
A disputa pelo Senado em Alagoas na eleição de 2026 caminha para ser uma das mais imprevisíveis dos últimos tempos. A pergunta é simples, mas a resposta não é tão óbvia: com quantos votos serão eleitos os dois senadores por Alagoas?
Em eleição para governador, presidente ou prefeito, cada eleitor dá um voto. Para o Senado, quando há duas vagas em disputa, o eleitor pode votar em até dois nomes. Isso muda completamente a conta.
O total de votos válidos para senador deve ser bem maior que o total de votos válidos para governador. Mas não necessariamente será o dobro. Parte dos eleitores vota em apenas um candidato. Outra parte anula, vota em branco ou simplesmente não usa o segundo voto de forma efetiva.
Em 2018, quando Alagoas também elegeu dois senadores, o Estado teve 2.602.484 votos válidos para o Senado. Rodrigo Cunha foi eleito em primeiro lugar, com 895.738 votos, ou 34,42% dos votos válidos. Renan Calheiros ficou com a segunda vaga, com 621.562 votos, ou 23,88%.
Ou seja: a segunda cadeira foi conquistada com pouco menos de 24% dos votos válidos para o Senado.
Esse resultado ajuda a entender 2026. Se a votação válida para o Senado ficar perto de 2,6 milhões de votos, como em 2018, um candidato com algo em torno de 600 mil a 700 mil votos estará muito forte na disputa por uma das duas vagas.
Em tese, quem chega perto de 25% dos votos válidos para o Senado entra numa zona de alta competitividade. Pode estar eleito, dependendo da distribuição dos demais votos.
E é aí que a disputa fica interessante. Hoje, as pesquisas mostram Renan Calheiros, Alfredo Gaspar, Arthur Lira e Davi Davino Filho como os principais nomes da corrida. Em alguns levantamentos, Alfredo e Renan aparecem na frente. Em outros, Arthur surge embolado no primeiro pelotão. Davi aparece abaixo dos três em algumas pesquisas, mas ainda com potencial de crescimento.
Doutor Wanderley e Eudócia Caldas aparecem em outra faixa, mais próxima dos dois dígitos, mas também podem influenciar a distribuição dos votos, especialmente se houver palanques fortes e voto cruzado.
Vamos relembrar:
Eleição de 2018 para o Senado em Alagoas:
Rodrigo Cunha: 895.738 votos — 34,42%;
Renan Calheiros: 621.562 votos — 23,88%;
Maurício Quintella: 494.027 votos — 18,98%;
Benedito de Lira: 364.316 votos — 14%;
votos válidos para senador: 2.602.484.
Eleitorado de Alagoas em 2026:
2.441.794 eleitores aptos.
Os números mostram que a disputa por duas vagas ao Senado não se resolve apenas pelo primeiro lugar. O mais importante é saber quem consegue ficar dentro da faixa competitiva para a segunda cadeira.
Em 2018, Renan Calheiros foi reeleito com 621 mil votos. Maurício Quintella ficou fora, mesmo com 494 mil. A diferença entre a segunda vaga e o terceiro lugar foi de 127 mil votos. Em uma eleição estadual, essa diferença não é inalcançável.
Em 2026, a disputa parece mais fragmentada. Não há, até agora, um nome isolado com o mesmo tipo de arrancada que Rodrigo Cunha teve em 2018. Pelo contrário: os levantamentos mostram vários candidatos tentando ocupar o primeiro pelotão.
Renan Calheiros tem recall, estrutura e pode ser beneficiado se Renan Filho chegar forte na disputa pelo governo.
Alfredo Gaspar aparece competitivo em diferentes pesquisas e tenta se consolidar como nome mais forte da oposição ao Senado.
Arthur Lira tem peso político, base municipal e estrutura nacional, mas precisa transformar isso em intenção de voto mais ampla.
Davi Davino Filho tem recall eleitoral e pode tentar repetir movimentos de crescimento em campanha, mas aparece oscilando entre os levantamentos.
Nesse quadro, cada ponto percentual importa. Se a referência for algo próximo de 2,6 milhões de votos válidos para o Senado, cada ponto percentual representa cerca de 26 mil votos. Cinco pontos significam algo em torno de 130 mil votos — praticamente a diferença que separou Renan Calheiros de Maurício Quintella em 2018. É por isso que a disputa ainda está aberta.
O efeito Rodrigo Cunha
A eleição de 2018 deixou uma lição. Rodrigo Cunha começou a disputa longe de ser tratado como competitivo, muito menos como favorito absoluto e terminou como o senador mais votado de Alagoas.
Ele ocupou um espaço político vago naquele momento: eleitorado urbano, desejo de renovação, desgaste de lideranças tradicionais e uma campanha que cresceu na reta final.
A pergunta para 2026 é se alguém conseguirá repetir esse movimento. Pode haver um novo “efeito Rodrigo Cunha”? Pode. Mas não há como saber, neste momento, quem teria mais condições de produzir essa arrancada.
A partir de agora, o jogo entra em outra fase. As convenções vão definir chapas. Os palanques vão ficar mais claros. O eleitor vai começar a entender quem está com quem. E, numa eleição de duas vagas, isso pode ser decisivo.
Por enquanto, a única conclusão é que a disputa pelo Senado em Alagoas está embolada. E, se 2018 serve de referência, quem chegar passar da casa dos 600 mil votos briga por uma vaga.
Abaixo disso, ainda pode disputar. Acima, pode preparar o terno da posse.