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Banco Digimais, de Edir Macedo, replicou tática do Banco Master, diz PF

Investigação aponta suspeita de manipulação contábil para ocultar rombo bilionário


				Banco Digimais, de Edir Macedo, replicou tática do Banco Master, diz PF
Banco Digimais, de Edir Macedo, replicou tática do Banco Master, diz PF; entenda o caso.

A Polícia Federal (PF) aponta que o Banco Digimais, do bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, replicou a tática que foi realizada pelo Banco Master, segundo informações do Estadão. A Operação Miragem, realizada nesta terça-feira, 23, revelou uma investigação sobre supostas fraudes financeiras, manipulação de balanços e ocultação da real situação patrimonial da instituição.

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A apuração, que foi baseada em relatórios do Banco Central, levou ao cumprimento de mandados de busca e apreensão, bloqueio de até R$ 670 milhões em bens e quebra de sigilos bancários e fiscais dos investigados. Segundo a PF há indícios de que dirigentes do banco utilizaram fundos de investimento e operações contábeis para aparentar uma situação financeira mais saudável do que a existente na realidade.

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As investigações apontam que administradores do Digimais teriam manipulado demonstrativos contábeis e registros regulatórios para esconder problemas financeiros da instituição.

De acordo com a BBC News, a suspeita é de que o banco tenha utilizado fundos de investimento para ocultar sua real situação econômico-financeira e manter uma aparência de solvência perante órgãos reguladores e investidores.

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Os investigados poderão responder por crimes como gestão fraudulenta, inserção de dados falsos em demonstrativos contábeis e realização de operações de crédito vedadas pelo Sistema Financeiro Nacional.

Como funcionaria a suposta fraude?

Segundo o Estadão, o núcleo da investigação envolve a valorização de créditos judiciais adquiridos por valores relativamente baixos e posteriormente registrados por cifras muito superiores nos balanços do banco.

O Banco Central identificou que direitos creditórios comprados por cerca de R$ 71 milhões passaram a ser contabilizados por mais de R$ 741 milhões após sucessivas reavaliações realizadas por fundos ligados à estrutura do Digimais.

Na avaliação dos investigadores, a operação teria criado um patrimônio artificial, inflando os resultados financeiros da instituição.

Depois, segundo o BC, o Digimais vendeu esses ativos para sua própria controladora por mais de R$ 741 milhões, com pagamento previsto apenas para 2032 e sem entrada imediata de recursos no caixa do banco.

Para a fiscalização, a operação serviu para manter nos balanços valores que deveriam ter sido revertidos após determinação do próprio Banco Central.

Na prática, a suspeita é que o banco tenha realizado uma transação com sua própria controladora, criando um crédito a receber e registrando esse valor como ativo patrimonial. Segundo a PF, isso teria permitido manter a aparência de solidez financeira sem que houvesse dinheiro efetivamente entrando na instituição.

Os investigadores afirmam que a estrutura pode configurar uma operação de crédito irregular entre partes relacionadas, prática proibida pela legislação bancária.

Qual é a relação com o Banco Master?

Um dos pontos mais relevantes da investigação é a comparação feita pela Polícia Federal entre o Digimais e o Banco Master. Segundo o Estadão, os investigadores entendem que as duas instituições adotaram estratégias semelhantes para sustentar artificialmente seus balanços.

A PF afirma que tanto o Digimais quanto o Master teriam utilizado ativos de rentabilidade considerada desproporcional aos padrões de mercado para inflar seu patrimônio e captar recursos de investidores.

No caso do Digimais, a investigação sustenta que a instituição teria replicado uma dinâmica observada no Master: assumir riscos elevados enquanto transmitia ao mercado a percepção de que os depósitos estariam protegidos pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

Como o Master aparece na investigação?

Além da comparação entre os modelos de negócio, o Master também surge diretamente na apuração. Após a liquidação do Banco Master, foi identificada uma exposição de aproximadamente R$ 600 milhões do Digimais a carteiras de crédito ligadas ao banco.

Esses ativos passaram a ser questionados quanto à qualidade, ao lastro e à regularidade documental, aumentando as preocupações sobre a situação financeira do Digimais.

A investigação também menciona uma tentativa frustrada de compra do banco, em 2025, por um grupo liderado por Maurício Quadrado, executivo que havia passado pelo Master. A operação acabou vetada pelo Banco Central.

O que o Fundo Garantidor de Crédito tem a ver com o caso?

A investigação também envolve o papel do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), entidade privada que protege depósitos bancários de clientes em caso de quebra de instituições financeiras.

Segundo a PF, a venda do Digimais para o BTG Pactual estaria condicionada a uma injeção de aproximadamente R$ 7 bilhões por parte do FGC para cobrir déficits da instituição.

Para os investigadores, isso poderia resultar na transferência dos prejuízos causados pela gestão do banco para o sistema de proteção financeira, enquanto administradores e controladores preservariam seus patrimônios pessoais.

A PF argumenta que essa situação desvirtuaria a finalidade do FGC, criado para proteger correntistas e investidores, e não para absorver prejuízos decorrentes de eventuais práticas ilícitas de gestão.

Quem são os alvos?

Os alvos dos mandados de busca e apreensão são:

  • Marcelo de Lima Brasil, executivo do Banco Digimais;
  • João Alves de Campos, executivo do Banco Digimais;
  • Rodrigo Ruggero, executivo do Banco Digimais;
  • João Luiz Urbaneja, homem de confiança de Edir Macedo e dirigente do Banco Digimais;
  • Thiago Rodrigues Urbaneja, filho de João Luiz e dirigente do Banco Digimais;
  • José Roberto Giancoli Filho, dono da ID, gestora dos fundos do Digimais;
  • Rodrigo Balassiano, dono da ID, gestora dos fundos do Digimais;
  • Banco Digimais S.A.;
  • ID Corretora de Títulos e Valores Mobiliários S.A.

O bispo Edir Macedo não foi alvo das buscas porque reside no exterior. No entanto, foi autorizado o bloqueio e sequestro de bens do bispo evangélico, assim como dos outros alvos.

Os materiais apreendidos serão analisados pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal e a investigação continua.

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