Aluno diz que não pode comprar álbum da Copa, e professor cria versão especial para toda a turma
Professor de escola no Vale do Reginaldo transformou os alunos em figurinhas, arrecadou camisas da Seleção e levou o clima da Copa para a sala de aula

Mariane Rodrigues
12/06/2026 às 20:18 • Atualizada em 12/06/2026 às 20:29 - há XX semanas
Siga a GazetaWeb no Google

Um professor de uma escola da rede pública municipal, localizada em uma das comunidades mais periféricas de Maceió — o Vale do Reginaldo —, foi questionado por um aluno se o profissional tinha um álbum da Copa do Mundo. A resposta do educador foi: "Sim". A contrarresposta do estudante de oito anos emocionou o pedagogo, que tomou uma atitude: levou o clima da Copa do Mundo para a sala de aula, arrecadando doações de camisas da Seleção Brasileira e confeccionando figurinhas inspiradas no álbum do maior campeonato de futebol do planeta. Todo o material foi distribuído nessa quinta-feira (11) às 27 crianças do 2º ano da Escola Municipal Professora Maria José Carrascosa.
Tudo em um só lugar.
Receba notícias da GazetaWeb no seu WhatsApp e fique por dentro de tudo!


A criança de oito anos que havia perguntado ao professor se ele teria um álbum de figurinhas respondeu ao educador que não teria o seu porque a mãe havia explicado que o material era muito caro. "Foi naquele momento que pensei: por que não criar o álbum da nossa própria turma?", relatou o professor Carlos Washington.
Leia também

Assim, o educador pesquisou modelos inspirados no álbum oficial da Copa do Mundo, que foram adaptados aos estudantes. Com o uso de Inteligência Artificial, ele transformou as fotos das crianças em figurinhas.

"Nasceu uma oportunidade de fazer com que cada aluno se sentisse parte da Copa do Mundo, criando memórias afetivas, fortalecendo vínculos e mostrando que sonhar, torcer e participar também é um direito deles", explicou Carlos Washington.


Paulo Dantas quer fazer seu pupilo campeão de votos na Assembleia Legislativa

Renan Filho surpreende ao anunciar diálogo aberto com Republicanos em Alagoas

JHC visita feira livre de Arapiraca sem garantir apoio declarado do prefeito

Delegado Leonam ressalta importância de lei contra o preconceito nos estádios de Alagoas

Mas a ideia não parou por aí. Depois de desenvolver o trabalho com as figurinhas, o pedagogo marcou um dia especial para a entrega dos álbuns personalizados. Ele pediu que os alunos comparecessem usando camisas da Seleção Brasileira.

"Mas, nos dias seguintes, alguns deles se aproximaram de mim e disseram que não poderiam participar porque não tinham uma camisa da seleção." Mais uma vez, a situação emocionou o professor. "Eu não queria que nenhuma criança ficasse de fora de um momento que havia sido pensado para todos."

A partir de então, não faltaram criatividade, adaptação, inclusão, diversão e muito aprendizado para que todos fizessem parte do sonho de aproveitar o clima da Copa do Mundo. "Nenhuma criança deveria deixar de viver um momento especial por não ter condições de comprar uma camisa", argumentou ele.

Assim, em uma rede de solidariedade, o professor conseguiu arrecadar recursos para comprar kits de camisas pela internet. Ele realizou campanhas nas redes sociais, compartilhando a história do projeto, explicando o propósito da ação e convidando amigos, familiares e seguidores a fazerem parte da iniciativa.

E assim, o que começou com a confecção de um álbum terminou como um projeto de maior alcance e inclusão. "Para minha surpresa, a campanha teve uma repercussão muito maior do que eu imaginava. Muitas pessoas se sensibilizaram com a causa e decidiram ajudar", pontuou ele.

Foram arrecadadas 32 camisas. Do 2º ano, 27 alunos receberam. O restante será distribuído a estudantes de outra turma.
As doações permitiram que a iniciativa se transformasse em um projeto pedagógico. Toda a sala foi decorada, atividades de alfabetização foram criadas e aspectos culturais e socioemocionais foram trabalhados, utilizando diversos conteúdos com o tema central da Copa do Mundo.
"A cada nova atividade, o entusiasmo das crianças só aumentava. A sala foi ganhando vida, cores, histórias e significado. Garantimos acesso a experiências que muitas vezes não chegam às crianças da escola pública. Elas também têm o direito de viver momentos especiais, sonhar, participar e se sentir importantes. Talvez, daqui a muitos anos, elas não se lembrem de todas as atividades que fizeram em sala. Mas espero que se lembrem de como se sentiram", expressou o pedagogo.