'Cego também tem vez': emoção de Edmilson marca título da Sanfona do Rei no Forró & Folia 2026
Homenageado pela quadrilha campeã do interior, músico conhecido como Ceguinho do Centro transforma conquista em mensagem de inclusão, respeito e esperança
A conquista da quadrilha junina Sanfona do Rei no concurso do Forró & Folia 2026 ganhou um significado ainda mais especial por causa de um personagem que emocionou o público e os telespectadores. Homenageado no espetáculo "Os Olhos", o músico Edmilson Mendes, conhecido como Ceguinho do centro de Maceió, protagonizou um dos momentos mais marcantes da noite ao falar sobre inclusão, respeito e valorização das pessoas com deficiência visual.
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A Sanfona do Rei, de Atalaia, foi anunciada na madrugada desta sexta-feira (26) como a grande campeã do interior da competição, realizada no Ginásio de Esportes Djalma Nunes Santos, em Girau do Ponciano. Mas, além do título, a apresentação deixou uma forte mensagem social.
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Em entrevista logo após o resultado, Edmilson não conteve a emoção ao lembrar que nunca havia participado de uma homenagem semelhante.
"Isso me fez lembrar que cego também tem vez. Isso me deixa muito feliz", declarou, emocionado.


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O músico revelou que, ao longo da vida, jamais havia sido incluído em uma apresentação de quadrilha junina. Para ele, ver sua história transformada em espetáculo e ainda participar da conquista do primeiro lugar representou um momento inesquecível.

"Fico emocionado porque nenhuma quadrilha nunca me colocou para participar. E a primeira vez que participei, graças a Deus, ganharam."
Durante a entrevista, Edmilson aproveitou a visibilidade para fazer um apelo às autoridades por mais atenção às pessoas com deficiência visual. "Quero pedir às autoridades que vejam mais com carinho para a classe cega."

A simplicidade da fala, aliada à emoção do momento, comoveu apresentadores, integrantes da quadrilha e o público presente, que o aplaudiu de pé enquanto ele recebia o troféu simbólico das mãos dos brincantes.
Mesmo sendo o grande homenageado da noite, Edmilson fez questão de dividir a conquista. "Esse troféu eu dedico a todos vocês."
Ele também deixou uma mensagem de incentivo às quadrilhas que não conquistaram o título. "As quadrilhas que não venceram, tenham paciência. Vocês também chegam lá. Vocês são lindas e um dia também terão o seu lugar ao sol."

Uma história transformada em espetáculo
Com o tema "Os Olhos", a Sanfona do Rei apresentou uma coreografia repleta de simbolismos para abordar a deficiência visual e a importância da inclusão. O enredo fez referências a Santa Luzia, considerada pela tradição católica a protetora dos olhos, ao pássaro assum-preto e à trajetória de Edmilson Mendes.
A apresentação percorreu a vida do músico desde a infância, no interior de Pernambuco, passando pela mudança para Alagoas aos 10 anos de idade, até se tornar uma figura conhecida no centro de Maceió, onde conquistou o carinho da população tocando pandeiro no calçadão da cidade.

Mais do que contar uma história de superação, o espetáculo mostrou que a cultura popular também pode ser instrumento de representatividade, dando visibilidade a personagens que fazem parte da identidade alagoana.
Ao final da noite, o troféu da Sanfona do Rei simbolizava não apenas o reconhecimento artístico da quadrilha, mas também uma vitória da inclusão, da sensibilidade e do respeito às diferenças — valores resumidos nas palavras de Edmilson: "Cego também tem vez."
