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Kennedy Calheiros conversa com Edivaldo Junior

BLOG DO
Edivaldo Júnior

Kennedy Calheiros aponta eucalipto como nova fronteira econômica de Alagoas


				Kennedy Calheiros aponta eucalipto como nova fronteira econômica de Alagoas
Kennedy Calheiros conversa com Edivaldo Junior. Reprodução Youtube

A cadeia produtiva do eucalipto, construída ao longo da última década em Alagoas, pode estar prestes a dar um novo salto. Depois da consolidação do reflorestamento comercial e do surgimento de novas indústrias ligadas à madeira, o próximo passo poderá ser a implantação de um polo moveleiro, agregando valor à produção local e ampliando a geração de empregos.

A avaliação é do presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae Alagoas, Kennedy Calheiros, durante entrevista ao podcast "Fala, Líder" apresentado por Edivaldo Junior, na CBN Maceió (veja aqui a íntegra da entrevista bno Youtube).

Segundo ele, a expansão do projeto da Caetex — joint venture formada pela Dexco (antiga Duratex) e o Grupo Carlos Lyra — cria as condições necessárias para atrair uma grande indústria de móveis para Alagoas.

"A base está pronta. O investimento maior já foi realizado. O eucalipto está em idade de corte. Agora o próximo passo é trazer a indústria", afirmou.

Para Kennedy, o Estado vive um momento semelhante ao de regiões que transformaram a madeira em uma poderosa cadeia industrial, gerando riqueza e empregos qualificados.

"Se trouxermos as empresas para fabricar móveis a partir de Alagoas, a circulação de riquezas será muito maior. Veja o exemplo de Bento Gonçalves e Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, além de polos no Paraná, São Paulo e Minas Gerais, onde a indústria moveleira gera milhares de empregos muito bem remunerados", destacou.

Um projeto construído ao longo de quase duas décadas

A expansão do eucalipto em Alagoas não aconteceu por acaso.

Os primeiros incentivos ao reflorestamento começaram em 2007 e ganharam força a partir de 2014, quando a então Duratex decidiu investir no Estado e criou, em parceria com o Grupo Carlos Lyra, a Caetex Florestal.

O projeto substituiu antigas áreas de cana-de-açúcar por florestas plantadas de eucalipto, formando uma base florestal voltada inicialmente ao abastecimento de uma futura fábrica de painéis MDF no Nordeste.

O investimento inicial foi de aproximadamente R$ 72 milhões, envolvendo o arrendamento de cerca de 13,5 mil hectares.

Hoje, a Caetex possui cerca de 20 mil hectares plantados e trabalha para ampliar essa área para aproximadamente 40 mil hectares, consolidando um dos maiores projetos de silvicultura do Nordeste.

Uma cadeia produtiva que já movimenta a economia

A aposta de Kennedy parte de uma realidade que já começou a ser construída.

O eucalipto deixou de ser apenas um projeto florestal para se transformar em uma cadeia produtiva que abastece diferentes segmentos da economia alagoana.

Em Marechal Deodoro, a Veolia implantou uma usina de biomassa que utiliza eucalipto para fornecer vapor industrial à unidade da Braskem, substituindo o gás natural e reduzindo significativamente as emissões de carbono.

Também cresceram empresas dedicadas à fabricação de paletes, madeira tratada para o agronegócio, mourões, postes, madeira serrada, estruturas para construção rural e insumos destinados à construção civil.

Alagoas também já conta com indústrias especializadas no beneficiamento de madeira de reflorestamento, formando uma base produtiva que praticamente não existia há pouco mais de dez anos.


				Kennedy Calheiros aponta eucalipto como nova fronteira econômica de Alagoas
Kennedy Calheiros. Reprodução Youtube

O próximo passo: agregar valor

Na avaliação de Kennedy Calheiros, a chegada da indústria moveleira representa a etapa mais importante desse processo.

Ele lembra que Alagoas já teve forte tradição na fabricação de móveis, com empresas como a Forene — durante anos considerada a maior fábrica de móveis da América Latina — além de outras indústrias instaladas no Distrito Industrial de Maceió.

A diferença, segundo ele, é que agora o Estado passa a reunir uma base florestal capaz de abastecer uma cadeia produtiva permanente.

"Não estamos falando apenas de plantar eucalipto. Estamos falando de criar uma nova indústria, gerar empregos qualificados e diversificar a economia de Alagoas", resumiu.

Números confirmam a expansão

Os indicadores reforçam a transformação da silvicultura em Alagoas.

A área plantada com eucalipto passou de 2,5 mil hectares em 2013 para quase 28 mil hectares em 2023. Segundo dados da Secretaria de Estado da Agricultura e da Sedics, o Estado alcançou aproximadamente 42 mil hectares de florestas plantadas em 2025, impulsionado principalmente pelos investimentos da Caetex e de novos produtores.

A produção de madeira em tora atingiu 561 mil metros cúbicos em 2023, enquanto Alagoas passou a responder por 88,5% de toda a produção nordestina destinada a outras finalidades, consolidando-se como principal produtor da região.

O avanço integra as ações do Plano ABC+ Alagoas, voltado à agricultura de baixo carbono. Além do potencial econômico, as florestas plantadas apresentam produtividade entre 60 e 80 metros cúbicos por hectare ao ano — muito acima da média nacional de 39 m³ por hectare — e contribuem para o sequestro de carbono, fortalecendo também a agenda ambiental do Estado.

Se a expectativa apresentada por Kennedy Calheiros se confirmar, Alagoas poderá repetir a trajetória de estados que transformaram a indústria moveleira em um dos principais motores da economia regional. A matéria-prima já existe. A cadeia produtiva começa a ganhar escala. O desafio agora é transformar madeira em indústria, empregos e riqueza.