
Existe um dado que ajuda a explicar boa parte da campanha do CRB nesta Série B.
Se as partidas terminassem ao final do primeiro tempo, o Galo estaria brigando pelas primeiras posições da competição.
Não é apenas uma curiosidade estatística. É um retrato de uma equipe que, na maioria das vezes, entra organizada, compete bem, cria oportunidades e consegue impor dificuldades aos adversários.
O CRB faz bons primeiros tempos.

O problema começa quando o jogo exige mais do elenco, mais das substituições e mais da capacidade de manter o nível de atuação até o apito final.
Talvez não seja coincidência que a equipe tenha um dos melhores ataques da competição e, ao mesmo tempo, conviva com números defensivos que preocupam. O time produz para vencer jogos, mas ainda permite situações suficientes para transformar vitórias em empates e empates em derrotas.
A Série B tem uma característica cruel: ela não é decidida apenas pelos onze titulares.
É um campeonato de desgaste físico, viagens longas, suspensões, lesões e sequência pesada de partidas. Em muitos momentos, quem entra acaba sendo tão importante quanto quem começa.
Por isso, uma discussão ganha cada vez mais força. O CRB tem um time competitivo ou tem um elenco competitivo?
A diferença parece pequena, mas pode definir uma temporada.
Os primeiros 45 minutos mostram uma equipe capaz de enfrentar qualquer adversário da divisão. Já os 45 minutos finais revelam um time que ainda busca respostas para transformar desempenho em resultado.

O diagnóstico parece cada vez mais claro.
O CRB mostrou que tem qualidade para competir na Série B.
A dúvida que começa a ganhar força é outra: o elenco consegue sustentar esse nível durante os 90 minutos?
Porque acesso não é conquistado pelas melhores atuações.
É conquistado pelos times que conseguem repetir boas atuações quando o relógio pesa, o desgaste aparece e o banco de reservas entra em campo.