Vitória, comemoração e uma cervejinha. Afinal, é Copa do Mundo!
Parece inofensivo, mas o álcool pode impactar o cérebro muito mais do que muita gente imagina

Embora muitas pessoas associem o álcool à sensação de euforia, ele é, na verdade, um depressor do sistema nervoso central. Seu efeito ocorre principalmente sobre o córtex pré-frontal, região responsável pelo autocontrole, julgamento, planejamento e tomada de decisões.
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Por isso, após beber, é comum que a capacidade de avaliar riscos diminua temporariamente, favorecendo decisões mais impulsivas.
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Os efeitos do álcool são dose-dependentes: quanto maior a quantidade consumida e sua concentração no sangue, maiores tendem a ser os prejuízos cognitivos e comportamentais. Já o consumo crônico pode provocar alterações persistentes nas funções executivas e no funcionamento cerebral.
Evidências científicas mostram que a intoxicação alcoólica compromete a atenção, a memória de trabalho, o planejamento e o controle inibitório, aumentando a impulsividade e a probabilidade de comportamentos de risco.


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Na prática, isso pode favorecer decisões pouco planejadas, como relações sexuais sem métodos contraceptivos ou de prevenção, aumentando o risco de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e de gestações não planejadas.
Quando a gestação ocorre, existe outro ponto fundamental: não há quantidade de álcool considerada segura durante a gravidez. A exposição fetal ao álcool está associada ao aumento do risco de aborto espontâneo, parto prematuro, restrição do crescimento intrauterino, alterações no desenvolvimento neurológico e aos Transtornos do Espectro Alcoólico Fetal (TEAF).
O objetivo desta reflexão não é demonizar o consumo de álcool, mas compreender a neurociência por trás de seus efeitos. Entender como ele interfere no funcionamento do cérebro permite fazer escolhas mais conscientes e reduzir riscos para você e para outras pessoas.
Dra. Luna Melo
Médica | CRM-RJ 52.133964-8
Pós-graduação em Psiquiatria pelo Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein.
Atuação em saúde mental, ansiedade, TDAH, depressão e transtornos do humor.
Referências bibliográficas
AMERICAN COLLEGE OF OBSTETRICIANS AND GYNECOLOGISTS. Alcohol and Pregnancy. Washington, DC.
CREWS, F. T.; BOETTIGER, C. A. Impulsivity, frontal lobes and risk for addiction. Pharmacology Biochemistry and Behavior, v. 93, n. 3, p. 237–247, 2009.
REHM, J. et al. Alcohol use disorders. The Lancet, v. 373, n. 9682, p. 2223–2233, 2009.
WORLD HEALTH ORGANIZATION. Guideline for the Prevention and Management of Fetal Alcohol Spectrum Disorder. Geneva: WHO, 2023.
*Os artigos assinados são de responsabilidade dos seus autores, não representando, necessariamente, a opinião da Organização Arnon de Mello.
