Diarista diz que "não tem juízo" e pede perdão após matar casal
Segundo a Polícia Civil, suspeita chorou durante a prisão, afirmou que agiu por interesse financeiro e disse ouvir vozes

A diarista Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos, foi presa bastante emocionada e sem oferecer resistência na noite dessa quarta-feira (1º/7), em Itabira (MG). Ela confessou ter assassinado o casal de idosos encontrado morto em um apartamento no bairro São Pedro, em Belo Horizonte.
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Segundo o delegado Gustavo Barletta, responsável pelas investigações, a suspeita demonstrou forte instabilidade emocional durante o interrogatório.
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“É uma pessoa bastante confusa, mentalmente falando, apresenta falas desconexas. Ela disse que não tem nenhum juízo e pediu perdão à família das vítimas, afirmando que agora quer reerguer a vida e pagar pelo que fez”, afirmou o delegado.
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Após confirmarem que Paola estava hospedada no It Itabira Hotel, equipes da Polícia Civil saíram de Belo Horizonte por volta das 20h30 e chegaram ao local aproximadamente às 22h.
De acordo com Barletta, a suspeita atendeu os policiais já bastante abalada, chorando e abraçada ao filho sobre a cama do quarto.
Ela não resistiu à prisão. Conforme o delegado, Paola afirmou que já esperava ser presa diante da repercussão do caso.
“Ela disse que se sentia envergonhada ao se ver na televisão o tempo todo e que nem queria mais sair à rua”, relatou.
Como o crime aconteceu
Em depoimento, a diarista contou que foi ao apartamento para realizar um serviço de limpeza e afirmou que já havia recebido elogios de familiares das vítimas pela qualidade do trabalho.
Segundo a investigada, ela não saiu de casa com a intenção de cometer o crime. Afirmou que decidiu furtar os bens ao perceber joias, relógios e dinheiro durante a limpeza do quarto do casal.
Ainda conforme a confissão, o plano inicial era dopar as vítimas para facilitar o furto.
Ela disse ter colocado quatro comprimidos de um medicamento de uso controlado, utilizado por ela para tratamento da depressão, em um suco preparado no liquidificador.
“Ela utilizou quatro comprimidos em um suco. Trinta a quarenta minutos depois eles começaram a adormecer”, explicou o delegado.
A Polícia Civil apreendeu cerca de 50 comprimidos na bolsa da suspeita.
Enquanto recolhia os objetos, Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, teria despertado e percebido o furto.
Segundo Paola, ela foi até a cozinha, pegou uma faca para ameaçá-lo, mas o advogado tentou reagir. Nesse momento, ela o atacou.
A diarista disse não saber quantos golpes desferiu na vítima. Conforme o delegado, o exame pericial apontou mais de 40 perfurações.
Sobre Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76 anos, Paola afirmou que a idosa ainda estava sonolenta em razão dos medicamentos, mas também foi assassinada. Ela voltou a dizer que ouvia “vozes” dizendo que deveria matar o casal.
Após constatar a morte das vítimas, a suspeita se limpou, trocou de roupa, vestindo peças pertencentes a uma das idosas, e lavou a faca utilizada no crime.
Em seguida, recolheu diversos objetos de valor da residência. Segundo a Polícia Civil, foram levados cerca de R$ 18 mil, além de joias e relógios. Parte do dinheiro obtido com a venda dos bens já foi recuperada pelos investigadores.
Fuga
Após deixar o apartamento, Paola afirmou ter utilizado um carro para seguir até a região da Praça Sete, no Centro de Belo Horizonte.
Ela disse ter pago R$ 40 pela corrida. A Polícia Civil acredita que o veículo seja de um motorista de aplicativo e pediu que o condutor procure a delegacia para prestar esclarecimentos.
Motivação
À polícia, a diarista afirmou que o crime teve motivação financeira.
Segundo ela, apesar de já ter quitado uma dívida de R$ 40 mil com agiotas em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, queria dinheiro para “curtir a vida”.
Ela também declarou ser viciada em jogos de azar, compradora compulsiva e acumuladora de roupas femininas.
A Polícia Civil continua investigando o caso para esclarecer todos os detalhes do duplo homicídio e confrontar a versão apresentada pela suspeita com as demais provas reunidas.
Segundo a corporação, o filho da suspeita foi entregue aos familiares.
