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Papa diz que história condenará líderes que ignoram mortes de migrantes

Em visita as Ilhas Canárias, pontífice visita criticou a indiferença global diante do sofrimento de milhares de pessoas


				Papa diz que história condenará líderes que ignoram mortes de migrantes
Papa Leão XIV na Praça de São Pedro em 6 de maio de 2026 • Yara Nardi via Reuters.

O papa Leão XIV fez um apelo aos líderes mundiais nesta quinta-feira (11) para que tratem os migrantes com mais humanidade. Em visita às Ilhas Canárias, na Espanha, um dos principais destinos migratórios da Europa, o pontífice alertou que a história condenará aqueles que permitirem que pessoas fugindo da guerra ou da pobreza sofram.

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Naquilo que chamou de "apelo à consciência" dos políticos na Europa e na comunidade internacional, o primeiro papa dos Estados Unidos afirmou que "a dignidade humana não tem passaporte e não perde seu valor ao cruzar uma fronteira".

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"Não podemos nos acostumar a contar os mortos", disse o papa no Porto de Arguineguin, em Gran Canaria, apelidado de "Cais da Vergonha" por organizações humanitárias após cerca de mil migrantes terem ficado presos em condições precárias no início da pandemia de coronavírus.

"Que a história não nos acuse de transformar a dor daqueles que sofrem em uma cena comum em nossas costas", exclamou ele aos milhares de fiéis reunidos perto de um memorial aos migrantes perdidos no mar. "Cedo ou tarde, saberemos se protegemos a vida ou se cedemos à indiferença."

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Reverência à dignidade humana dos migrantes

Leão XIV, que adotou um tom mais incisivo contra a direção da liderança global nos últimos meses, recentemente atraiu a ira do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após criticar duramente suas políticas linha-dura e anti-imigração.

O papa está visitando o arquipélago na costa oeste da África como ponto central de uma viagem de uma semana pela Espanha, onde se encontrará com cerca de mil migrantes na sexta-feira (12).

As ilhas são um destino para migrantes que fazem uma travessia mortal pelas águas do Atlântico, muitas vezes em pequenas embarcações improvisadas e superlotadas.

Na reunião desta quinta-feira (11) no porto com ONGs e organizações de caridade que auxiliam migrantes, o pontífice ouviu relatos de voluntários e outras pessoas, incluindo um capitão de barco de resgate que afirmou que, em 18 anos, ele e seus colegas salvaram cerca de 20 mil migrantes.

"É um número que me deixa doente e que não se pode esquecer", relatou o capitão, Tito Villarmea. "Eu gostaria que não precisássemos salvar ninguém."

Ele também ouviu o depoimento de uma nigeriana que relatou sua experiência de tráfico humano e abuso sexual enquanto tentava entrar na Europa em busca de uma vida melhor. "Vivi em condições que não desejaria a ninguém", contou ela.

O papa disse à mulher que ela era uma bênção de Deus e merecia ser feliz.

"Queridos migrantes, antes de dizer qualquer outra coisa, quero me curvar diante da sua dignidade", declarou Leão XIV. "Vocês não são apenas números ou arquivos. Vocês são pessoas que deixaram para trás famílias e lares. Vocês têm sonhos que ninguém tem o direito de desprezar."

Papa exige "caminhos legais e seguros para a imigração"

Localizadas a mais de mil quilômetros da Espanha continental, as Ilhas Canárias receberam um número recorde de 46.843 migrantes irregulares em 2024, em comparação com menos de mil em 2015, segundo dados oficiais.

Mais de três mil pessoas morreram em 2025 tentando chegar às ilhas, segundo a ONG Caminando Fronteras.

O pontífice disse ao Parlamento espanhol, na segunda-feira (8), que a falta de ajuda aos migrantes do mundo está desafiando "os fundamentos éticos da ordem internacional".

Nesta quinta-feira (11), ele pediu "vias legais e seguras" para a imigração, cooperação internacional no combate ao tráfico de pessoas e financiamento para o resgate de migrantes em perigo no mar.

O mundo precisa fazer mais para erradicar a pobreza, as guerras e a corrupção que forçam os migrantes a fugir de suas casas, afirmou ele.

"Não basta gerenciar as chegadas, divulgar estatísticas, reforçar as fronteiras ou lamentar as mortes depois que elas já ocorreram", continuou o papa.

Juan Carlos Lorenzo, coordenador da Comissão Espanhola para Refugiados nas Ilhas Canárias, disse à agência de notícias Reuters que a visita de Leão XIV foi um "marco significativo".

"Servirá como uma forte afirmação da defesa dos direitos humanos, do respeito e da dignidade que todas as pessoas merecem, independentemente de sua origem", disse Lorenzo.

Ao contrário da maior parte da Europa, a Espanha adotou uma postura mais aberta em relação aos migrantes, implementando um programa para conceder residência a mais de meio milhão de pessoas sem documentos.

A iniciativa, no entanto, atraiu críticas de líderes da ultradireita e o país enfrenta dificuldades com a lentidão na concessão de status legal a milhares de pessoas em situação migratória indefinida.

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