
O CRB recebeu o Vila Nova, terceiro colocado da Série B, embalado pela vitória sobre o Ceará fora de casa. Fábio Matias repetiu a escalação utilizada no Presidente Vargas, mas mudou completamente o comportamento da equipe.
Em Fortaleza, o Galo precisou sobreviver a um longo período de pressão, proteger a própria área e escolher os momentos para atacar. No Rei Pelé, assumiu o protagonismo desde o primeiro minuto. Linha defensiva alta, pressão sobre o portador da bola e muita verticalidade para chegar rapidamente ao gol adversário.
O Vila Nova chegou a Maceió tentando interromper a sequência de resultados ruins como visitante. A estratégia de Guto Ferreira era pressionar a saída e empurrar o CRB para o próprio campo. Ao rolar a bola, aconteceu exatamente o contrário. Foi o time goiano que ficou encurralado.
As duas equipes utilizavam linhas altas e buscavam atacar as costas da primeira linha defensiva. A diferença estava na construção e na velocidade das ações. O CRB recuperava a bola e acelerava, sem transformar posse em apenas controle. A proposta era atacar rápido, surpreender a defesa adversária e potencializar Dadá Belmonte, Thiaguinho e Mikael, com Danielzinho atuando mais próximo do gol.
Pedro Castro era a base da construção, enquanto Crystopher aparecia como meia de chegada e ligação. Danielzinho se movimentava entre os setores e aproximava-se do trio ofensivo. O trio dominou o corredor central, principalmente diante da lentidão de Meritão e Marquinhos Gabriel.
Sem a bola, o CRB também apresentou um nível elevado de organização. Bressan comandava a subida da linha defensiva, mantendo o time compacto e deixando os atacantes do Vila Nova repetidamente em posição de impedimento. Vitor Caetano esteve atento para sair da área e atuar como cobertura, completando mais uma partida segura.
Pelo lado direito, Kevin fez um grande jogo. O lateral neutralizou Janderson, principal jogador de desequilíbrio do Vila Nova. O atacante teve pouco espaço para acelerar, partir para o confronto individual ou atacar em profundidade.
Helton Leite começou a trabalhar cedo. Dadá Belmonte e Pedro Castro ameaçaram em finalizações de fora da área, mas foi na bola parada que o CRB transformou o domínio em vantagem. Aos 12 minutos, Dadá cobrou escanteio pela esquerda e Bressan atacou a bola na segunda trave para abrir o placar.
O gol não reduziu a intensidade. O CRB continuou pressionando, recuperando a bola no campo adversário e acumulando oportunidades. Aos 17 minutos, Thiaguinho cobrou escanteio pela direita, Mikael antecipou-se no primeiro poste e cabeceou no alto para fazer 2 a 0. Foi o 14º gol do artilheiro da competição.
O placar poderia ter sido ainda mais amplo antes do intervalo. Em um contra-ataque de cinco jogadores contra apenas dois defensores, o CRB tinha todos os elementos para marcar o terceiro, mas Mikael finalizou para fora. Um desperdício enorme diante de uma situação tão favorável.
Guto Ferreira voltou para o segundo tempo com três alterações. Meritão, Formiga e Dodô deixaram a equipe para as entradas de Dudu, Higor e Everton Galdino. A tentativa era dar mais mobilidade ao Vila Nova, mas o panorama não mudou.
O CRB continuou encontrando espaços e teve chances de ampliar com Danielzinho e Mikael. Na reta final, diminuiu naturalmente a rotação, protegeu melhor os espaços e administrou a vantagem sem permitir uma reação consistente do adversário.
A terceira vitória consecutiva mostrou algo importante sobre o trabalho de Fábio Matias. O treinador não apenas manteve os mesmos jogadores. Ele apresentou uma equipe capaz de mudar o comportamento de acordo com o desafio.
Contra o Ceará, o CRB soube sofrer. Diante do Vila Nova, soube dominar. Pressionou com maturidade, construiu com coragem desde Vitor Caetano e atacou com velocidade até chegar ao gol adversário.