Quem inventou o Pix? A verdadeira história por trás do sistema que Bolsonaro não sabia explicar
Ferramenta que revolucionou os pagamentos no Brasil tem autoria técnica do Banco Central

O Pix se consolidou como a maior revolução financeira do Brasil contemporâneo, respondendo por mais da metade das transações de pagamento no país. Com tamanho sucesso, a ferramenta virou alvo de disputa política, sendo frequentemente usada pelo bolsonarismo como um suposto troféu de gestão. A linha do tempo oficial e os documentos do Estado brasileiro, no entanto, desmontam essa narrativa.
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A tentativa de transformar Jair Bolsonaro no “criador do Pix” esbarra em um fato incontornável: o sistema já vinha sendo desenhado pelo Banco Central há anos e nasceu de uma longa agenda de inclusão financeira e regulação de meios digitais impulsionada nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.
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A prova mais cristalina do distanciamento de Bolsonaro em relação à criação da ferramenta ocorreu em 5 de outubro de 2020. No exato dia em que as instituições financeiras começaram a cadastrar as chaves Pix dos brasileiros, o então presidente foi questionado por um apoiador sobre a novidade. Visivelmente confuso, Bolsonaro associou o tema a uma medida de aviação civil. Ao ser corrigido, admitiu que não tinha conhecimento do sistema e que ainda iria “conversar com o Roberto Campos Neto” para entender do que se tratava.
Estar na cadeira de presidente no momento de um lançamento não equivale a ter formulado a política pública. O Pix é uma infraestrutura de Estado, e sua verdadeira história mostra uma construção coletiva, institucional e, acima de tudo, pública.


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A autoria técnica é do Banco Central (antes de 2020)
O desenvolvimento técnico e tecnológico da ferramenta é mérito do corpo de servidores do Banco Central. O Relatório de Gestão do Pix reconhece que o sistema foi construído “a múltiplas mãos”, com liderança do BC na organização de grupos de trabalho, definição de requisitos de segurança e estruturação da liquidação centralizada.
Os registros do BC provam que a agenda de pagamentos de varejo já era amadurecida anos antes da eleição de Bolsonaro. O Relatório de Vigilância do SPB de 2015 já debatia fóruns temáticos sobre o tema. O pontapé prático da ferramenta ocorreu em 2018, com a criação do Grupo de Trabalho de Pagamentos Instantâneos, reunindo mais de 130 participantes.
O desenho da governança, conectividade e liquidez — a “planta baixa” do Pix — foi divulgado ao público por meio do Comunicado nº 32.927, de 21 de dezembro de 2018. Ou seja, antes mesmo da posse de Jair Bolsonaro.
