Uso limitado da contabilidade ainda impede decisões estratégicas nas empresas
Especialistas do setor avaliam que esse modelo reduz o potencial de uma das principais fontes de dados disponíveis para a gestão empresarial

Em boa parta das empresas brasileiras, a contabilidade ainda é utilizada de forma restrita, concentrada no cumprimento de obrigações fiscais, emissão de guias de tributos e organização documental. Especialistas do setor avaliam que esse modelo reduz o potencial de uma das principais fontes de dados disponíveis para a gestão empresarial.
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Embora tradicionalmente associada à área burocrática, a contabilidade reúne informações relevantes sobre faturamento, custos, margens de lucro, endividamento, fluxo de caixa e desempenho operacional. Quando esses dados deixam de ser analisados de forma estratégica, empresários perdem instrumentos importantes para tomada de decisão e planejamento de crescimento.
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A avaliação é de Welynadia Rodrigues, CEO da Aster Consultoria, que defende uma mudança de cultura nas organizações.
“A contabilidade não pode ser vista apenas como obrigação legal. Ela é uma ferramenta de inteligência empresarial. Dentro dos relatórios contábeis estão respostas importantes sobre rentabilidade, eficiência, riscos e oportunidades de expansão”, afirma.


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Segundo a especialista, muitas empresas enfrentam dificuldades não por falta de mercado, mas por ausência de leitura adequada dos próprios números. Entre os impactos mais comuns estão decisões tomadas sem base técnica, desperdício de recursos e demora na identificação de problemas financeiros.
“Quando o empresário utiliza a contabilidade apenas para pagar impostos, ele acessa só uma pequena parte do valor que ela pode entregar. A informação contábil bem interpretada permite corrigir rotas, planejar investimentos e crescer com mais segurança”, destaca Welynadia.
Em um ambiente econômico marcado por competitividade crescente e margens mais apertadas, o uso de indicadores confiáveis tem sido apontado como diferencial para empresas de todos os portes. A integração entre gestão e contabilidade tende a ampliar previsibilidade e eficiência operacional.
Para Welynadia, o papel do contador também vem passando por transformação. “O mercado exige cada vez menos um profissional focado apenas em processos burocráticos e cada vez mais um parceiro estratégico, capaz de traduzir números em caminhos para o futuro da empresa”, conclui.
Welynadia Rodrigues
Contadora
Mestre e Doutoranda em Administração de Empresas
CEO da Aster Consultoria
Conselheira no Conselho Federal de Contabilidade
*Os artigos assinados são de responsabilidade dos seus autores, não representando, necessariamente, a opinião da Organização Arnon de Mello.
