Os filhos de Jair Karamazov ainda não desistiram de trancafiar o pai
Flávio é advogado e sabia muito bem que restava levando o pai a desrespeitar decisão judicial.

Alexandre de Moraes proibiu o pré-candidato do PL, Flávio Bolsonaro, de visitar o pai nos próximos 90 dias. E, sim, existe o risco de o ex-presidente voltar para a cadeia. Resta evidente que na “Versão Vivendas da Barra” de “Os Irmãos Karamazov”, os manos querem Jair na prisão para que possam esquentar a campanha.
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Michelle e aqueles que lhe são mais próximos já perceberam o movimento. Ainda que Flávio tenha se tornado notável por ser o Willy Wonka do comércio de chocolates — a franquia mais bem-sucedida da Terra rendeu uma mansão espetacular —, convém lembrar que ele é advogado. Visita o genitor, diga-se, a qualquer hora, nessa condição e conhece as condicionantes para a prisão domiciliar. Ele as desrespeitou de maneira clara, consciente e determinada ao usar em vídeo a carta em que Bolsonaro reafirma a sua candidatura. E, como se verá, cometeu crime eleitoral também.
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Michelle e aqueles que lhe são mais próximos já perceberam o movimento. Ainda que Flávio tenha se tornado notável por ser o Willy Wonka do comércio de chocolates — a franquia mais bem-sucedida da Terra rendeu uma mansão espetacular —, convém lembrar que ele é advogado. Visita o genitor, diga-se, a qualquer hora, nessa condição e conhece as condicionantes para a prisão domiciliar. Ele as desrespeitou de maneira clara, consciente e determinada ao usar em vídeo a carta em que Bolsonaro reafirma a sua candidatura. E, como se verá, cometeu crime eleitoral também.
Preliminarmente, não restava a Moraes outro caminho que não as duas decisões tomadas a respeito:


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– A suspensão das visitas;
– concessão de 48 horas para que a defesa apresente explicações.
O ministro indaga se o “custodiado” sabia que a carta seria amplamente divulgada nas redes sociais. Pois é… Quando atentamos para seu conteúdo, parece que sim. Logo na primeira linha, escreve o presidiário domiciliar: “Saudoso do contato com o povo, ao qual devo lealdade, escrevo num momento de decisão para o futuro de todos nós.” Não parece haver dúvidas sobre a que receptor se dirigia o emissor, não é mesmo?
Lembra o ministro:
“O desrespeito de FLÁVIO NANTES BOLSONARO à medida cautelar imposta a JAIR MESSIAS BOLSONARO de ‘proibição de utilização de redes sociais, diretamente ou por intermédio de terceiro’ está totalmente configurado por suas próprias afirmações: ‘ele [Bolsonaro] escreveu uma carta aos brasileiros que eu vou fazer a leitura dela hoje, nesse sábado, às 12h30, no meu canal do Youtube, @flaviobolsonaro. É imperdível, um recado muito importante que ele quer dar a toda a nossa nação’”.
Moraes destaca ser um comportamento reincidente:
“Observo, ainda, que FLÁVIO NANTES BOLSONARO é reincidente em sua conduta desrespeitosa as decisões judiciais, pois em 3/8/2025, juntamente com seu pai JAIR MESSIAS BOLSONARO, desrespeitaram a mesma medida cautelar de ‘proibição de utilização de redes sociais, diretamente ou por intermédio de terceiros’, produzindo dolosa e conscientemente material pré-fabricado para seus partidários políticos.”
Como discordar? No dia 3 deste mês, escrevi nesta coluna o artigo intitulado “Proteja-se dos que juram amá-lo, Bolsonaro! E a domiciliar sem arsenal”. Observei então, defendendo a decisão do ministro, que manteve a domiciliar:
“Moraes, assim, com a concordância da PGR, frustra os extremistas. Num momento em que Flávio vive uma sinuca de bico, estavam ávidos por uma causa que pudesse reunir a tropa, inclusive dando um motivo para um alinhamento retórico ao menos entre Michelle e Flávio. Não será com a revogação da domiciliar que se vai conseguir isso.”
O estranhíssimo episódio da arma, no qual ainda sinto o cheirinho da armação, não foi suficiente para levar Bolsonaro de volta à prisão. Mas, tudo indica, esses filhos amorosos ainda não desistiram do esforço de trancafiar o pai.
LEMBRANÇA AO TSE
Moraes também decidiu refrescar a memória do TSE, presidido por Nunes Marques, que demonstrou incrível rapidez em censurar uma pesquisa:
“Ressalto, ainda, que a conduta de FLÁVIO BOLSONARO, como instrumento de promoção política de sua pré-candidatura a Presidente da República, com a divulgação de vídeo em rede social e utilização de expressões com carga semântica equivalente a pedido explícito de voto pode configurar propaganda eleitoral antecipada em período vedado pela legislação, devendo ser apurada pelo Ministério Público eleitoral”.
Com a palavra, o Ministério Público Eleitoral.
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