Menino morre de raiva após contato com morcego
Caso reforça que contato direto com morcegos exige avaliação médica imediata, mesmo sem sinais de mordida

Um menino de 11 anos morreu de raiva em Ontário, no Canadá após acordar com um morcego sobre o rosto, cobrindo o nariz e a boca, mas sem apresentar mordidas ou arranhões visíveis. O caso foi relatado em um artigo publicado nesta segunda-feira (29/6) no Canadian Medical Association Journal e mostra que a infecção pode ocorrer mesmo quando não há ferimentos evidentes.
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Segundo os médicos responsáveis pelo atendimento, os pais acreditaram que não havia motivo para preocupação porque o morcego não apresentava comportamento agressivo e o menino não tinha lesões visíveis.
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No entanto, 19 dias depois, ele começou a sentir dormência no rosto, dores e vômitos. Inicialmente, recebeu o diagnóstico de uma infecção na boca, mas retornou ao hospital no dia seguinte com rápida piora do quadro.
A criança desenvolveu febre, confusão mental, dificuldade para engolir, salivação excessiva, alucinações e outros sinais neurológicos — sinais característicos da raiva. O diagnóstico foi confirmado, mas, nessa fase, já não havia tratamento capaz de impedir a evolução da doença.


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O menino morreu após 17 dias de internação. Este foi o primeiro caso de raiva adquirida localmente em Ontário desde 1967.
Por que o contato com morcegos preocupa
A raiva é uma infecção viral que ataca o sistema nervoso e costuma ser transmitida pela saliva de animais infectados, principalmente por mordidas ou arranhões. Na América do Norte, a maior parte dos casos está relacionada ao contato com morcegos.
Como esses animais têm dentes e garras muito pequenos, as lesões podem passar despercebidas. Por isso, os médicos alertam que o risco não depende apenas da presença de uma mordida evidente.
“Os morcegos representam um risco particular porque as mordidas ou arranhões podem ser pequenos e facilmente despercebidos, e os pacientes podem não se lembrar ou reconhecer uma exposição”, escreveram os autores do relato.
Os especialistas reforçam que qualquer contato direto com um morcego deve ser comunicado aos serviços de saúde para avaliar a necessidade da profilaxia pós-exposição, tratamento preventivo feito antes do aparecimento dos sintomas.
Quando a doença dá sinais, quase sempre é fatal
Um dos maiores desafios da raiva é que o vírus pode permanecer incubado por dias ou até meses antes de provocar sintomas.
Os primeiros sinais costumam ser inespecíficos, como febre, dor de cabeça, fadiga, formigamento ou dormência. Com a progressão da infecção, surgem alterações neurológicas graves, incluindo dificuldade para engolir, confusão mental, alucinações e paralisia.
Segundo os autores do estudo, uma vez que os sintomas aparecem, não existe tratamento comprovadamente eficaz para interromper a doença. Nessa fase, o atendimento passa a ser apenas de suporte.
Apesar da gravidade, a raiva pode ser evitada quando o tratamento preventivo é iniciado rapidamente após a exposição. A profilaxia pós-exposição combina vacina e imunoglobulina antirrábica para impedir que o vírus alcance o sistema nervoso.
