de autodefesa feminina em todo o Distrito Federal.

A proposta representa uma inflexão no debate tradicional sobre armas. Em vez da defesa ampla da posse e do porte individual, bandeira historicamente associada à direita, o PSTU vincula o acesso ao armamento à proteção de mulheres vítimas de violência doméstica.

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PSTU defende autodefesa comunitária

A discussão também aparece no programa nacional do PSTU. O partido defende o direito à autodefesa de comunidades e militantes que atuam em conflitos ambientais e territoriais.

O documento nacional não apresenta a mesma proposta explícita de fornecimento de armas prevista no Distrito Federal. A formulação está ligada à organização comunitária diante da violência atribuída pelo partido a grupos econômicos e agentes do Estado.

Nos dois casos, a lógica é coletiva e direcionada a grupos considerados vulneráveis. Ainda assim, a presença do armamento em um programa de esquerda mostra que o tema passou a ocupar novos espaços na disputa eleitoral.

Ao mesmo tempo, o plano do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) segue em outra direção. O programa defende a manutenção do controle de armas e munições, o reforço da rastreabilidade e uma fiscalização mais rigorosa sobre empresas de segurança privada e registros de caçadores, atiradores e colecionadores, os CACs. O documento também considera acertada a revogação das normas do governo Bolsonaro que facilitaram o acesso a armamentos.

Delegado Huggo quer reduzir imposto sobre armas

No campo da direita, as propostas buscam ampliar o acesso, reduzir custos e flexibilizar as regras para proprietários de armas.

No Ceará, o delegado Huggo Leonardo, candidato do partido Missão ao governo estadual, propõe reduzir o ICMS incidente sobre armas. A medida reforça a identidade eleitoral construída em torno da segurança pública e da atuação de integrantes das forças policiais.


				De mulheres ameaçadas aos CACs: armas entram nos planos de 2026
Foto: Divulgação/ND

A proposta, no entanto, não dependeria apenas de uma decisão isolada do governador. Benefícios relacionados ao ICMS podem exigir autorização e regulamentação dentro das regras do Conselho Nacional de Política Fazendária, o Confaz.

A candidatura de Huggo também mostra outra face da pauta: a transformação de delegados, policiais e integrantes das forças de segurança em protagonistas da disputa eleitoral. O discurso sobre armas passa, assim, da defesa de uma política pública para a própria construção da imagem do candidato.

Zema propõe porte em propriedades rurais

Candidato do Novo à Presidência, Romeu Zema incluiu no chamado “Plano Implacável” a ampliação do porte de armas para todas as propriedades rurais.

A proposta parte do argumento de que produtores e moradores do campo estão mais expostos à criminalidade por causa da distância das forças policiais. Na prática, o plano pretende estender o direito de portar armas dentro de toda a área da propriedade, e não apenas na sede da fazenda ou residência rural. O programa de Zema também reúne privatizações, saída do Brics e mudanças nas relações de trabalho.

A campanha de Flávio Bolsonaro (PL), por sua vez, trabalha pela revogação do Estatuto do Desarmamento e pela criação de regras mais flexíveis para a aquisição e o porte de armas. A elaboração dessa política foi entregue ao deputado Marcos Pollon (PL-MS), um dos principais representantes da bancada armamentista no Congresso.

O plano prevê reverter restrições impostas pelo governo Lula, estabelecer critérios considerados mais objetivos para a compra de armas e ampliar a segurança jurídica dos CACs. A revogação dos decretos atuais seria apenas a primeira etapa de uma revisão mais ampla da legislação.

Armas deixam de ser monopólio da direita

Os planos mostram que o debate não se limita mais à divisão simples entre uma direita armamentista e uma esquerda desarmamentista.

Na direita, predominam propostas de flexibilização geral, redução de impostos, ampliação do porte e proteção aos CACs. Em parte da esquerda, o armamento aparece como instrumento excepcional de defesa de mulheres ameaçadas, comunidades e militantes expostos à violência.

As direções continuam opostas, mas o tabu foi rompido nos dois polos. A pergunta na eleição de 2026 já não é apenas quem defende ou rejeita as armas. A disputa passou a ser sobre quem poderia utilizá-las, em quais circunstâncias e sob o controle de quem.

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