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Como mulher com histórico familiar preveniu câncer após TPM e ansiedade

Medicina de precisão identificou alterações genéticas e metabólicas associadas às alterações hormonais e permitiu intervenção preventiva personalizada


				Como mulher com histórico familiar preveniu câncer após TPM e ansiedade
• Sasun Bughdaryan/Unsplash

Uma mulher que enfrentava manifestações intensas de TPM (Tensão Pré-Menstrual) e ansiedade conseguiu prevenir chances de câncer após uma investigação profunda dos seus sintomas. A paciente preferiu não ter a identidade revelada.

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Ela passava por alterações de humor, irritabilidade, distúrbios do sono e fluxo menstrual aumentado. Todos esses problemas foram somados a uma preocupação ainda maior: sua mãe havia sido diagnosticada com câncer de mama.

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Embora os sintomas não indicassem a presença da doença, o histórico familiar levantou uma dúvida comum entre muitas mulheres: seria possível identificar riscos biológicos antes do surgimento de um tumor? A resposta veio por meio de uma avaliação baseada em medicina de precisão: abordagem que combina informações genéticas, metabólicas e clínicas para compreender como cada organismo responde aos fatores de risco ao longo da vida.

Segundo o médico Pedro Andrade, pesquisador e fundador do Instituto Genoma, o objetivo não era prever se a paciente desenvolveria câncer, mas identificar possíveis vulnerabilidades que justificassem medidas preventivas mais direcionadas. “O foco era entender se existiam mecanismos biológicos associados aos sintomas apresentados e se havia fatores que mereciam acompanhamento mais próximo do ponto de vista preventivo”, explica.

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Exames revelaram alterações relacionadas ao metabolismo hormonal

A investigação médica incluiu testes genéticos e análise metabolômica, tecnologia capaz de mapear moléculas produzidas pelo organismo e fornecer uma espécie de retrato bioquímico em tempo real.

Os exames identificaram níveis elevados de 8-hidroxidesoxiguanosina, marcador associado ao dano oxidativo do DNA, além de aumento da 4-hidroxiestrona, metabólito derivado do estrogênio que tem sido relacionado, em alguns estudos, a processos de estresse oxidativo e alterações celulares.

A análise genética também revelou variantes em genes envolvidos no metabolismo hormonal, sugerindo uma tendência do organismo a produzir maiores quantidades desses compostos e uma eficiência reduzida em determinadas vias de eliminação e detoxificação.

“Não significa que ela desenvolveria câncer. O que observamos foi um conjunto de fatores que apontava para uma suscetibilidade biológica que merecia atenção e acompanhamento”, afirma o especialista. Com base nos resultados, foi elaborado um plano individualizado envolvendo alimentação, atividade física, qualidade do sono, saúde intestinal, manejo do estresse e suplementação direcionada.

Seis meses depois, a paciente apresentou melhora significativa dos sintomas. Houve redução da TPM, maior estabilidade emocional, melhora do sono e diminuição do fluxo menstrual. Paralelamente, os marcadores laboratoriais relacionados ao estresse oxidativo e ao metabolismo estrogênico passaram a apresentar resultados mais favoráveis.

Para Andrade, o caso ilustra uma mudança importante na forma como a medicina vem encarando a prevenção. “Durante muito tempo a prevenção foi baseada em recomendações gerais. Hoje entendemos que cada indivíduo possui características biológicas próprias, o que permite estratégias mais personalizadas”, diz.

Genética e prevenção personalizada

Apesar dos avanços da genética, especialistas alertam que a presença de variantes genéticas associadas a determinados riscos não deve ser interpretada como uma sentença.

Os genes influenciam a forma como o organismo processa hormônios, responde à inflamação e interage com fatores ambientais, mas hábitos de vida continuam desempenhando papel fundamental.

“Alimentação, sono, atividade física, controle do estresse e exposição ambiental podem modificar significativamente a forma como essas predisposições se manifestam ao longo da vida”, explica Andrade.

O crescimento das tecnologias de análise genética, metabolômica e biomarcadores vem impulsionando uma nova fase da medicina preventiva. Em vez de atuar apenas após o surgimento dos sintomas ou do diagnóstico, profissionais da área buscam identificar alterações precoces capazes de orientar intervenções individualizadas.

Segundo o pesquisador, a principal transformação não está em prever quem desenvolverá uma doença, mas em compreender riscos e vulnerabilidades com antecedência suficiente para promover mudanças capazes de impactar a saúde futura.

“Talvez o maior avanço da medicina moderna seja justamente a possibilidade de agir antes que os problemas apareçam, utilizando informações biológicas para construir estratégias preventivas mais eficazes”, conclui.

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