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Casal de pastores indiciado por estuprar adolescente usava religião para manipular e chantagear vítimas

Polícia aponta que eles teriam estuprado seis adolescentes, entre 12 e 17 anos, em Boa Vista (RR)


				Casal de pastores indiciado por estuprar adolescente usava religião para manipular e chantagear vítimas
Wenderson Lima de Souza e Arielly Kamila Moraes de Souza são pastores são suspeito de estuprar adolescentes.

A Polícia Civil de Roraima indiciou, nesta quarta-feira, 15, um casal de pastores pelo estupro de ao menos seis adolescentes, em Boa Vista. A investigação apontou que e Wenderson Lima de Souza, de 32 anos, e Arielly Kamila Moraes de Souza, de 24 anos, utilizavam da religião para manipular e chantagear as vítimas.

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Ao Terra, as autoridades esclareceram que tiveram conhecimento do caso em 23 de abril, quando os pais de uma jovem de 14 anos registrou um boletim de ocorrência de estupro na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA). O inquérito foi instaurado pela delegada Kamilla Basto,

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Após a primeira denúncia, outras cinco adolescentes, com idades entre 12 e 17 anos, procuraram a polícia para relatar situações semelhantes. Ao todo, 11 vítimas foram identificadas durante a investigação, mas somente seis delas quiseram prestar declarações, o que permitiu a polícia a seguir com as investigações desses casos.

Ao longo do inquérito, foram reunidas provas técnicas, depoimentos e documentos, que levaram a constatação da investigação de em nenhum momento houve consentimento livre e esclarecido por parte das vítimas em praticar atos sexuais.

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“As práticas sexuais eram fruto de uma cadeia sistemática de manipulação, abuso de autoridade religiosa, chantagem e coerção psicológica, o que afasta qualquer alegação de voluntariedade e reforça a gravidade dos crimes praticados, em razão do temor reverencial, conforme já decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ)”, diz a polícia.

A reportagem não localizou a defesa do casal até o momento.

Ofereciam Pix para vítimas ficarem em silêncio

A Polícia Civil afirma que Wenderson e Arielly se sentiam “confortáveis” em cometer os crimes por se apresentarem como líderes religiosos e não geravam desconfiança nos fiéis da igreja e nos familiares das vítimas.

A investigação aponta que o casal utilizava argumentos de natureza religiosa para manter as adolescentes sob influência e, em alguns casos, até ofereciam dinheiro em espécie, transferências via Pix e outras vantagens para comprar o silêncio delas.

À Wenderson foi atribuído o uso de sua posição de liderança religiosa para conquistar a confiança das vítimas e facilitar a prática dos crimes. Já Arielly teria participado da aproximação com as vítimas e colaborado para a execução dos estupros.

Ele foi indiciado pelos crimes de estupro de vulnerável, importunação sexual, favorecimento da prostituição ou de outra forma de exploração sexual de criança, adolescente ou pessoa vulnerável, registro não autorizado de intimidade sexual, fraude processual e falsidade ideológica.

Já a esposa do suspeito foi indiciada pelos crimes de estupro de vulnerável, importunação sexual e fraude processual.

Tentou destruir provas

Ao longo da investigação, a polícia também identificou a participação de uma jovem, de 20 anos, relacionados à tentativa de destruição de provas contidas em um telefone celular Wenderson.

Ela teria agido com a agido com ajuda de uma adolescente e de uma vítima, à pedido do pastor. Ele teria determinado que elas registrassem um boletim de ocorrência informando falsamente o desaparecimento do aparelho. A jovem foi indiciada por fraude processual e corrupção de menores.

"Estamos diante de um caso desafiador, especialmente pelo ambiente em que os crimes teriam sido praticados, valendo-se da fé e da vulnerabilidade espiritual das vítimas. O que tornou a investigação particularmente complexa foi o elevado grau de dissimulação dos investigados, que utilizavam justamente a confiança das vítimas como instrumento de dominação e silenciamento", afirmou a delegada em seu relatório.

A autoridade também aponta que ficou evidenciado que, por serem os líderes da igreja, o casal se blindava e evitava que os fiéis e vítimas os denunciassem por medo de serem acusados de rebeldia e causadores de divisão, “situações que poderiam ensejar expulsão daquela comunidade”, conforme previsto na ata da fundação.

Segundo a polícia, o artigo 11 da ata mencionada diz que: "Será desligado do rol de membros, perdendo sua condição de membro, inclusive seu cargo ou função, se pertencente à Diretoria ou ao Ministério, aquele que: […] Promover dissidência ou se rebelar contra a autoridade da Igreja, Ministério e Assembleias”.

O inquérito policial foi encaminhado ao Poder Judiciário e ao Ministério Público para as providências cabíveis. Também foi pedida a prisão dos pastores, mas a solicitação segue em apuração.

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