Comissão indicia policial por duplo homicídio de colegas em Delmiro Gouveia
Investigação descartou premeditação, confirmou consumo excessivo de álcool e apontou autoria dos disparos

Jobison Barros
17/06/2026 às 12:31 • Atualizada em 17/06/2026 às 13:02 - há XX semanas
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A Polícia Civil de Alagoas (PCAL) concluiu o inquérito que apurou as mortes dos policiais civis Yago Gomes Pereira e Denivaldo Jardel Lira Moraes, assassinados na madrugada do dia 20 de maio deste ano, em Delmiro Gouveia, no Sertão do Estado. O trabalho foi conduzido por uma comissão especial coordenada pelo delegado Sidney Tenório.
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Durante coletiva realizada nesta quarta-feira (17), na Delegacia Geral, em Maceió, os integrantes da comissão detalharam as conclusões da investigação e confirmaram o indiciamento do policial civil Gildate Goes Moraes Sobrinho por duplo homicídio qualificado.
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Segundo Sidney Tenório, os elementos reunidos ao longo das investigações não deixaram dúvidas sobre a autoria dos disparos. O policial está preso preventivamente desde o dia do crime e permanece à disposição da Justiça.
"A comissão ouviu 18 pessoas, dentre elas quatro testemunhas oculares que presenciaram os disparos. De acordo com os investigadores, os relatos confirmaram que Gildate efetuou dois tiros dentro da viatura onde estavam as vítimas. Após os disparos, ele teria deixado o local caminhando sem rumo definido", detalhou o delegado.


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CONSUMO EXCESSIVO
As investigações apontaram que os três policiais passaram horas consumindo bebida alcoólica em uma choperia na cidade de Piranhas antes do crime. Conforme os depoimentos colhidos, eles chegaram ao estabelecimento por volta das 18h e permaneceram até depois da meia-noite.
Garçons ouvidos pela comissão afirmaram que o grupo consumiu nove rodadas de chope artesanal, sem qualquer registro de discussão, conflito ou desentendimento entre os colegas.
Exames toxicológicos feitos nas duas vítimas e no investigado descartaram o uso de drogas ilícitas ou medicamentos controlados. Já os exames de alcoolemia nas vítimas apontaram índices elevados de álcool no organismo.
Apesar de o teste realizado em Gildate ter apresentado resultado negativo, os delegados explicaram que o exame ocorreu cerca de 12 horas após os fatos, período suficiente para a metabolização do álcool. Testemunhas e imagens analisadas pela comissão indicam que ele apresentava sinais evidentes de embriaguez.
SEM PREMEDITAÇÃO
Por sua vez, a perícia realizada nos aparelhos celulares dos envolvidos também não encontrou qualquer elemento que indicasse planejamento prévio do crime.
Segundo o delegado Flávio Dutra, não foram identificados mensagens, ameaças, discussões ou qualquer tipo de conflito entre o investigado e as vítimas que pudesse sugerir premeditação.
"Não foi possível determinar a motivação do crime. Para os investigadores, apenas o próprio autor poderia esclarecer o que ocorreu dentro da viatura nos momentos que antecederam os disparos", informou.
Em novo interrogatório, Gildate manteve a mesma versão apresentada desde a prisão: afirmou não se recordar do momento dos tiros e atribuiu a falta de memória ao consumo excessivo de bebida alcoólica.
O CRIME
O caso ocorreu na madrugada do dia 20 de maio, quando os policiais retornavam de uma ocorrência para a Delegacia Regional de Delmiro Gouveia. Segundo as investigações, os três agentes estavam no mesmo veículo quando os disparos foram efetuados.
O policial civil Gildate Goes Moraes Sobrinho foi preso suspeito de matar os dois colegas de trabalho dentro da viatura. Em depoimento prestado às autoridades, ele afirmou não se lembrar do momento dos disparos e relatou ter consumido grande quantidade de bebida alcoólica horas antes do crime.