Sobe para 2.595 o número de mortos após terremotos na Venezuela
Há mais de uma semana, país foi atingido por dois tremores, de magnitudes 7,2 e 7,5

Oito dias após os terremotos gêmeos que devastaram regiões na Venezuela, o regime do país informou nessa quinta-feira (2/7) que o número de mortes confirmadas em decorrência dos sismos aumentou para 2.595. Não houve, até a publicação desta reportagem, atualização do número de feridos e de desalojados, que estão contabilizados em mais de 11 mil e 12.841 pessoas, respectivamente.
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As informações foram transmitidas pela líder interina do país, Delcy Rodríguez, em entrevista coletiva. Nos demais dias, as informações vinham sendo transmitidas por seu irmão, o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, um nome forte do chavismo.
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Na quarta-feira (1º), as autoridades tinham contabilizado 2.295 mortos e mais de 11 mil feridos. O novo levantamento, portanto, registra um acréscimo de 300 mortes confirmadas em um dia.
A líder interina defendeu a atuação do governo após os terremotos e afirmou que as operações de busca e resgate continuam em andamento. Ela rebateu críticas à resposta das autoridades e acusou, sem apresentar provas, "laboratórios midiáticos" de tentar dificultar o trabalho das equipes de emergência.


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Segundo Delcy, o sistema nacional de resposta a desastres foi acionado imediatamente após os tremores, com o envio de 4.000 agentes para as áreas afetadas. Ela também afirmou que 189 edifícios desabaram completamente em consequência do terremoto.
"Em nome da Venezuela, agradeço aos socorristas estrangeiros", afirmou a chavista, mencionando nominalmente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e de El Salvador, Nayib Bukele. Os dois líderes de direita mantinham inimizade com o governo de Nicolás Maduro, de quem Delcy era vice até janeiro deste ano, quando o ditador foi deposto pelos EUA.
A líder interina afirmou que o país "pediu ajuda internacional imediatamente" após os sismos. Delcy também disse que o FMI (Fundo Monetário Internacional) e o Banco Mundial ofereceram recursos, que serão destinados à reconstrução das áreas atingidas. De acordo com a política, o dinheiro será repassado apenas a "empreiteiras auditadas" para construção de novas moradias.
As estatísticas de vítimas ainda devem piorar. As Nações Unidas estimaram, na semana passada, que até 50 mil pessoas estavam desaparecidas, o que indica que o número de mortos deve aumentar à medida que as equipes de resgate avançam com as operações. Na segunda (29), o coordenador humanitário da ONU na Venezuela afirmou que o órgão estava comprando 10 mil sacos para armazenamento de cadáveres.
Mais de uma semana após os terremotos, contudo, ainda há esperança pelo resgate de sobreviventes. Nesta quinta, Hernán Gil, 43, foi retirado dos escombros por equipes nacionais e internacionais de resgate. Ele era vigilante do prédio comercial, e ficou preso nos escombros da guarita na região de La Guaira.
O estado mais afetado, aliás, é La Guaira, próximo à capital Caracas, onde têm se concentrado os esforços de resgate de sobreviventes e retirada de corpos.
Desde os dois tremores, de magnitudes 7,2 e 7,5, registrados com alguns segundos de diferença na quarta-feira da semana passada, foram contabilizadas mais de 600 réplicas. Apesar de provocar apreensão entre os moradores, os abalos não causaram mais danos significativos.
Parte dos venezuelanos critica a resposta do regime, considerada lenta e insuficiente. Na terça, a ONG International Rescue Committee, que atua em zonas de crises e de conflitos, divulgou que a dimensão da resposta humanitária não corresponde à escala das necessidades da população impactada.
Diante da dimensão da tragédia, o Programa Mundial de Alimentos da ONU pediu à comunidade internacional US$ 50 milhões (R$ 260 milhões) para prestar assistência a cerca de 500 mil pessoas pelos próximos três meses.
Os terremotos agravaram uma crise humanitária que já era severa. Antes do desastre, a ONU estimava que quase 8 milhões de venezuelanos precisavam de algum tipo de ajuda humanitária.
Além da necessidade urgente de alimentos e abrigo, cresce a preocupação com o risco de epidemias. A Organização Mundial da Saúde alertou para a "pressão extrema" sobre o sistema de saúde venezuelano e para a possibilidade de surtos de doenças virais e infecciosas.
Segundo a ONU, 27 países enviaram equipes especializadas e cães farejadores para auxiliar nas buscas por sobreviventes entre os escombros. A organização calcula ainda que os prejuízos provocados pelos terremotos alcancem US$ 6,7 bilhões (cerca de R$ 34,8 bilhões), o equivalente a 6% do PIB da Venezuela.
