Idosos e Golpes Digitais: Como Prevenir e Onde Buscar Ajuda
Cada vez mais conectados, os idosos também precisam estar cada vez mais protegidos

A internet tornou a vida mais prática para milhões de brasileiros. Conversar com familiares, fazer compras, utilizar o PIX, acessar benefícios, agendar consultas e resolver diversos assuntos sem sair de casa são facilidades que passaram a fazer parte da rotina da população na melhor idade. Dados recentes do IBGE mostram que o número de idosos conectados cresce ano após ano, refletindo uma inclusão digital cada vez maior.
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Infelizmente, esse avanço também chamou a atenção dos criminosos. Pessoas com mais de 60 anos tornaram-se um dos principais alvos de golpes digitais, principalmente porque costumam demonstrar confiança nas relações, atender ligações desconhecidas, acreditar em mensagens aparentemente oficiais e, muitas vezes, não conhecem as técnicas utilizadas pelos fraudadores.
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Esses criminosos raramente começam seus ataques invadindo computadores ou celulares. Na maioria das vezes, eles atacam a pessoa. Essa estratégia recebe o nome de engenharia social, que é um conjunto de técnicas utilizadas para manipular emoções como medo, urgência, confiança, curiosidade ou solidariedade, levando a vítima a fornecer informações pessoais, senhas ou realizar transferências financeiras espontaneamente.
Segundo o Relatório de Cibersegurança 2025 da Brasscom, o phishing, mensagens falsas enviadas por e-mail, SMS, aplicativos ou redes sociais, continua sendo o principal vetor de ataques cibernéticos. O documento também destaca que a conscientização das pessoas é um dos pilares mais importantes da segurança digital, ao lado de processos e tecnologias.


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Entre os golpes que mais atingem os idosos estão o falso atendente de banco, a falsa central de atendimento, o golpe do PIX, a clonagem de WhatsApp, boletos e links falsos, promessas de investimentos milagrosos, fraudes envolvendo benefícios do INSS e, mais recentemente, o uso da Inteligência Artificial para clonar vozes e imagens de familiares. Em poucos segundos, uma ligação ou mensagem pode parecer totalmente verdadeira.
Alguns hábitos simples podem reduzir significativamente o risco de cair em golpes digitais. Desconfie sempre de mensagens, ligações ou solicitações que transmitam urgência ou pressão para uma decisão imediata. Nunca compartilhe senhas, códigos de verificação recebidos por SMS ou dados bancários por telefone, mesmo que o contato pareça ser de uma instituição confiável.
Antes de realizar qualquer transferência ou pagamento, confirme a informação diretamente com a pessoa ou empresa por meio de um canal oficial. Sempre que possível, ative a autenticação em duas etapas em suas contas, mantenha o celular e os aplicativos atualizados e, em caso de dúvidas ou transações de maior valor, converse com um familiar ou alguém de confiança antes de tomar qualquer decisão.
Essas medidas simples podem fazer toda a diferença para manter sua segurança no ambiente digital. Caso seja vítima de um golpe, agir rapidamente pode reduzir significativamente os prejuízos. Entre imediatamente em contato com o banco para bloquear movimentações, altere suas senhas, registre um boletim de ocorrência e preserve mensagens, comprovantes e demais evidências. Também é importante comunicar a fraude à instituição financeira e, quando necessário, procurar a Polícia Civil, delegacias especializadas em crimes cibernéticos, o Ministério Público, o Procon ou utilizar o Disque 100, canal para denúncias de violações dos direitos da pessoa idosa.
O poder público também tem fortalecido suas ações de proteção. A Advocacia-Geral da União (AGU) vem apoiando investigações contra golpes praticados nas redes sociais, enquanto diversos órgãos federais ampliam campanhas educativas para orientar idosos, familiares e servidores públicos sobre prevenção de fraudes digitais. Estados e municípios também desenvolvem iniciativas locais, como Delegacias de Proteção ao Idoso, programas de inclusão digital, palestras e campanhas de conscientização.
A tecnologia deve ser vista como uma aliada da qualidade de vida. Ela aproxima famílias, facilita o acesso a serviços e amplia a autonomia da população idosa. Mas, assim como fechamos a porta de casa antes de sair, precisamos desenvolver hábitos simples de segurança no ambiente digital. Informação, diálogo e atenção continuam sendo as melhores ferramentas para impedir que criminosos se aproveitem da boa-fé das pessoas.
Fiquem seguros e aproveitem a melhor idade!
*Os artigos assinados são de responsabilidade dos seus autores, não representando, necessariamente, a opinião da Organização Arnon de Mello.
