
Antes da bola rolar, a análise apontava um caminho claro. A intensidade do CSA poderia ser o fator decisivo diante de um Betim que, ao longo da Série D, mostrou dificuldades quando pressionado sobre o portador da bola.
Mas o futebol não respeita roteiros.

Horas antes da partida, o Betim demitiu Leandro Zago ainda na concentração. A mudança de comando alterou o ambiente e também o comportamento da equipe. Sob o comando interino de Aloísio Júnior, o time mineiro iniciou no 4-2-3-1, ocupou melhor o corredor central com Arilson e, com Bryan avançando pela esquerda, construía um 3-2-5 que deu muitos problemas ao sistema defensivo azulino.
Mais do que a mudança do adversário, chamou atenção o desempenho do próprio CSA. A pressão alta, marca registrada da equipe de Moacir Júnior, simplesmente não apareceu no primeiro tempo. Os saltos de pressão não encaixaram,Pedro Botelho conduziu livre em vários momentos e o Betim encontrou espaços que normalmente não consegue contra adversários mais agressivos.
O domínio foi evidente. Yago fez grande defesa logo no início, o Betim ainda acertou duas bolas na trave e o empate ao intervalo acabou premiando mais o CSA do que o desempenho apresentado.
Na volta, Moacir Júnior ajustou a equipe. Botelho deixou de jogar com liberdade, o meio-campo passou a competir melhor e o CSA cresceu. Rian Santana teve a melhor oportunidade da equipe, mas parou em uma grande defesa de Michael.
Quando o confronto parecia equilibrado, um detalhe decidiu. Dudu perdeu a posse de bola no meio-campo, Michel Paulista acelerou a transição, Yago rebateu para a frente e Victor Michel apareceu onde um centroavante precisa estar para marcar o único gol da partida.
Depois disso, o Betim baixou suas linhas, defendeu em bloco e contou novamente com Michael para garantir a vitória.

No fim, o futebol voltou a lembrar uma velha máxima. Em jogos eliminatórios, normalmente duas posições decidem. O Betim teve um goleiro decisivo e um centroavante eficiente. O CSA não encontrou o homem do gol e ainda viu seu goleiro falhar justamente no lance que definiu o confronto.
A eliminatória continua aberta. O Rei Pelé ainda terá 90 minutos para contar outra história. Mas, em Belo Horizonte, a intensidade que sempre foi uma das maiores virtudes do CSA simplesmente não apareceu. E isso fez toda a diferença.