Bono: Ele queria ser Burrito Ortega e virou pegador de pênaltis de Marrocos
Goleiro de Marrocos, Bono, sonhava em ser atacante, fez carreira como goleiro e agora vai enfrentar a França

Yassine Bounou é daquelas pessoas que subvertem todas as previsões e expectativas. Quem diria que o garoto filho nascido no Canadá, filho de um professor de física, e fã extremado de Ariel “Burrito” Ortega, jogador do River Plate e da seleção argentina no início do século, iria mudar de nome e se transformar em um goleiro pegador de pênaltis e que está em sua segundo Copa do Mundo defendendo Marrocos.
Tudo em um só lugar.
Receba notícias da GazetaWeb no seu WhatsApp e fique por dentro de tudo!

Vamos começar pelo nome. Nada a ver com Bono Vox, o lendário vocalista do U2. A mudança veio por um motivo prosaico: torcedores do seu time, o Sevilla, tinham dificuldade em falar seu nome.
Leia também
A opção por Marrocos é a mesma de muitos jogadores neste Mundial: uma espécie de volta para casa. Seu pai é marroquino e deixou o Canadá em 1994, quando o garoto tinha apenas três anos. Foi nas ruas e nos campos de Casablanca, que começou a jogar. “Fui convidado para jogar pelo Canadá, mas não aceitei. Sempre foi meu sonho defender Marrocos, minha Pátria, declarou em entrevista de 2022, quando perguntado porque não aceitou o convite de Benito Floro, então treinador da seleção canadense.
Agora, em 2026, ele enfrentou o Canadá, na vitória de Marrocos por 3 x 0. Jogou bem, fez defesas importantes. Em 2022, ele já havia enfrentado o Canadá, em vitória por 2 x 1 e comentou, aos jornais espanhóis, como se sentia. “Lembro de muito pouca coisa da minha infância no Canadá, mas tenho vontade de voltar lá um dia. É um lugar especial para mim, faz parte de mim, se não tivesse de enfrentá-los, estaria torcendo para o Canadá.


Problema no gol azulino - 07/07/2026

Derrota Azulina - 06/07/2026

Do sonho à frustração - 06/07/2026

CSA intensifica preparação para duelo decisivo na Série D - 02/07/2026
O contato com o futebol foi o mesmo de milhões, talvez bilhões de crianças espalhadas pelo mundo. Uma bola, alguns amigos, um gol pintado na parede ou feito com chinelos. Um dia, foi para as categorias de base do Wydad Casablanca e trocou os pés pelas mãos. Assim, ganhou destaque. e seguiu para a Espanha, onde fez toda sua carreira. Começou no Atlético de Madrid, mas nunca jogou. Passou para o Real Zaragoza, Girona e depois, Sevilla, onde foi ídolo. Ganhou duas edições da Liga Europa e foi o goleiro menos vazado do campeonato espanhol. Em 2023, se transferiu para o Al Hilal, da Arábia Saudita.
Bono é um goleiro calmo, discreto, tanto no comportamento como nas defesas. Não é de gritar com companheiros e nem de defesas espalhafatosas. Preza mais a boa colocação do que saltos espetaculares. E é um estudioso obsessivo do estilo dos atacantes adversários, principalmente na hora de defender pênaltis.
Foi assim que tornou-se ídolo marroquino em 2022, na Copa do Catar. Nas oitavas-de-final, Marrocos enfrentou a Espanha e a decisão foi para os pênaltis. Ele defendeu duas cobranças, de Solar e de Busquets. Marrocos passou e depois eliminou Portugal, tornando-se a primeira nação africana a chegar a uma semifinal de Copa. Terminou em quarto lugar. Foi sua segunda experiência. Em 2018, na Rússia, quando era reserva de El-Kajoui e não participou de nenhuma das três partidas.
Em 2026, defendeu a cobrança de Summerville, da Holanda, garantindo a classificação de Marrocos. Na Copa da África, defendeu dois pênaltis contra aos Nigéria, na semifinal, levando Marrocos para a disputa com Senegal. O título marroquino veio no “tapetão” porque, no tempo normal de jogo os nigerianos chegaram a deixar o campo em protesto contra a arbitragem.
Aos 35 anos, Bono completa hoje, contra a França, o seu jogo 95 pela seleção de Marrocos. Ganhe ou perca, não há dúvida que ultrapassará a marca de cem. Com a esperança da torcida em mais alguns pênaltis defendidos.
