Super El Niño? Quais efeitos podem ser provocados no Brasil
Fenômeno climático pode causar impactos severos no país até 2027; especialistas e órgãos como o Inmet alertam para os perigos

No segundo semestre de 2026, o Brasil deve enfrentar a formação de um fenômeno que especialistas chamam de "super El Niño". De acordo com informações divulgadas, o evento pode causar impactos no clima do planeta que podem durar até o ano de 2027.
Tudo em um só lugar.
Receba notícias da GazetaWeb no seu WhatsApp e fique por dentro de tudo!

Para Claudio de Brito Neri, professor de Geografia do Colégio Presbiteriano Mackenzie Tamboré, apesar do fenômeno parecer distante do dia a dia, ele impacta a vida de milhões de brasileiros.
Leia também
"Isso fica claro quando analisamos períodos anteriores, em que suas consequências foram desde problemas na produção de alimentos até crises no abastecimento de água e enchentes", disse.
Diante da situação, órgãos como o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) buscam alertar governos, agricultores e a população em geral para os possíveis impactos desse fenômeno.


Flávio diz para apoiadores vestirem a "camisa do Bolsonaro"

Câmara dos deputados vai implementar proposta de capacitação legislativa

Alexandre Ayres apresenta projeto que estabelece regras para a Black Friday em Alagoas

Pré-candidato critica 'caciques' e avisa ter desejo de unir forças contra 'donos de AL'
Conforme nota técnica emitida em conjunto pelo CPTEC, INPE e INMET, os efeitos do El Niño poderão ser sentidos de formas distintas nas regiões brasileiras. Confira abaixo:
Regiões afetadas
Na região Norte, a expectativa é de seca e redução no volume de chuvas, o que faz com que os rios baixem de nível, dificultando o transporte de pessoas e mercadorias. As comunidades ribeirinhas são as primeiras a sofrer com a dificuldade de acesso a alimentos, medicamentos e atendimento médico. Outro fator preocupante é que o clima mais quente e seco aumenta a incidência de queimadas e incêndios florestais.
No Nordeste, a consequência é a redução das chuvas e a escassez de água. Com menos precipitações, os reservatórios recebem menor volume hídrico, o que afeta o abastecimento e a produção agrícola. A maior intensidade do calor também aumenta o risco de incêndios em áreas de vegetação.
No Centro-Oeste, os efeitos tendem a ser menos intensos, porém o aumento da temperatura também reduz a umidade do ar, cenário que favorece queimadas. Algumas áreas podem, no entanto, registrar chuvas dentro da média, elevando a umidade do solo.
A região Sudeste apresenta histórico mais variável: há locais com chuvas intensas e outros com períodos prolongados de estiagem e predominância de calor, fenômeno conhecido como “veranico”. Capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Vitória podem registrar ondas de calor mais intensas que o normal, o que aumenta o consumo de energia elétrica.
A região tradicionalmente mais afetada no Brasil é o Sul, onde o principal efeito é o excesso de chuva, com enchentes, alagamentos e deslizamentos de terra. Os três estados (PR, SC, RS) costumam enfrentar temporais mais frequentes e chuvas acima da média.
O professor reforça o fato de que os efeitos desse fenômeno podem acabar aumentando o preço da conta de luz, encarecendo os alimentos e reduzindo a disponibilidade de água. Em períodos de seca prolongada, a produção agrícola pode recuar, enquanto chuvas excessivas podem afetar estradas, moradias e plantações.
El Niño
Segundo o estudo, o El Niño acontece quando há um aquecimento acima do normal das águas do Oceano Pacífico, o que altera a circulação dos ventos e a formação das chuvas. Todo esse processo afeta o planeta, mas, no caso do Brasil, há uma variação de impactos entre as diferentes regiões do país, que vão desde excesso de chuva e alagamentos até secas intensas e falta de água nos reservatórios.
Normalmente, os ventos no Pacífico sopram de leste para oeste, ou seja, da América em direção à Oceania e à Indonésia. Isso faz com que as águas mais quentes sejam deslocadas por essas correntes de ar, mantendo as áreas próximas à América do Sul com águas mais frias.
O fenômeno altera o equilíbrio entre ventos, pressão e umidade devido ao aumento da temperatura no Oceano Pacífico. Quando isso acontece, há aumento na evaporação, os ventos ficam mais fracos e a água quente que normalmente fica próxima à Oceania se espalha, aquecendo as águas próximas à América do Sul, que são geralmente mais frias. Isso causa desequilíbrios com consequências em escala global.
