O Ideb virou mais um capítulo da disputa política em Alagoas. Depois da divulgação dos resultados de 2025, material distribuído pela assessoria do PSDB afirmou que a qualidade da educação de Maceió havia superado a de Alagoas.
Os números, quando colocados lado a lado da maneira correta, mostram outra coisa.
A comparação usada no material mistura resultados dos anos iniciais e finais do ensino fundamental de Maceió com o ensino médio estadual. São etapas diferentes e indicadores que o Inep divulga separadamente.
No comentário de hoje, mostro que Maceió melhorou, mas Alagoas avançou proporcionalmente mais entre 2023 e 2025 nas duas etapas em que a comparação direta é possível.
Nos anos iniciais, Alagoas passou de 6,0 para 6,4, alta de 6,7%. Maceió foi de 5,3 para 5,6, crescimento de 5,7%.
Nos anos finais, o Estado avançou de 5,0 para 5,3, ou 6%. A capital passou de 4,1 para 4,3, alta de 4,9%.
Os rankings também ajudam a dimensionar os resultados. Alagoas chegou ao 8º lugar do Brasil e ao 2º do Nordeste nos anos iniciais. Maceió, nessa mesma etapa, aparece em 22º lugar entre as capitais brasileiras.
Nos anos finais, Maceió cai para o 8º lugar entre as nove capitais nordestinas.
Há melhora dos dois lados. Mas os dados oficiais não sustentam a afirmação de que Maceió tenha superado Alagoas.
É sobre essa batalha dos números — e sobre o que efetivamente diz o Ideb — que falo no comentário de hoje.