Knicks e Spurs mostram 'êxito' de mudanças de regras na NBA; como elencos foram formados?
Finalistas da NBA, o New York Knicks e o San Antonio Spurs, são frutos de estilos distintos de criação de elenco na liga
Ambas as franquias chegaram até a decisão como símbolos das constantes mudanças de regras da NBA visando o equilíbrio da liga, como endurecimento das regras salariais e ajustes no sorteio do Draft.
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Os Knicks foram montados, principalmente, a partir de trocas certeiras nas últimas três temporadas. Sem sucesso nos drafts por vários anos, a estratégia de New York foi lapidar o time temporada a temporada observando as oportunidades de mercado, ainda que encarecendo a folha de pagamento.
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De fato, New York tem a segunda maior folha de toda a NBA, poucos milhares de dólares abaixo da second apron, patamar salarial em que as equipes são impedidas de fazer uma série negociações como punição por gastar além da conta.

Ainda assim, a grande mudança da temporada passada para a atual aconteceu no comando técnico, com a chegada de Mike Brown, ex-Sacramento Kings, para o lugar de Tom Thibodeau, que treinou a franquia nas cinco temporadas anteriores.


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Brown conseguiu tornar o ataque dos Knicks, que alternou entre um dos melhores e um dos piores de todo o campeonato em 2024/25, bem mais constante, além de manter um sólido nível defensivo. Também deu maior rodagem para todo o elenco, além de contar com a sorte de não ter problemas graves com lesões ao longo do ano.
Como o elenco dos Knicks foi formado
Jalen Brunson
Muitos já não se lembram, mas Jalen Brunson foi draftado pelo Dallas Mavericks no mesmo ano de Luka Doncic. O armador levou um tempo para se destacar, mas em seu quarto ano Dallas já era um jogador confiável, com média de 16 pontos.
Mas os Mavs queriam colocar outras estrelas ao redor de Doncic. Por isso, não renovaram o contrato de Brunson, que ficaria muito mais caro em 2022-23. Os Knicks, então, apostaram no ainda jovem jogador, que estava livre no mercado.
Na época, o contrato de 27 milhões de dólares por temporada parecia alto demais. Mas Brunson se deu tão bem em Nova Iorque que o que antes parecia muito caro, logo se mostrou uma pechincha.
Karl-Anthony Towns
Karl-Anthony Towns chegou dias antes do início da temporada 2024-25, numa troca bombástica por Julius Randle e Donte DiVincenzo, enviados para o Minnesota Timberwolves.
A troca foi uma tentativa da franquia de colocar uma grande estrela ao lado de Brunson, mesmo ao custo de dois bons jogadores. Após um início instável, logo o entrosamento com Brunson apareceu, tornando a dupla uma das mais perigosas de toda a liga.
OG Anunoby
A troca de Towns não foi a primeira a enviar dois bons jogadores em troca de um titular absoluto. Um ano antes, durante a temporada 2023/24, os Knicks enviaram RJ Barrett e Immanuel Quickley para o Toronto Raptors em troca, principalmente de OG Anunoby. Com o passar das temporadas, a troca se mostrou vantajosa para os dois lados.
Mikal Bridges
Bridges chegou em Nova Iorque em 2022, mas não nos Knicks. O ala fazia parte do Brooklyn Nets, e só foi para o Madison Square Garden para a temporada 2024/25, numa troca polêmica.
Os Knicks enviaram cinco escolhas de primeira rodada de Draft para os Nets, além de uma pick swap (direito de trocar pela melhor escolha) e os jogadores Bojan Boganovic, Shake Milton e Mamadi Diakite.
O movimento foi visto como extremamente arriscado, uma vez que, em tese, comprometeu o futuro da franquia até 2031, que teria dificuldades em se renovar via draft.
Bridges, apesar de ser 'apenas' a terceira opção ofensiva da equipe, tornou-se uma peça fundamental nos playoffs nas duas últimas temporadas, afastando quaisquer dúvidas sobre a negociação ter valido, ou não, a pena.
Josh Hart
Hart foi outro que chegou via troca, ao longo da temporada 2022/23. Após rodar por Los Angeles Lakers, New Orleans Pelicans e Portland Trail Blazers nos primeiros anos da carreira, chegou aos Knicks por um valor baixo e logo se tornou peça fundamental no elenco.
Mitchell Robinson
Mitchell Robinson é o jogador há mais tempo no elenco dos Knicks. Ele foi a 36ª escolha do Draft de 2018 e segue na franquia desde então. Apesar de lidar com muitas lesões e um péssimo aproveitamento nos lances livres ao longo das temporadas, é uma crucial na defesa e disputa de rebotes de New York.
Miles McBride
Também a 36ª escolha do Draft, mas de 2018, McBride, originalmente, seria selecionado pelo Oklahoma City Thunder. Mas os Knicks fizeram uma troca pelo ala, enviando Jeremiah Robinson-Earl para Oklahoma, garantindo um dos principais reservas do time desde então.
Landry Shamet
Grande sensação da série contra o Cleveland Cavaliers, Shamet estava livre no mercado antes da temporada 2024/25.
De início não teve tanto espaço no elenco, ganhou minutagem com a chegada de Mike Brown ao comando e se tornou crucial nos playoffs saindo do banco de reservas.
Jose Alvarado
Última peça a chegar ao elenco, Alvarado começou a temporada no New Orleans Pelicans. A troca pelo portorriquenho aconteceu em fevereiro, e os Knicks precisaram pagar apenas em escolhas de segunda rodada para conseguirem o armador, destaque na defesa e nos arremessos de três pontos.
Jordan Clarkson
Dispensado pelo Utah Jazz ao fim da última temporada, Jordan Clarkson foi uma das contratações dos Knicks visando qualificar o banco de reservas para a temporada. Embora não tenha tido tanto destaque nesses playoffs, segue como uma arma potencialmente perigosa nos momentos de rotação do elenco.
Já os Spurs são montados principalmente a partir de escolhas de draft certeiras, frutos de uma reconstrução que começou no fim da década passada. Após as aposentadorias de lendas da franquia como Tim Duncan, Tony Parker e Manu Ginobili, a equipe piorou ano a ano, fazendo trocas visando o futuro, recebendo jovens jogadores e escolhas de draft.
Mas além do bom planejamento, a franquia tirou a sorte grande. Na temporada 2022/23, San Antonio teve apenas 22 vitórias e 60 derrotas, a segunda pior daquele ano. O objetivo de todas as equipes na parte de baixo da tabela, obviamente, era conseguir a primeira escolha no Draft, que daria direito a escolher Victor Wembanyama.

Os Spurs tinham 14% de chance, mesma porcentagem de Detroit Pistons e Houston Rockets. Mas a sorte sorriu para San Antonio, que pôde escolher o gigante francês e redefinir os rumos da franquia.
Não que San Antonio não estivesse pavimentando um bom caminho. Mas há uma grande diferença entre Wemby e os selecionados na sequência no mesmo Draft: Brandon Miller, Scoot Henderson, Amen Thompson e Ausar Thompson. Todos bons jogadores, mas que provavelmente não colocariam os Spurs nas Finais em apenas três anos.
Nos dois anos seguintes, novamente os Spurs estavam entre as quatro primeiras escolhas, mas as seleções não eram tão óbvias. Prevaleceu, então, o bom trabalho de scout e, principalmente, desenvolvimento dos jovens talentos.
Em 2024, Stephon Castle foi selecionado na quarta posição, entre Alex Sarr (2°), Reed Sheppard (3°), Ron Holland (5°) e Tidjane Salaun (6°). Já em 2025 foi a vez de Dylan Harper na segunda escolha, à frente de nomes como V.J. Edgecombe (3°) e Kon Knueppel (4°).
Eles se juntaram a Devin Vassell e Keldon Johnson, que já estavam na franquia há alguns anos, também chegaram via draft. A única grande troca na montagem do elenco atual foi a chegada de De'Aaron Fox, nem tanto pelo que os Spurs pagaram por ele, mas sim pela pomposa renovação de contrato que aconteceu antes da atual temporada começar.
Ainda assim, os Spurs têm uma das folhas de pagamento mais baixas de toda a liga, o que dá muito espaço para renovar os contratos dos principais jovens nos próximos anos, ou até arriscar mais algumas trocas para qualificar o elenco, caso necessário.
Como o elenco dos Spurs foi formado
Victor Wembanyama
Draftado na primeira escolha em 2023, Wemby logo de cara mostrou que estávamos diante de um fenômeno. Contudo, ainda com limitações físicas, que o tiraram de algumas partidas e também limitaram sua minutagem.
Com o tempo, conseguiu se fortalecer e potencializar os minutos que passa em quadra, impactando profundamente tanto a maneira como os Spurs atacam, quanto como San Antonio é atacado pelos adversários. Em 2025/26 foi eleito o defensor do ano e MVP das finais da Conferência Oeste.
Stephon Castle
Quarta escolha no Draft de 2024, logo se mostrou um grande companheiro para Wembanyama. Em seu ano de estreia, foi 'mentorado' por Chris Paul, que ainda fazia parte dos Spurs, e venceu o prêmio de calouro da temporada.
Dylan Harper
Segunda escolha no Draft de 2025, Harper foi uma escolha ousada dos Spurs, que já tinham Stephon Castle e De'Aaron Fox como armadores.
A divisão de quadra com os 'concorrentes', inclusive, até limitou a minutagem de Harper na temporada, que não terminou entre os finalistas no prêmio de calouro do ano.
Ainda assim, logo de cara mostrou que sua presença no elenco não era redundante. Subindo de produção nos playoffs, Harper chegou a ser titular nas partidas em que Fox foi desfalque.
De'Aaron Fox
Fox desembarcou em San Antonio durante a temporada 2024/25, por um preço relativamente baixo, uma vez que estava no último ano de contrato quando foi trocado pelo Sacramento Kings.
Os Spurs, porém, conseguiram a renovação com o armador, que recebeu 36 milhões de dólares nesta temporada, o maior contrato do time, patamar que será mantido até que o contrato de novato de Wembanyama termine em 2026-27.
Devin Vassell
Vassell foi a 11ª escolha no Draft de 2020. Os Spurs estavam entre ele e Tyrese Haliburton. O resultado da escolha atormentou os torcedores de San Antonio por algumas temporadas, mas hoje Vassell é titular absoluto do elenco, sendo efetivo nos dois lados da quadra.
Keldon Johnson
Eleito melhor sexto-homem da temporada 2025/26, Keldon Johnson foi a 29ª escolha do Draft de 2019. A escolha, que originalmente era do Toronto Raptors, chegou aos Spurs na troca por Kawhi Leonard, que também rendeu DeMar DeRozan e Jakob Poeltl. Anos depois, Johnson se tornou o nome de maior proveito para San Antonio na troca.
No início da carreira, durante a época de vacas magras dos Spurs, era um dos pilares do quinteto titular, chegando até a vencer a medalha de Ouro nas Olimpíadas de Tóquio. Com o tempo, porém, se tornou um valioso reserva para a equipe.
Julian Champagnie
Atentos ao mercado, os Spurs assinaram com Champagnie em 2023. O ala estava livre no mercado após ser dispensado ainda em seu ano de calouro pelo Philadelphia 76ers, que precisava de um espaço no elenco para Mac McClung, que fazia parte da G League, poder disputar o torneio de enterradas no All-Star Game daquele ano.
Desde então, Champagnie aumenta sua minutagem ano a ano, se tornando titular mesmo em meio a um elenco estrelado, tendo como principal arma o arremesso de três pontos. Nestes playoffs, está com 39,3% de aproveitamento.
Luke Kornet
Kornet foi um dos dispensados pelo Boston Celtics antes do início da temporada, num movimento da franquia em busca de alívio da folha salarial.
Precisando de um suplente para Wembanyama, os Spurs prontamente assinaram com o pivô, que se notabilizou pelo incrível toco em Isaiah Hartenstein no final do Jogo 7 contra o Oklahoma City Thunder.
Harrison Barnes
Buscando nomes experientes para ajudar no desenvolvimento do jovem elenco, os Spurs conseguiram Harrison Barnes na troca que enviou DeMar DeRozan para o Sacramento Kings em 2024. Barnes, embora longe do auge demonstrado na década passada, é uma boa peça de rotação no elenco.
Carter Bryant
14ª escolha no Draft de 2025, Carter Bryant demonstrou talento logo em suas primeiras exibições, mas não teve tanta minutagem ao longo do ano devido ao numeroso elenco dos Spurs. Ainda assim, tem boas atuações saindo do banco, especialmente na defesa durante os playoffs.
Calendário das Finais (horário de Brasília)
03/06 (quarta-feira) - Spurs x Knicks - 21h30;
05/06 (sexta-feira) - Spurs x Knicks - 21h30;
08/06 (segunda-feira) - Knicks x Spurs - 21h30;
10/06 (segunda-feira) - Knicks x Spurs - 21h30;
13/06 (sábado) - Spurs x Knicks - 21h30*;
16/03 (terça-feira) - Knicks x Spurs - 21h30*;
19/03 (sexta-feira) - Spurs x Knicks - 21h30*;
*Se necessário
