No comentário de hoje, trato do HGE no olho do furacão da política em Alagoas. O Hospital Geral do Estado voltou ao centro do debate político. Não é a primeira vez. E, pelo visto, não será a última.
Toda eleição, o HGE entra na campanha. Às vezes pelos seus problemas. Às vezes pelos seus avanços. Quase sempre pelos dois motivos ao mesmo tempo.
Desta vez, o motivo foi a falta de energia registrada na unidade, em Maceió. O episódio gerou críticas, cobranças e entrou rapidamente no ambiente da disputa política. O ex-prefeito JHC, pré-candidato ao Governo de Alagoas, usou o caso para criticar a gestão estadual.
Faz parte do jogo.
Um hospital público, ainda mais do porte do HGE, precisa ser cobrado. Falta de energia em unidade de urgência e emergência é episódio grave, que exige explicação, apuração e providências para que não se repita.
Mas a discussão não pode parar no vídeo de rede social. O HGE carrega uma história complexa. Durante muitos anos, foi símbolo de superlotação, corredores ocupados por pacientes, macas improvisadas e gente sendo atendida em condições muito precárias.
Esse cenário mudou.
Ainda há problemas. Ainda há filas, pressão sobre equipes, demandas crescentes e desafios de manutenção. Mas o HGE de hoje não é o mesmo de anos atrás. A unidade passou por reorganização, funciona com entrada regulada e já não vive a imagem permanente de corredores tomados por pacientes.
Isso precisa ser reconhecido.
O hospital segue como principal referência em urgência e emergência do Estado. No primeiro semestre de 2026, o HGE realizou 17.242 atendimentos, alta de 4,4% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram registrados 16.522 atendimentos.
Em 2025, a unidade contabilizou 34.123 atendimentos ao longo do ano. Também realizou 919.685 procedimentos, incluindo exames laboratoriais e outros serviços de apoio à assistência.
São números impressionantes. Mas, por trás deles, há pessoas. Há pacientes que chegam em situação grave. Há famílias esperando notícia. Há médicos, enfermeiros, técnicos e servidores trabalhando sob pressão. Há vidas sendo atendidas todos os dias.
Por isso, o debate sobre o HGE precisa de equilíbrio. A crítica é necessária. A cobrança é legítima. O apagão precisa ser esclarecido. Mas transformar cada falha em peça de campanha, sem reconhecer o tamanho da rede e a complexidade do atendimento, empobrece a discussão.
O HGE não é apenas cenário de disputa eleitoral. É um equipamento público essencial para Alagoas.
E saúde pública, quando vira apenas munição política, perde o principal: o compromisso com quem mais precisa dela.
