Do exemplo à ação: Wadson Regis mostra experiência do Ceará e defende água chegando ao Sertão em menos de seis meses
Jornalista compara resposta do Ceará à crise hídrica dos anos 1990 com a situação de Alagoas e cobra ações para garantir segurança hídrica no Estado

Enquanto o Ceará enfrentava uma emergência hídrica e construía uma solução em poucos meses, Alagoas chega a mais um inverno com um conjunto de municípios em situação de emergência por causa da seca. O alerta agora é ainda maior: especialistas e a Semarh apontam para a possibilidade de um período de estiagem severo.
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A história do Ceará, no início dos anos 1990, oferece uma pergunta incômoda para Alagoas. Em 1993, Fortaleza enfrentava o risco de colapso no abastecimento de água. Diante da emergência, o então governador Ciro Gomes reuniu sua equipe e engenheiros para buscar uma solução. A obra parecia impossível de ser realizada no prazo necessário.
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A pergunta, porém, mudou o rumo da história: se não era possível fazer tudo naquele momento, quanto seria possível fazer?
A estratégia foi dividir o trabalho em várias frentes e trabalhar em ritmo de emergência. O resultado foi a construção do Canal do Trabalhador, uma obra de resposta rápida para levar água ao sistema de abastecimento da Região Metropolitana de Fortaleza.


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Mais de três décadas depois, a comparação com Alagoas se revela
Também no início dos anos 1990, o Estado iniciou a obra na concepção do Canal do Sertão Alagoano, uma das maiores obras de infraestrutura hídrica já planejadas para o Estado. O projeto prevê aproximadamente 250 quilômetros de canal para levar água do São Francisco ao Sertão.
Passadas mais de três décadas, porém, o Canal do Sertão ainda não percorreu todo o caminho previsto.
É justamente aí que começa a reflexão proposta pelo movimento Barragens Já! “O que falta em Alagoas não é água. É determinação.” A frase é de Wadson Regis, jornalista e defensor do movimento Barragens Já!, que vem cobrando uma política permanente de segurança hídrica para o Estado.
Para ele, a questão não pode mais ser tratada apenas como uma discussão sobre construção de barragens. “O Barragens Já! não defende simplesmente uma obra de infraestrutura. Defende a segurança hídrica para todo o Estado. Nós temos água. Temos rios, temos o São Francisco, temos períodos de chuva. O que precisamos é planejamento para armazenar, distribuir e transformar essa água em vida, produção, emprego e desenvolvimento.”
O momento torna o debate ainda mais urgente
Alagoas atravessa o inverno com um conjunto de municípios em situação de emergência em razão da seca. E o alerta para os próximos meses aumenta a preocupação sobre abastecimento, produção agrícola, criação de animais e economia das regiões mais vulneráveis.
A pergunta, portanto, não é apenas se vai chover.
A pergunta é: o que Alagoas fará enquanto espera pela chuva? “Vamos continuar esperando a próxima seca chegar para começar a discutir soluções? Ou vamos ter a determinação que o Ceará teve quando viu que não poderia esperar o colapso acontecer?”, questionou Wadson Regis.
O exemplo cearense mostra que grandes desafios podem exigir grandes decisões e, principalmente, capacidade de transformar urgência em ação. “Em 1993, Ceará e Alagoas estavam diante de um desafio semelhante: como garantir água para o futuro? O Ceará decidiu correr contra o tempo. Alagoas ainda corre atrás do tempo perdido.”
O Canal do Trabalhador não é apresentado pelas Barragens Já! como uma cópia do que Alagoas precisa fazer. São realidades, projetos e características técnicas diferentes.
Mas existe uma lição que pode ser compartilhada: quando a água é estratégica para a sobrevivência e o desenvolvimento de uma população, a segurança hídrica precisa ser tratada como prioridade do Estado.
Barragens, canais, açudes, recuperação de rios, desassoreamento, abastecimento, supervisão e planejamento precisam fazer parte de uma mesma política.
Porque a mesma água que hoje provoca enchentes em algumas regiões pode faltar amanhã para beber, plantar e produzir. “Nós não queremos aprisionar os rios. Queremos libertar Alagoas do ciclo de enchentes, secas e oportunidades perdidas. Barragens não são apenas concreto. São proteção, água para produzir e segurança para as próximas gerações.”
O alerta está dado
“Alagoas pode esperar a próxima semana chegar. Ou pode decidir, agora, correr contra o tempo. Barragens Já! Água temos. O que precisamos é transformar água em segurança, produção e futuro”, enfatiza Wadson Regis.
