Quem é Nem Catenga, chefe de PTK e líder do CV em Alagoas
José Emerson da Silva é investigado por manter influência sobre o tráfico de drogas e o envio de armas para comunidades

Mesmo distante de Alagoas há vários anos, José Emerson da Silva, conhecido como Nem Catenga, continua sendo apontado pelas forças de segurança como uma das principais lideranças criminosas com atuação em Maceió. Foragido da Justiça, ele vive no Rio de Janeiro e, segundo investigações da Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP), mantém ligação com integrantes do Comando Vermelho no Complexo do Alemão, de onde comandaria atividades criminosas em bairros da capital alagoana.
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O nome de Nem Catenga voltou a ganhar destaque após operações que resultaram na apreensão de armas de grosso calibre e drogas em Maceió. De acordo com a polícia, parte desse material teria sido enviada do Rio de Janeiro por determinação do traficante.
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A influência de Nem Catenga sobre a organização criminosa também apareceu em uma investigação que apura uma suposta tentativa de aproximação do grupo com a política alagoana. Segundo a Polícia Civil, o traficante teria mantido contato direto com o influenciador digital Patrick Almeida, conhecido como PTK, preso durante a Operação Morro do Alemão, nesta quarta-feira (3). As autoridades investigam se o influenciador atuava como representante dos interesses da facção em Alagoas.
De acordo com os investigadores, conversas interceptadas indicariam que PTK foi escolhido por Nem Catenga para disputar espaço na política local, inicialmente como candidato a vereador em Maceió e, posteriormente, como pré-candidato a deputado federal. A polícia sustenta que o objetivo seria ampliar a influência do grupo criminoso para além do tráfico de drogas e de outras atividades ilícitas.


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Começou cedo no crime
As investigações apontam que a trajetória de Nem Catenga no crime começou ainda jovem. Ele integra uma família historicamente associada ao crime organizado em Alagoas. O grupo teria sido liderado por seu pai, José Júlio de Oliveira, conhecido como Zé Moreno, e contava também com a atuação do irmão Adriano Oliveira dos Santos, o Caetano, considerado durante anos um dos criminosos mais procurados do estado e morto em confronto com a polícia em 2016.
A primeira prisão de Nem Catenga ocorreu em 2008. Desde então, ele acumulou passagens pelo sistema prisional e passou a ser alvo constante das forças de segurança. Após deixar a prisão, fugiu para o Rio de Janeiro, onde teria se aproximado de integrantes do Comando Vermelho e consolidado sua presença no Complexo do Alemão, uma das principais áreas de atuação da facção.
Mesmo fora de Alagoas, a polícia afirma que ele continuou exercendo influência sobre o tráfico de drogas em regiões da parte baixa de Maceió, especialmente nos bairros da Levada, Cambona e Vila Brejal. Segundo investigadores, a atuação ocorre por meio de aliados e familiares que permaneceram no estado.
A suspeita de que Nem Catenga continua comandando operações criminosas ganhou força em julho de 2024, quando o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) apreendeu um fuzil calibre 5.56 escondido dentro de uma máquina de lavar. O armamento havia sido transportado do Rio de Janeiro para Maceió e, segundo a SSP, seria destinado a integrantes de grupos criminosos ligados ao traficante.
A descoberta foi resultado de um trabalho de inteligência baseado na análise de informações encontradas em aparelhos celulares apreendidos durante outras investigações. Para os policiais, a operação revelou a existência de uma rota de envio de armas entre o Rio de Janeiro e Alagoas.
O nome de Nem Catenga também apareceu em outras investigações recentes. Em uma delas, realizada em 2025, as forças de segurança apreenderam um arsenal composto por fuzil, submetralhadoras, espingardas, munições e drogas avaliadas em cerca de R$ 1,4 milhão. Segundo a Polícia Civil, o material estava ligado ao grupo criminoso comandado pelo traficante.
Atualmente, Nem Catenga possui diversos mandados de prisão em aberto e é investigado por crimes como tráfico de drogas, organização criminosa, homicídio, associação para o tráfico e porte ilegal de arma de fogo.
Para as autoridades alagoanas, a captura do traficante permanece entre as prioridades no combate ao crime organizado. Embora esteja fora do estado, investigadores acreditam que ele continua exercendo influência sobre atividades criminosas em Maceió, utilizando a estrutura construída ao longo dos anos para manter sua atuação à distância.

