Comportamento gay entre besouros machos aumenta com o calor, diz pesquisa
Pesquisa sugere que altas temperaturas afetam comunicação química dos insetos, levando a erros na identificação do sexo.

Um experimento realizado com besouros da espécie Nicrophorus vespilloides identificou que a exposição a temperaturas mais altas pode aumentar a frequência de interações sexuais entre machos. Segundo os pesquisadores, o comportamento não indica uma mudança de preferência sexual, mas pode ser consequência de alterações na comunicação química dos insetos provocadas pelo calor.
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No estudo, os besouros foram submetidos durante três dias a uma onda de calor simulada em laboratório. A temperatura do ambiente foi elevada de 20°C para 26°C e, ao fim do experimento, os cientistas observaram que as interações sexuais entre machos praticamente dobraram.
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Em condições normais, a média era de pouco mais de um episódio por dupla. Sob a temperatura mais elevada, esse número passou para cerca de dois episódios por dupla.
Segundo a pesquisa, a principal hipótese é que o calor altere os sinais químicos presentes na superfície do corpo dos besouros, responsáveis por permitir o reconhecimento do sexo de outros indivíduos. Com esses sinais comprometidos, os machos podem acabar confundindo outros machos com possíveis parceiras.


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Os pesquisadores explicam que essa camada química também desempenha um papel importante na proteção contra a perda de água em ambientes quentes. No entanto, sob estresse térmico, sua composição pode ser modificada para priorizar a proteção do organismo, reduzindo a eficiência das informações utilizadas na identificação de outros besouros.
A pesquisa foi conduzida com a espécie Nicrophorus vespilloides, conhecida por enterrar carcaças de pequenos animais, como aves e roedores, que servem de alimento para suas larvas. Machos e fêmeas costumam cooperar no preparo da carcaça, no cuidado com os filhotes e na defesa do local, atividades que dependem justamente dessa comunicação química.
Os resultados foram apresentados pela doutoranda Morelle, da Universidade de St Andrews, no Reino Unido, durante a conferência da Sociedade de Biologia Experimental, realizada em Florença, na Itália.
O estudo, porém, ainda não foi publicado em uma revista científica nem passou pelo processo de revisão por pares, etapa considerada fundamental para validar os resultados antes da publicação definitiva.
