Filha de paciente faz relato sobre UPA onde mulher gravou vídeos antes de morrer
Outros pacientes descrevem um cenário de precariedade extrema e falta de insumos básicos na unidade de saúde.

A morte de Brenda Larissa Maia, de 32 anos, ocorrida na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Justinópolis, em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, continua repercutindo. Além das denúncias feitas pela família da paciente, relatos de pessoas que estavam no local apontam para uma situação de falta de estrutura e escassez de recursos.
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Uma das testemunhas do episódio é a mãe de Michely Carvalho, de 55 anos, que estava internada na mesma sala de emergência onde Brenda recebeu atendimento. Segundo Michely, a mãe presenciou os momentos que antecederam a morte da jovem.
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“Minha mãe contou que a moça morreu ao lado dela”, afirmou. Ela também descreveu o ambiente da unidade como extremamente precário. “A situação aqui na UPA é muito complicada. É uma realidade de abandono”, declarou.
De acordo com a acompanhante, profissionais da própria unidade teriam reconhecido dificuldades para oferecer o suporte necessário aos pacientes. Segundo ela, médicos chegaram a informar que sua mãe precisava ser transferida para outro local devido à falta de recursos disponíveis.


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A insatisfação com o atendimento prestado na rede pública municipal também foi manifestada por outros familiares de pacientes. Michely relatou que, frequentemente, os moradores precisam recorrer à imprensa e à exposição pública para conseguir respostas das autoridades.
“A gente procura vereadores, prefeito, busca ajuda de todas as formas. Muitas vezes, só conseguimos alguma providência quando o caso ganha repercussão”, disse.
Horas antes de morrer, Brenda registrou imagens dentro da UPA que posteriormente foram enviadas aos familiares. Nos vídeos, gravados por volta de 1h30 da madrugada, ela mostra corredores e salas aparentemente vazios e relata a ausência de profissionais em atendimento.
Em uma das gravações, a paciente afirma que os consultórios estavam sem movimentação e menciona que parte da equipe médica estaria em horário de descanso, enquanto outra profissional realizava procedimentos relacionados à transferência de pacientes.
Pouco depois de registrar as imagens, Brenda passou mal, caiu em um dos corredores da unidade e não resistiu.
Diante da repercussão do caso, a Polícia Civil de Minas Gerais instaurou um inquérito para investigar as circunstâncias da morte. A apuração deverá considerar laudos periciais que vão auxiliar na determinação da causa do óbito e na reconstrução dos fatos.
Por meio de nota, a Prefeitura de Ribeirão das Neves informou que a UPA operava com equipe médica completa no momento do ocorrido. Segundo a administração municipal, Brenda recebeu atendimento da equipe de saúde, mas sofreu uma parada cardiorrespiratória. O município também anunciou a abertura de uma investigação administrativa para esclarecer o caso.
Brenda Larissa Maia tinha histórico de problemas cardíacos e também convivia com fibromialgia. Ela deixou uma filha de cinco anos. O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML), e o velório foi realizado nesta segunda-feira (8), em Santa Luzia.
