Técnico da Seleção custa caro e conta com um grupo restrito de anunciantes para a Copa
Carlo Ancelotti foi disputado para propagandas em cachês que podem bater R$ 10 milhões; saiba os bastidores de produções

Do seu jeitão e de sobrancelha arcada, o italiano é a atração de poucas marcas nesta Copa do Mundo. Um papel que muitas vezes coube a estrelas como Romário e Ronaldo, por exemplo. Ancelotti foi procurado por diversas marcas desde que chegou em solo Brasileiro – mas fechou com poucas. Fez campanhas com a Brahma, a Volkswagen e a Amazon, todas também patrocinadoras da CBF.
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"É claro que os valores para se trabalhar com uma figura do tamanho do Ancelotti não são usuais. Acaba tendo um pouco do topo da pirâmide apenas para ter essa capacidade de investimento de trabalhar com um nome como esse", comenta Bernardo Pontes, publicitário e CEO da Alob Sports e ex-diretor de marketing de clubes como Flamengo, Vasco e Fluminense.
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"Aqui na agência, tivemos algumas procuras para trabalhar com o Ancelotti. Algumas não conseguiram por questões orçamentárias, mas tivemos também procuras de patrocinadores concorrentes da CBF", complementou.
Somadas as campanhas divulgadas, as visualizações dos vídeos chegam a 80 milhões. Um grande marco até mesmo na carreira do treinador, maior vencedor da Champions e ex-técnico do Real Madrid, o clube mais vitorioso da história do futebol mundial.


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Os valores de cachê de Ancelotti são bem salgados, como era de se esperar. Se Tite, ex-técnico do Brasil, fechava comerciais na casa dos R$ 2 milhões, Ancelotti tem acordos bem maiores, e em outra moeda, em euros – fechou campanhas de aproximadamente R$ 10 milhões.

Desde que foi garoto-propaganda de lançamento da Volkswagen, Ancelotti anda para cima e para baixo no carro da montadora alemã. Para a Brahma, fez circuito de Carnaval em São Paulo, Salvador e Rio de Janeiro.
"A gente trouxe o Ancelotti como esse novo símbolo de ele que resgatou um pouco aquele 'humm... talvez dê para o Brasil'.", diz Guilherme Almeida, diretor de marketing da Brahma.
As palavras do diretor da Brahma mostram o conceito do filme dirigido por Gustavo Moraes e Marco Lafer. O vídeo traduz a desconfiança do torcedor brasileiro, principalmente por um ciclo caótico de mudança de presidentes e de treinadores na Seleção. Até chegar Carlo Ancelotti.
"Quando ele pega o jornal e mostra 'o Brasil acredita no hexa', ele está muito simbolizado na vinda dele para o Brasil", opina Marco Lafer.
Em Copas anteriores, Dunga usava a imagem de "durão" para dizer também para a Brahma que “em campo tem que ser guerreiro”. Já o Tite, outro ex-treinador da Seleção, fez propaganda de marca de televisão, de banco e do Mcdonald´s.
Na propaganda da Volks, Ancelotti sonha acordado: “todo santo dia”, diz com sotaque, com o título mundial e avista um canarinho amarelo quando sai do carro. Leva até banho de gelo dos "jogadores".
"Ele não tenta ser um grande ator. A sinceridade dele eu acho que é importante, a forma como ele entrega a fala, até na sobrancelha. É ele", brinca um dos diretores do comercial.
"As marcas souberam explorá-lo da maneira muito inteligente, e Ancelotti também se adaptou à cultura brasileira. O Rodrigo Caetano (diretor de Seleções), mesmo não sendo carioca, teve um papel fundamental nessa aproximação com o Rio e as marcas souberam aproximá-lo de maneira estratégica, trazendo esse DNA brasileiro através das campanhas de publicidade. Ele também teve o cuidado de, já nas primeiras coletivas, pedir pra que as pessoas fizessem as perguntas em português", lembra o especialista Bernardo Pontes.
