
Um pouco de destino, sorte ou acaso. Seja lá o que for, Davi Davino Filho conseguiu. Será candidato ao Senado do jeito que sempre quis: independente.
Depois de passar pelo maior perrengue para garantir a legenda do Republicanos, ele se viu envolvido em outro impasse: a possibilidade de uma aliança de seu partido com o MDB do senador Renan Calheiros, considerado um de seus principais adversários.
O entendimento político foi mantido. A coligação, não. O Republicanos deverá lançar Davi ao Senado sem formalizar apoio a nenhum candidato ao governo.
“Era tudo que eu queria”, afirmou Davi.
Na prática, o pré-candidato conseguiu o que buscava desde o início das articulações para a eleição deste ano: a garantia de que será candidato e terá liberdade para conduzir sua campanha sem compromisso formal com nenhuma chapa ao governo.
“É tudo o que eu sempre quis: ter independência para ser candidato. Eu vou até o fim, não desisto”, afirmou Davi ao Blog do Edivaldo Junior nesta quinta-feira (16/07).
A definição ocorreu depois de conversas entre as direções do MDB e do Republicanos. Os dois partidos chegaram a discutir uma coligação para a eleição majoritária, mas a composição não será formalizada.
O MDB já tem dois candidatos ao Senado: Renan Calheiros e José Wanderley. A entrada do Republicanos na coligação poderia criar dificuldades, especialmente na divisão do tempo da propaganda eleitoral entre os concorrentes. Com mais de uma candidatura ao Senado dentro da mesma composição, o tempo disponível poderia ser repartido.
A solução foi manter o entendimento político sem reunir os partidos na mesma coligação. Com isso, Davi terá legenda para disputar o Senado de forma independente.
“Eu quero ser senador e vou disputar essa campanha olhando no olho das pessoas, ouvindo as pessoas e levando uma proposta de renovação, de mudança”, disse.
A candidatura ao Senado é o projeto mantido por Davi desde que deixou o PP e se filiou ao Republicanos. Mesmo procurado para outras composições, inclusive como possível candidato a vice, ele insistiu na disputa por uma das duas vagas.
Sem amarras
A inexistência de uma coligação dá a Davi a condição de circular entre diferentes grupos e buscar votos sem precisar defender um candidato ao governo.
“Para mim é muito bom ter essa condição, essa liberdade de ser candidato independente, sem amarras com ninguém”, afirmou.
Renan Calheiros confirmou que o MDB não participará de articulações para impedir a candidatura de Davi. Segundo ele, quanto maior o número de concorrentes, mais representativa será a eleição.
A decisão atende aos dois lados.
O MDB preserva sua chapa ao Senado e mantém o apoio de dirigentes do Republicanos a Renan Filho. Davi, por sua vez, garante o direito de disputar sem se subordinar à candidatura de Renan Filho, de JHC ou de qualquer outro candidato ao governo.
“É o que eu preciso: conversar diretamente com o povo, ouvir as pessoas, para que elas também possam me ouvir, sem nenhum problema”, completou.
Davi ainda terá de enfrentar uma disputa pulverizada, com vários candidatos competitivos buscando as duas vagas ao Senado. Mas resolveu a questão que mais o preocupava.
Tem partido, tem candidatura e tem liberdade para seguir até o fim.