Governo anuncia R$ 1,3 bilhão para enfrentar possíveis efeitos do El Niño
Pacote inclui compra de milho e arroz, distribuição de cestas básicas, apoio a agricultores e ações de prevenção

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou um reforço orçamentário de R$ 1,33 bilhões para o enfrentamento aos possíveis impactos do El Niño no Brasil. O pacote inclui compra de milho e arroz, distribuição de cestas básicas, apoio a agricultores, ações de prevenção a incêndios e monitoramento do nível dos rios.
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O anúncio foi feito durante uma reunião ministerial no Palácio do Planalto nesta quarta-feira (29). Para além do investimento, o governo também criou uma sala de situação com 24 ministérios. Outras nove salas temáticas serão instaladas: incêndio, saúde, estiagem, prevenção e respostas a desastres, energia, combustível, agricultura, segurança alimentar e assistência social.
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Durante a reunião, Lula disse que o Brasil nunca esteve tão preparado para combater uma crise climática.
"Eu sinceramente não acredito que algum outro país tenha se manifestado com tanta preciosidade de preocupação para enfrentar o El Niño. Se ele vai acontecer de forma grave, nós estamos preparados. Se ele não acontecer, valeu a intenção de se preparar", afirmou o petista.


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Do total de R$ 1,335 bilhão, R$ 998 milhões serão destinados a medidas nas áreas de abastecimento de alimentos, segurança alimentar, saúde e monitoramento hidrológico. Os outros R$ 337 milhões correspondem ao crédito extraordinário aberto pela Medida Provisória para ações de fiscalização ambiental e de prevenção e combate a incêndios florestais.
Dos R$ 998 milhões, R$ 850 milhões serão destinados à aquisição de 180 mil toneladas de milho e 310 mil toneladas de arroz para composição de estoques públicos. Também estão previstos R$ 65 milhões para a aquisição e distribuição de 350 mil cestas de alimentos destinadas a povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, extrativistas, pescadores artesanais e agricultores familiares.
Outros R$ 13 milhões serão destinados ao PAA (Programa de Aquisição de Alimentos), com atendimento previsto a 21,6 mil agricultores da Região Norte. O planejamento prevê ainda R$ 45 milhões para os Centros de Informação em Saúde e Clima e para a Força Nacional do SUS (ForSUS), além de R$ 25 milhões para ações de monitoramento do nível dos rios.
Os R$ 337 milhões autorizados pela Medida Provisória serão destinados às ações de fiscalização ambiental e de prevenção e combate a incêndios florestais.
Segundo o governo federal, o El Niño pode impactar o Brasil com secas, atrasos das chuvas e chuvas acima da média.
Na região Norte, a maior preocupação é em relação ao acesso à água para consumo e produção, navegabilidade dos rios, incêndio, risco de isolamento de comunidades e desabastecimento. O período crítico vai de agosto a dezembro.
No Nordeste, a atenção se volta para os impactos em áreas agrícolas produtivas, com período crítico de setembro a dezembro. Já no Centro-Oeste o risco é de incêndios e impactos em áreas agrícolas produtivas de julho a outubro.
O Sudeste pode enfrentar incêndios e ondas de calor de setembro a dezembro. Já a região Sul deve encarar enchentes e deslizamentos de julho a dezembro.
El Niño
O El Niño é o aquecimento das águas do Oceano Pacífico acima da média dos últimos anos. Quando esse fenômeno ocorre, aumenta a probabilidade de ocorrência de certos eventos climáticos extremos, incluindo ondas de calor, inundações e secas, dependendo da localização.
Outros eventos marcados pelo El Niño:
- 1877 a 1879
Um El Niño de intensidade extrema causou uma seca devastadora no Nordeste. Estima-se que cerca de 500 mil pessoas, 5% da população brasileira na época do Império, morreram devido à sede e fome. A seca extrema gerou um dos primeiros grandes movimentos migratórios em direção ao Sudeste e à Amazônia.
- 1982 e 1983
Este evento foi um dos mais fortes do século XX e pegou os cientistas de surpresa, pois a tecnologia de monitoramento ainda era limitada. No Sul do Brasil as chuvas torrenciais causaram enchentes históricas. Na agricultura as perdas chegaram a 5 milhões de toneladas de grãos, nas lavouras do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. No Nordeste foi registrada a seca mais severa do século até então destruindo lavouras de subsistência e rebanhos inteiros.
- 1997 e 1998
Nesse biênio o El Ninõ foi tão intenso que chegou a afetar o PIB agropecuário brasileiro. Em Mato Grosso foram registradas temperaturas recordes para época, acima de 40°C, e umidade abaixo de 20%. Lavouras de milho, feijão e arroz foram dizimadas pela irregularidade climática e foi preciso recorrer aos estoques públicos para regular o mercado.
- 2023
A estiagem de 2023 marcou a história da Amazônia, com número grande de focos de queimadas que atingiram a maior floresta tropical do mundo. O nível do Rio Negro, em Manaus, chegou a 12,7 metros, o menor índice desde o início da série histórica em 1902, comprometendo a logística e solando comunidades inteiras. Embora o El Niño de 2023 tenha sido o mais intenso para a região Norte os eventos registrados em 2005 e em 2010 também causaram perdas e impactos como a mortandade de peixes nos rios amazônicos.
