Entenda por que a Arquidiocese orienta fiéis a evitarem Missa Tridentina sem autorização
Comunicado cita excomunhões anunciadas pelo Vaticano e reforça que o rito tradicional só está autorizado em um local da capital

15/07/2026 às 6:23 • Atualizada em 15/07/2026 às 6:35 - há XX semanas
Siga a GazetaWeb no Google

A discussão em torno da Missa Tridentina voltou à tona nesta semana no mundo católico após o Vaticano excomungar, no início de julho, dois bispos da Fraternidade Sacerdotal São Pio X por terem consagrado quatro presbíteros sem autorização da Santa Sé. Os quatro sacerdotes também foram excomungados.
Tudo em um só lugar.
Receba notícias da GazetaWeb no seu WhatsApp e fique por dentro de tudo!

Esse é o mesmo grupo que tem realizado a chamada Missa Tradicional sem a autorização das dioceses e arquidioceses. Por esse motivo, a Arquidiocese de Maceió publicou, nessa terça-feira (14), um comunicado orientando os fiéis da Igreja Particular de Maceió a não participarem da celebração, também conhecida como Rito Romano Tradicional, em locais que não estejam expressamente autorizados pelo arcebispo Dom Beto Breis.
Leia também
O que é a Missa Tridentina

A Missa Tridentina tem se tornado o centro de um debate dentro da Igreja Católica. O rito foi promulgado em 1570 pelo Papa São Pio V e revisado pelo Papa João XXIII. A celebração é realizada predominantemente em latim, com o sacerdote voltado para o altar e de costas para os fiéis, sendo, em grande parte, silenciosa e contemplativa. A Eucaristia é distribuída aos fiéis de joelhos e diretamente na boca.


JHC volta a Arapiraca nesta segunda para agenda de pré-campanha

Quais partidos estão com Renan Filho e com JHC nesta pré-campanha

Paulão agradece apoio e promete lutar para reverter decisão sobre mandato do TSE

Cidade de Junqueiro inaugurou academia de letras, ciências e artes
Foi após o Concílio Vaticano II que, sob o papado de Paulo VI, em 1969, foi promulgada uma nova forma de celebrar a Eucaristia: a missa no rito ordinário, que modificou a forma como a liturgia era apresentada aos fiéis.
Com isso, a Santa Missa passou a ser celebrada no idioma local, com o sacerdote voltado para a assembleia, contando com respostas e cantos dos fiéis e seguindo o calendário litúrgico reformado pelo Concílio Vaticano II. A comunhão também passou a poder ser recebida tanto de joelhos quanto de pé, diretamente na boca ou nas mãos.
A nova forma de celebração se difundiu pelo mundo e tornou-se o rito ordinário da Igreja Católica, por possibilitar maior compreensão e participação dos fiéis nas celebrações.
Durante o pontificado de Bento XVI, foi publicado, em 2007, o motu proprio Summorum Pontificum, que liberou a celebração da Missa Tridentina sem a necessidade de autorização prévia da autoridade eclesiástica. Já no pontificado de Francisco, após consulta aos bispos de todo o mundo, a celebração voltou a ser restringida. O papa entendeu que o uso da Missa Tradicional estava provocando divisões na Igreja e sendo utilizado para fins ideológicos.
Essa forma mais antiga de celebrar a Eucaristia tem sido defendida por grupos considerados tradicionalistas, como a Fraternidade Sacerdotal São Pio X. Mesmo diante das restrições impostas pela Santa Sé, integrantes desses grupos têm realizado celebrações em locais não autorizados pelas dioceses e praticado atos considerados de natureza cismática pelo Vaticano.
Atualmente, a Santa Sé entende que a Missa Tridentina pode ser celebrada e frequentada pelos fiéis, desde que ocorra em locais autorizados pelos bispos ou arcebispos e em plena comunhão com o papa e a Igreja Católica.
Arquidiocese de Maceió

No episcopado de Dom Antônio Muniz, a Missa Tridentina já havia sido restringida na Arquidiocese de Maceió. Durante uma celebração de Pentecostes, o então arcebispo orientou os fiéis a evitarem participar do rito quando realizado sem autorização da Arquidiocese.
Em 2025, a Missa Tridentina voltou ao centro das discussões em Maceió. Diante desse cenário, o arcebispo Dom Beto Breis anunciou, em fevereiro deste ano, que o Rito Romano Tradicional estava autorizado na capital em apenas um local: a Capela de São Vicente de Paulo, localizada na Santa Casa de Misericórdia, no Centro de Maceió. A liturgia é celebrada aos domingos e nas solenidades, sempre às 10h, pelo padre Cícero Lenisvaldo, integrante do clero arquidiocesano.

Após a repercussão das excomunhões impostas pelo Vaticano aos bispos e aos presbíteros consagrados sem autorização pela Fraternidade Sacerdotal São Pio X, a Arquidiocese de Maceió reforçou o comunicado, seguindo a mesma orientação adotada por outras dioceses brasileiras, como a Arquidiocese do Rio de Janeiro.
Em publicação divulgada nessa terça-feira (14), a Arquidiocese de Maceió informou aos fiéis que, com exceção da Capela de São Vicente de Paulo, nenhum sacerdote, por iniciativa própria, vinculado a algum grupo da arquidiocese ou visitante, pode presidir a Eucaristia segundo o Rito Romano Tradicional no território arquidiocesano de Maceió.
Ao justificar a restrição, a Arquidiocese afirmou que a Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) praticou um ato de desobediência ao Papa Leão XIV ao consagrar quatro presbíteros sem mandato apostólico, encontrando-se em situação "irregular perante a Igreja de Cristo".
"Seus clérigos, persistindo ligados à entidade, se encontram fora da comunhão visível com a Igreja, cometendo o delito de cisma e, por isso mesmo, excomungados", afirmou a Arquidiocese de Maceió, que acrescentou: "Assim sendo, exortamos os fiéis a se absterem de participar de eventuais atos litúrgicos promovidos por quem está fora da comunhão visível da Igreja ou ligado a grupos que atuam à margem da Igreja Arquidiocesana."