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Imagem ilustrativa da imagem Atlético-GO 3x3 CRB: um tempo de manual, outro de velhos defeitos

BLOG DO
Blog do Marlon

Atlético-GO 3x3 CRB: um tempo de manual, outro de velhos defeitos


				Atlético-GO 3x3 CRB: um tempo de manual, outro de velhos defeitos
(Foto: Deividson Isídio)

A descrição objetiva da partida diz que o CRB fez 3 a 0 ainda no primeiro tempo, com dois gols de Mikael e um de Thiaguinho. Na etapa final, Gustavo Coutinho marcou duas vezes, uma delas de pênalti, e Léo Jacó completou a reação do Atlético-GO. Um empate eletrizante, seis gols e duas equipes completamente diferentes de um tempo para o outro.

Mas o jogo explicou muito mais do que o placar.

O CRB começou executando um verdadeiro manual de transição ofensiva. Thiaguinho apareceu como meia nas costas dos volantes, recebeu com liberdade e leu perfeitamente a diagonal de Mikael. O centroavante atacou o espaço entre lateral e zagueiro, ganhou profundidade e, aos 56 segundos, colocou o Galo em vantagem.

O gol-relâmpago alterou imediatamente o cenário. O Atlético-GO avançou suas linhas e passou a ocupar o campo ofensivo com praticamente seis jogadores. Empurrou o CRB para o bloco baixo, mas ficou completamente desorganizado quando perdeu a posse.

Foi assim que nasceu o segundo gol. Matheus Índio recebeu pressionado por Pedro Castro e perdeu a bola. Na continuidade da jogada, Thiaguinho apareceu livre, tabelou com Crystopher dentro da área e bateu de chapa, no ângulo. A bola ainda tocou na trave antes de entrar.

Logo depois do primeiro gol, Hereda sentiu um problema físico. Eduardo Barroca colocou Patrick de Lucca e, diferentemente do jogo anterior, preservou Pedro Castro no meio-campo. A escolha funcionou. Patrick ocupou o corredor, o CRB manteve sua estrutura central e continuou controlando os espaços importantes.

O Atlético-GO tentava corrigir a circulação no meio. Com a torcida pressionando Matheus Índio e Guilherme Lopes, Eduardo Souza colocou o experiente Leandro Vilela. A ironia do futebol apareceu justamente aí.


				Atlético-GO 3x3 CRB: um tempo de manual, outro de velhos defeitos
Galo abriu três gols na primeira etapa,. (Foto: Deividson Isídio)

Vilela entrou para melhorar o passe, mas perdeu a bola que originou o terceiro gol. Dadá Belmonte interceptou e acionou Mikael. O atacante recebeu ainda no campo defensivo, encarou Tito no mano a mano, tocou de um lado, passou pelo outro e arrancou para marcar.

A vantagem era enorme, mas não construída por acaso. O CRB cumpriu, com nota máxima, os três pontos que Barroca tanto cobra no momento defensivo: posicionamento, concentração e vitória nos duelos. Também apresentou eficácia absoluta quando recuperou a bola. Foi o melhor primeiro tempo regatiano na Série B, fazendo fora de casa exatamente o que muitos adversários fizeram contra o próprio CRB no Rei Pelé.

O intervalo, porém, dividiu a partida em dois jogos.

Barroca precisou retirar Danielzinho, que sentiu a panturrilha, e colocou Luizão. O volante começou a etapa final furando uma bola e precisou cometer uma falta para impedir a transição. Recebeu o cartão amarelo e, a partir dali, praticamente desapareceu do jogo. Tornou-se uma peça sem influência defensiva e sem capacidade de ajudar o CRB a respirar com a bola.

Do outro lado, Eduardo Souza foi agressivo. Tirou Guilherme Lopes, um lateral, e colocou Bruno José, um atacante. Ewerthon passou a funcionar como terceiro zagueiro na construção e o Atlético organizou um 3-2-5, concentrando muita gente sobre o corredor esquerdo defensivo do CRB.

Guilherme Marques, Bruno José e Leandro Vilela começaram a criar superioridade naquele setor. Ewerthon permanecia na cobertura, pronto para impedir as transições de Dadá Belmonte. Geovany Soares ficou responsável por todo o corredor esquerdo: sem a bola, recompunha; com ela, avançava para ser o quinto homem da última linha.


				Atlético-GO 3x3 CRB: um tempo de manual, outro de velhos defeitos
Gustavo Coutinho comandou a reação.. (Foto: Deividson Isídio)

A mudança encontrou rapidamente a maior fragilidade de Lucas Lovat: a bola aérea atacando suas costas.

Aos oito minutos, Gustavo Coutinho saiu do encaixe dos zagueiros, atacou o espaço atrás do lateral e cabeceou para diminuir. Era uma jogada previsível, sobretudo para quem conhece a passagem de Lovat pelo futebol goiano.

O lateral sentiu o golpe. Aos 15, novamente pressionado por uma bola lançada às suas costas, perdeu a referência e cometeu um pênalti desnecessário. O VAR chamou o árbitro, Gustavo Coutinho converteu e o jogo que parecia resolvido voltou a ficar completamente aberto.

Barroca reagiu retirando Lovat e escolhendo Reverson, não Léo Campos. A decisão tinha lógica: Reverson possui características mais defensivas e já atuou até como zagueiro. Depois, Guilherme Pato e Luiz Phellype entraram nas vagas de Thiaguinho e Mikael para renovar o fôlego e recuperar as transições que haviam desaparecido.

O CRB chegou a marcar o quarto gol após nova recuperação e ataque rápido, mas o lance foi anulado por toque de mão na origem. Pouco depois, o Atlético repetiu o caminho que havia transformado o jogo: bola levantada nas costas do lateral. Desta vez, Reverson perdeu o duelo aéreo para o baixinho Bruno José, que escorou para Léo Jacó empatar.

O Galo ainda acordou nos minutos finais. Guilherme Pato e Luiz Phellype tiveram oportunidades para devolver ao CRB a vitória, mas pararam no goleiro Paulo Vítor.

O 3 a 3 deixa sabor de derrota para quem abriu três gols de vantagem, mas também expõe uma conclusão incômoda: o CRB mostrou, no mesmo jogo, o seu melhor repertório ofensivo e os velhos defeitos defensivos.

Foram dois tempos completamente distintos. No primeiro, um CRB eficiente, concentrado e cirúrgico. No segundo, um time incapaz de controlar as mudanças do adversário, vulnerável nas bolas aéreas e novamente frágil nas costas dos laterais.

Um belo jogo para quem assistiu de fora. Seis gols, intensidade, alternativas táticas e justiça no placar. Para o CRB, porém, ficou a sensação de que dois pontos não foram conquistados pelo Atlético-GO. Foram deixados em Goiânia.