Depois dos 40, emagrecer ficou mais fácil. Permanecer saudável ficou mais difícil.
Novas medicações representam um dos maiores avanços no tratamento da obesidade e da resistência à insulina

Nos últimos anos, um assunto passou a fazer parte das rodas de conversa entre amigas, familiares e até colegas de trabalho: as canetas emagrecedoras. Mulheres que passaram anos tentando perder peso começaram a relatar resultados rápidos e animadores. A balança finalmente começou a descer.
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Mas, junto com essa nova realidade, surge uma pergunta que merece a nossa atenção: Será que emagrecer é suficiente para recuperar a saúde?
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As novas medicações representam um dos maiores avanços no tratamento da obesidade e da resistência à insulina. Quando bem indicadas e acompanhadas por profissionais capacitados, elas podem reduzir a gordura visceral, melhorar o controle da glicemia, diminuir a inflamação do organismo e reduzir o risco de doenças cardiovasculares.
São ferramentas valiosas, mas continuam sendo ferramentas.


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O verdadeiro tratamento começa quando a perda de peso precisa ser transformada em ganho de saúde.
Após os 40 anos, a mulher já enfrenta mudanças naturais do organismo. A queda gradual dos hormônios favorece a redução da massa muscular, diminui o metabolismo e aumenta a tendência ao acúmulo de gordura, principalmente na região abdominal. Quando uma perda de peso rápida acontece sem os cuidados necessários, parte desse peso pode ser composta por músculo.
E essa é uma das maiores preocupações.
A massa muscular não serve apenas para dar força ou melhorar a aparência. Ela protege os ossos, melhora o equilíbrio, reduz o risco de quedas, participa do controle da glicose, contribui para um metabolismo mais ativo e está diretamente relacionada à autonomia e à qualidade de vida durante o envelhecimento.
Em outras palavras: perder gordura faz bem. Perder músculo cobra um preço alto.
Outro ponto relevante é que as canetas reduzem significativamente o apetite. Isso ajuda no emagrecimento, mas também faz com que muitas pessoas consumas menos principalmente frutas, verduras e legumes. O resultado pode ser uma ingestão insuficiente de fibras, vitaminas e minerais importantes para o funcionamento do organismo.
Não é raro observarmos pacientes com deficiência de ferro, ácido fólico, vitamina B12, cálcio ou magnésio após meses de uma alimentação muito restrita. Em algumas mulheres, surgem sintomas como cansaço persistente, queda de cabelo, unhas frágeis, constipação intestinal, perda de força e dificuldade de recuperação após atividades físicas.
O intestino também merece atenção. Com menor consumo de fibras e líquidos, alterações na microbiota intestinal tornam-se mais frequentes, favorecendo prisão de ventre, distensão abdominal e desconfortos que muitas mulheres atribuem apenas ao envelhecimento.
Por isso, quem utiliza essas medicações precisa olhar além da balança.
O acompanhamento nutricional passa a ter um papel fundamental para garantir uma ingestão adequada de proteínas, orientar escolhas alimentares de alta qualidade, identificar e corrigir possíveis deficiências nutricionais.
Da mesma forma, a prática regular de exercícios físicos, especialmente o treinamento de força, deixa de ser apenas uma estratégia para emagrecer e passa a ser uma das principais formas de preservar massa muscular, proteger os ossos e manter a independência funcional ao longo dos anos.
As canetas emagrecedoras mudaram a forma como tratamos a obesidade. Isso é um fato. Porém, elas não substituem uma alimentação equilibrada, um estilo de vida ativo, noites bem dormidas e acompanhamento profissional.
Depois dos 40, emagrecer realmente ficou mais fácil para muitas mulheres. O grande desafio agora é garantir que cada quilo perdido represente mais saúde, mais disposição e mais qualidade de vida — e não apenas um número menor na balança.
Porque, no fim das contas, o objetivo nunca foi apenas emagrecer. O objetivo sempre foi envelhecer com força, autonomia e saúde.
Luciana Leme
Nutricionista – CRN3: 29.513
Nutricionista com atuação em saúde da mulher, emagrecimento e mudanças hormonais femininas, atendendo mulheres que buscam recuperar energia, qualidade de vida e equilíbrio metabólico).
@lemelunutri – instagram
@lucianalemenutri – Youtube
(11) 97247-2729
*Os artigos assinados são de responsabilidade dos seus autores, não representando, necessariamente, a opinião da Organização Arnon de Mello.
