Comer tarde da noite pode causar um verdadeiro caos na sua saúde; entenda
Consumir mais de 25% das calorias diárias após as 21h, em situações de estresse, traz inúmeros prejuízos

Uma pesquisa preliminar sugere que o hábito de comer tarde da noite, quando associado ao estresse, pode estar relacionado a alterações no funcionamento intestinal. De acordo com o estudo, pessoas que consumiam mais de 25% das calorias diárias após as 21h apresentaram até 2,5 vezes mais chances de sofrer com problemas como constipação ou diarreia quando submetidas a níveis elevados de estresse.
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Os resultados foram apresentados em maio durante a Digestive Disease Week, um dos principais eventos internacionais voltados à gastroenterologia e áreas relacionadas. No entanto, o trabalho ainda não passou por revisão por pares nem foi publicado em revista científica. Além disso, por se tratar de um estudo observacional, os pesquisadores ressaltam que não é possível estabelecer uma relação de causa e efeito entre estresse, alimentação noturna e saúde intestinal.
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A autora principal da pesquisa, a médica residente Harika Dadigiri, afirmou que decidiu investigar o tema por perceber a escassez de estudos sobre os impactos da alimentação tardia na função intestinal. Segundo ela, a maior parte das pesquisas existentes concentra-se em efeitos relacionados ao sono, obesidade, diabetes e refluxo gastroesofágico.
Para conduzir o estudo, os pesquisadores analisaram dados de saúde de mais de 11 mil participantes da Pesquisa Nacional de Saúde e Nutrição (NHANES), dos Estados Unidos, coletados entre 2005 e 2010. Também foram incluídas informações de mais de 4.100 participantes do Projeto American Gut, atualmente denominado Iniciativa Microsetta.


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Especialistas que não participaram da pesquisa consideram o tema relevante. Segundo o gastroenterologista Geoffrey Preidis, do Baylor College of Medicine, poucos trabalhos investigaram a influência do horário das refeições ou a combinação entre estresse e alimentação noturna sobre o funcionamento intestinal.
Na análise, os pesquisadores avaliaram os níveis de estresse crônico dos participantes por meio da chamada carga alostática, um indicador baseado em biomarcadores cardiovasculares, metabólicos e inflamatórios, como pressão arterial, colesterol e índice de massa corporal.
Os resultados mostraram que comer tarde da noite, isoladamente, não teve impacto significativo sobre a saúde intestinal. O risco maior foi observado quando o hábito estava associado a elevados níveis de estresse.
Outro achado apontou que participantes que costumavam se alimentar à noite e apresentavam altos níveis de estresse tinham menor diversidade de microrganismos no microbioma intestinal. Segundo os especialistas, uma microbiota mais diversificada tende a ser mais resistente a doenças, medicamentos e outros fatores de desequilíbrio.
Os pesquisadores destacam, porém, que ainda não é possível determinar se as alterações no microbioma provocam os problemas intestinais ou se ocorre o contrário. Além disso, fatores importantes, como o tipo de alimento consumido à noite, condições médicas pré-existentes e uso de medicamentos, não foram considerados na análise.
Para o gastroenterologista William Chey, presidente do Colégio Americano de Gastroenterologia, os resultados devem ser vistos como um ponto de partida para novas investigações. Segundo ele, pesquisas futuras poderão esclarecer se o horário das refeições representa um fator de risco modificável para pacientes que sofrem com constipação ou diarreia.
Especialistas apontam que tanto o organismo quanto o microbioma intestinal seguem ritmos circadianos naturais, que podem ser afetados por mudanças nos horários das refeições. Essas alterações podem influenciar hormônios, processos inflamatórios, a comunicação entre intestino e cérebro e a motilidade gastrointestinal, responsável pelo deslocamento dos alimentos ao longo do sistema digestivo.
Embora o estudo ainda não permita recomendações definitivas, médicos reforçam orientações já conhecidas para uma boa saúde digestiva. Entre elas está evitar refeições nas três ou quatro horas que antecedem o sono, permitindo que o organismo conclua o processo digestivo antes do período de descanso.
Caso seja necessário comer à noite, a recomendação é optar por refeições leves e com baixo teor de gordura. Frutas, vegetais, carboidratos complexos e algumas fontes magras de proteína costumam ser digeridos mais rapidamente e podem reduzir o risco de desconfortos digestivos.
