Consultoria nega ter orientado investimento do Iprev Maceió no Master; PF suspeita de pressão externa para liberar recursos
Crédito & Mercado foi alvo de busca e apreensão na operação realizada nessa segunda-feira (10)

A Crédito & Mercado negou ter orientado o Iprev Maceió a investir no Banco Master após ser alvo de busca e apreensão na operação realizada pela Polícia Federal nessa segunda-feira (10). A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), aponta que os investigadores buscam elementos sobre uma possível pressão externa para a liberação dos recursos.
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Além da sede da empresa, a medida alcançou Renan Foglia Calamia, apontado na decisão como dirigente e principal interlocutor técnico da consultoria. Segundo a representação da PF, a Crédito & Mercado teria participado do credenciamento do Banco Master, da elaboração ou validação de análises e da formação dos documentos utilizados nas operações.
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A busca e apreensão foi autorizada para localizar mensagens, planilhas, versões preliminares de pareceres, minutas de APRs, agendas e comunicações com o Banco Master. A PF também procura elementos que indiquem eventual “pressão externa ou recebimento de vantagem” e quer esclarecer se ordens ou pressões levaram integrantes do Iprev a autorizar os aportes sem debate técnico suficiente.
A Crédito & Mercado contestou essa versão e informou que tomou conhecimento da decisão pela imprensa. A empresa classificou como equivocada a análise da documentação e afirmou que houve uma confusão sobre a natureza das Autorizações de Aplicação e Resgate (APRs).


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Segundo a consultoria, as APRs são documentos administrativos padronizados, utilizados apenas para formalizar as operações. A empresa sustenta que os formulários não constituem pareceres técnicos, não representam recomendações de investimento nem refletem qualquer manifestação da Crédito & Mercado sobre aplicações financeiras.
“No caso do investimento no Banco Master, a Crédito & Mercado jamais foi procurada pelo Iprev Maceió para realizar análise técnica, não emitiu parecer e não recomendou a operação”, afirmou. A consultoria também negou ter participado da decisão ou assumido qualquer responsabilidade pela aplicação dos recursos.
O Iprev aplicou R$ 97 milhões em letras financeiras subordinadas do Banco Master, sendo R$ 80 milhões em dezembro de 2023 e R$ 17 milhões em maio de 2024. A investigação pretende esclarecer se a consultoria prestou apenas a assessoria independente prevista em contrato ou se houve uma atuação articulada para favorecer o banco.
A Crédito & Mercado afirmou que a decisão lhe atribuiu um papel que nunca exerceu e produziu uma narrativa incompatível com os fatos, com prejuízos à reputação da empresa. A consultoria informou que apresentará sua defesa e os esclarecimentos necessários assim que tiver acesso aos autos.
