Mãe que perdeu filho para Serial Killer de Maceió encontra na confeitaria um novo sentido para a vida
Aline Carla Feitosa superou uma tragédia familiar e viralizou com bolos que carregam uma história de força e recomeço
Há histórias que viralizam pelo talento. Outras, pela capacidade de transformar a dor em esperança. A de Aline Carla Feitosa reúne as duas coisas. Confeiteira por paixão, ela viu a vida ser interrompida em 21 de junho de 2024, quando perdeu o filho Emerson, de 17 anos, assassinado por Albino, o serial killer que chocou Alagoas ao matar jovens no estado. O adolescente, segundo ela, foi morto ao tentar impedir o criminoso de atacar outra vítima.
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Nos meses seguintes, Aline precisou enfrentar um vazio para o qual, admite, ainda não encontrou respostas.
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"Até hoje eu pergunto a Deus por quê", diz. Três meses após a tragédia, porém, tomou uma decisão que mudaria seu destino: voltou a fazer bolos. Não apenas para vender, mas para encontrar uma razão para continuar vivendo.
A confeitaria, que havia começado em 2019 como um hobby para servir a eventos da igreja, deixou de ser apenas um passatempo. Tornou-se uma terapia. Também passou a ser a principal fonte de renda da família.


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"Quando me despedi do Emerson, prometi que nunca abandonaria os irmãos dele. Eu precisava continuar por eles", conta.
A cozinha passou a ocupar um espaço que antes era da dor. Aline montou seu pequeno ateliê dentro de casa, justamente onde funcionava a barbearia do filho. Hoje, o ambiente que antes guardava lembranças da profissão do adolescente abriga formas, massas, recheios e o movimento constante de clientes que chegam em busca de bolos, tortiletes, empadas e doces.
O incentivo para seguir também veio do próprio Emerson, ainda em vida. Segundo a mãe, ele acreditava mais no talento dela do que ela mesma. Escondia tortiletes na mochila para vender na escola, mesmo sabendo que não deveria comercializar alimentos no local. Depois voltava para casa com novos pedidos.
"Lindona, um dia a senhora ainda vai ser muito conhecida, porque tudo o que faz é gostoso", lembrava o filho.
A frase permaneceu viva na memória de Aline. E acabou se tornando realidade. Há poucas semanas, já de volta a Maceió após uma temporada fora do estado, ela publicou vídeos mostrando a produção dos bolos. O conteúdo chamou a atenção da influenciadora Raiane Berg, que compartilhou sua história nas redes sociais. Em pouco tempo, milhares de pessoas passaram a conhecer não apenas as receitas, mas também a mulher por trás delas.
As encomendas dispararam.
O bolo amanteigado recheado com leite Ninho e geleia caseira de morango tornou-se o carro-chefe da confeitaria. O doce, que pesa mais de quatro quilos e serve cerca de 15 fatias, virou o produto mais procurado pelos clientes. Mas, para Aline, o verdadeiro ingrediente que conquistou tanta gente não está na receita.
Ela diz que a dor nunca desapareceu. Apenas encontrou um novo lugar para existir.
"Eu não esqueço do meu filho. Nunca vou esquecer. Mas, quando estou fazendo um bolo, ocupando minha mente e vendo as pessoas felizes com o meu trabalho, encontro forças para continuar."
Hoje, cada encomenda representa mais do que uma venda. É a confirmação de uma promessa feita diante do caixão do filho: permanecer de pé pelos que ficaram.
Entre massas, recheios e coberturas, Aline reconstrói a própria história. E prova, todos os dias, que algumas receitas também são capazes de curar o coração.
