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HOME > blogs > EDIVALDO JÚNIOR
Imagem ilustrativa da imagem Mamá Omena: a liderança de quem faz o evento acontecer

BLOG DO
Edivaldo Júnior

Mamá Omena: a liderança de quem faz o evento acontecer


				Mamá Omena: a liderança de quem faz o evento acontecer
Mamá Omena. Reprodução Youtube

Mamá Omena tem uma daquelas trajetórias que ajudam a explicar mudanças importantes em Alagoas nos últimos 25 anos. Ela passou pela administração pública, atuou no turismo, consolidou-se no cerimonial institucional e tornou-se uma das referências do mercado de eventos no Estado.

Em entrevista ao Fala, Líder, programa apresentado por Edivaldo Junior na CBN Maceió, Mamá falou sobre sua história, os bastidores do cerimonial, o crescimento dos casamentos em Alagoas e a profissionalização de uma cadeia que hoje envolve hotéis, pousadas, gastronomia, decoração, música, beleza, fotografia, filmagem, transporte e turismo.

A frase que melhor resume sua forma de trabalhar apareceu no meio da conversa: “Evento é uma construção”. E é mesmo.

Um casamento, uma solenidade pública, uma posse, uma visita institucional ou uma grande festa não começam no dia em que o convidado chega. Começam muito antes, na escuta, no planejamento, na escolha dos fornecedores, na definição do roteiro, na leitura do ambiente e na capacidade de prever problemas. É aí que entra o cerimonial. O que o público vê é o evento pronto. O que o cerimonialista carrega é o caminho até ali.

Da gestão pública aos eventos

Mamá, na verdade, é Guiomar Uchoa de Omena Mendes. O apelido nasceu em casa, ainda na infância, quando um primo pequeno não conseguia pronunciar seu nome. Ficou Mamá. E Mamá virou marca.

Formada em Administração, ela começou a trabalhar com eventos há 26 anos. Antes disso, passou pelo Tribunal de Contas e pela Prefeitura de Maceió, onde atuou nas áreas de turismo e cultura, em um período em que a capital começava a se afirmar como destino nacional.

A experiência no turismo foi decisiva. Mamá viu Maceió crescer, ganhar hotéis, restaurantes, réveillons, eventos e visibilidade. Viu também a força da hospitalidade alagoana, que, segundo ela, ajuda a explicar por que tanta gente chega ao Estado e decide voltar.

Um episódio contado na entrevista ajuda a entender seu estilo. Durante a passagem da Tocha Olímpica por Maceió, Mamá teve a ideia de levar a tocha para o mar, numa jangada, na Praia de Pajuçara. A proposta parecia difícil. Era um evento internacional, com regras rígidas e pouca margem para improviso.

Ela insistiu, conversou com o diretor responsável e conseguiu. A imagem foi parar no Jornal Nacional. Não foi apenas uma boa cena. Foi divulgação de destino.

Cerimonial exige discrição

Há 16 anos, Mamá também atua no cerimonial do Tribunal de Justiça de Alagoas. É outro tipo de evento. Menos festa, mais rito. Menos liberdade, mais protocolo. Posse de desembargadores, visitas de ministros, solenidades oficiais, comendas e cerimônias institucionais exigem formalidade, hierarquia, precisão e cuidado.

Na entrevista, ela deixou claro que cerimonial não é improviso nem apenas boa vontade. Exige capacitação, discernimento, equipe e postura. A palavra que ela mais repetiu nesse campo foi discrição.

Em ambientes institucionais, especialmente no Judiciário, o cerimonialista convive com autoridades, decisões, agendas sensíveis e situações que não podem virar espetáculo. É preciso saber estar, orientar, resolver e, muitas vezes, desaparecer.

O bom cerimonial aparece justamente quando ninguém percebe o problema que foi evitado.


				Mamá Omena: a liderança de quem faz o evento acontecer
Mamá Omena. Reprodução Youtube

O mercado dos casamentos

Nos últimos anos, Mamá passou a dedicar boa parte da agenda aos casamentos, especialmente no litoral alagoano. O movimento acompanhou o crescimento de São Miguel dos Milagres, Barra de São Miguel, Barra Nova e outros espaços que transformaram Alagoas em destino de eventos.

Ela atribui à Capela dos Milagres um papel importante nesse processo. A partir dali, a região ganhou força como cenário de destination wedding, atraindo noivos e convidados de diferentes estados.

Segundo Mamá, hoje há fins de semana em Milagres com vários casamentos ao mesmo tempo, cada um reunindo centenas de convidados. Muitos clientes vêm de fora de Alagoas, de diferentes regiões do país, e encontram aqui fornecedores preparados para eventos de alto padrão.

Esse talvez seja um dos pontos mais relevantes da entrevista: Alagoas deixou de vender apenas paisagem. Passou a vender experiência.

Um casamento desse tipo dura, muitas vezes, três dias. Tem recepção de boas-vindas, passeio, jantar, cerimônia, festa, hospedagem, gastronomia, beleza, música e deslocamento. O convidado não vem apenas assistir a uma cerimônia. Vem viver o destino. Isso movimenta uma cadeia inteira.

Fornecedores e economia local

Mamá fez questão de destacar a qualidade dos fornecedores alagoanos. Para ela, o Estado hoje tem profissionais capacitados em praticamente todas as áreas de um grande evento: buffet, decoração, doces, bolos, música, DJ, iluminação, fotografia, filmagem, maquiagem, cabelo, segurança, limpeza e produção.

O crescimento dos casamentos gerou mercado para muita gente. E criou oportunidades também para pequenos negócios, pousadas, restaurantes, motoristas, profissionais de beleza, músicos, artesãos e trabalhadores locais.

Há outro efeito. Famílias que vêm para casamentos em Alagoas muitas vezes se encantam com o destino, voltam em férias ou passam a investir aqui. Mamá contou que há casos de convidados que chegam para um evento e terminam comprando terrenos. É o turismo funcionando como vitrine econômica.


				Mamá Omena: a liderança de quem faz o evento acontecer
Edivaldo Junior entrevista Mamá Omena. Reprodução Youtube

A construção do sonho

Apesar dos números, a parte mais forte da conversa aparece quando Mamá fala do lado humano do trabalho. Ela diz que o cerimonialista precisa entender o que o cliente quer. E nem sempre o cliente sabe explicar.

Alguns noivos chegam com tudo definido. Outros chegam apenas com uma ideia, um sonho, uma referência vista em redes sociais ou uma vontade difusa. Cabe ao cerimonial transformar desejo em projeto, respeitando orçamento, perfil, família, tempo e realidade. “Evento é uma construção”, disse Mamá.

A construção passa por escolhas. O local, a decoração, a música, o buffet, a cerimônia, os detalhes, o ritmo da festa, a circulação dos convidados e até aquilo que não deve aparecer.

Mamá também lembrou que o casamento envolve emoções de famílias inteiras. Não é apenas a noiva e o noivo. Há pais, mães, irmãos, amigos, expectativas, ansiedades e, às vezes, conflitos. Por isso, ela brinca que se formou em Administração, mas aprendeu um pouco de psicologia.

Depois de 26 anos, ainda se emociona. Ela contou que o momento mais forte é ver o casamento pronto, depois de meses ou anos de preparação. Já se pegou chorando ao acompanhar a realização de um sonho que ajudou a construir.

Liderança sem palco

A trajetória de Mamá Omena revela um tipo de liderança que nem sempre recebe o devido reconhecimento: a liderança dos bastidores.Não é a liderança do discurso. É a liderança da entrega.

A de quem organiza, antecipa, articula, escuta, decide, corrige e faz acontecer. Seja numa solenidade do Tribunal de Justiça, numa ação de turismo, numa festa privada ou num casamento à beira-mar.

Mamá também divide hoje a empresa com a filha, Nina, e valoriza a equipe que a acompanha há muitos anos. Para ela, esse é um dos segredos da continuidade: trabalhar com gente que conhece o ritmo, entende o padrão e compartilha a responsabilidade.

No fim, a entrevista mostrou mais do que a história de uma cerimonialista. Mostrou uma parte da transformação de Alagoas.

O Estado que antes era lembrado quase só pelas praias passou a disputar também o mercado dos grandes eventos. E, nesse mercado, o detalhe virou negócio, a hospitalidade virou diferencial e o sonho virou produto turístico. Mamá Omena está nesse caminho há mais de duas décadas. Nos bastidores, mas no centro da história.