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Pastores usavam 'regra de expulsão' para silenciar vítimas de estupro

Casal usava a igreja e a religião para abusar de adolescentes, segundo a polícia


				Pastores usavam 'regra de expulsão' para silenciar vítimas de estupro
Pastores mantinham uma igreja em Boa Vista e utilizavam da religião para praticar os abusos. Reprodução/Redes Sociais

O casal de pastores indiciado pela Polícia Civil de Roraima, nesta quarta-feira (15), pelos crimes de estupro de vulnerável, importunação sexual e fraude processual, usava a regra de expulsão da igreja por "rebeldia" para evitar denúncias. Entre as vítimas estão seis adolescentes, com idades entre 12 e 17 anos.

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Wenderson Lima de Souza, de 32 anos, e Arielly Kamila Moraes de Souza, de 24 anos, mantinham uma igreja em Boa Vista e utilizavam da religião para praticar abusos contra adolescentes.

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Segundo a polícia, durante a investigação ficou claro que os líderes da igreja se blindavam de denúncias usando a fé das vítimas como forma de chantagem, que temiam a expulsão da igreja sob a alegação de serem "rebeldes e causadores de divisão".

A regra de expulsão está prevista na Ata de Fundação da igreja, afirmando que aquele que "promover dissidência ou se rebelar contra a autoridade da Igreja, Ministério e Assembleias" será desligado e perderá sua condição de membro.

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Além dos argumentos religiosos para manter as vítimas sob influência, o casal oferecia dinheiro em espécie, transferências via PIX e outras vantagens para tentar garantir o silêncio das adolescentes.

A polícia aponta que houveram tentativas de ocultação de provas e que os pastores se sentiam confortáveis, já que, como líderes religiosos, não geravam desconfiança nos fiéis da igreja e nos familiares das vítimas.

As investigações

De acordo com a Polícia Civil, o representante de uma vítima, de 14 anos, registrou um boletim de ocorrência contra o casal em abril deste ano, dando início as investigações.

Após a primeira denúncia, outras cinco vítimas, com idades entre 12 e 17 anos, procuraram a Polícia Civil e relataram situações semelhantes. Com as provas e oitivas, a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente idnetificou seis vítimas.

Ao todo, 11 vítimas foram identificadas durante a investigação. No entanto, outras cinco pessoas que apresentaram indícios de terem sido vítimas, optaram por não prestar declarações.

"Estamos diante de um caso desafiador, especialmente pelo ambiente em que os crimes teriam sido praticados, valendo-se da fé e da vulnerabilidade espiritual das vítimas. O que tornou a investigação particularmente complexa foi o elevado grau de dissimulação dos investigados, que utilizavam justamente a confiança das vítimas como instrumento de dominação e silenciamento", afirmou a delegada Kamilla Basto, responsável pelo caso.

Além dos crimes atribuídos ao casal, a investigação apontou a participação de uma jovem de 20 anos que teria destruído provas contidas no telefone de Wenderson. Ela foi indiciada por fraude processual e corrupção de menores.

Wenderson foi indiciado pelos crimes de estupro de vulnerável, importunação sexual, favorecimento da prostituição ou de outra forma de exploração sexual de criança, adolescente ou pessoa vulnerável, registro não autorizado de intimidade sexual, fraude processual e falsidade ideológica.

Já Arielly foi indiciada pelos crimes de estupro de vulnerável, importunação sexual e fraude processual. A CNN Brasil tenta contato com a defesa do casal. O espaço segue aberto.

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