Polícia detalha plano do CV para infiltrar 'PTK' na política de AL
Investigação da SSP indica que influenciador teria sido escolhido por líder da facção para disputar cargos eletivos

Jobison Barros
03/06/2026 às 12:14 • Atualizada em 03/06/2026 às 12:59 - há XX semanas
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A Operação Morro do Alemão, deflagrada nesta quarta-feira (3), pela Secretaria de Estado da Segurança Pública de Alagoas (SSP-AL), revelou detalhes de uma investigação que, segundo a Polícia Civil (PC), identificou uma suposta estratégia do Comando Vermelho (CV) para ampliar sua influência em Alagoas por meio da inserção de representantes ligados à facção no cenário político.
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Durante entrevista coletiva realizada na sede da SSP, autoridades detalharam o trabalho investigativo que resultou no cumprimento de 51 mandados judiciais, sendo 21 de prisão e 30 de busca e apreensão e medidas cautelares. Entre os alvos está o influenciador digital Patrick Almeida, conhecido como PTK.
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De acordo com a Diretoria de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (DRACCO), PTK teria sido escolhido pelo traficante conhecido como Nem Catenga, apontado pela polícia como uma das principais lideranças do Comando Vermelho com influência sobre as atividades da facção em Alagoas, para atuar como representante político do grupo criminoso.
Segundo os investigadores, a organização buscava ocupar espaços de poder por meio de candidaturas ligadas aos seus interesses. A polícia afirma que o influenciador foi incentivado a disputar uma vaga na Câmara Municipal de Maceió nas eleições de 2024 e, posteriormente, passou a se apresentar como pré-candidato a deputado federal para as eleições de 2026.


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Durante a coletiva, o delegado Igor Diego afirmou que a investigação reuniu áudios, imagens, vídeos, relatórios de inteligência e outros elementos probatórios que indicariam a aproximação entre o influenciador e integrantes da facção.
Conforme a polícia, interceptações apontam que PTK manteve contato direto com Nem Catenga e chegou a viajar ao Rio de Janeiro para reuniões com o líder criminoso. Segundo a investigação, após retornar ao Estado, ele intensificou sua atuação política.
Facção buscava ampliar influência
As autoridades afirmaram que a estratégia de organizações criminosas de lançar ou apoiar candidatos tem sido observada em diferentes regiões do país. Segundo a SSP, o objetivo seria conquistar influência institucional, fortalecer o controle territorial e ampliar a capacidade de atuação das facções.
"Grupos criminosos buscam criar lideranças políticas próprias para representar seus interesses junto ao poder público e fortalecer sua presença em comunidades dominadas pelo tráfico. A atuação dessas lideranças pode dificultar a entrada de outros candidatos em áreas controladas pela facção, além de reforçar a influência dos criminosos sobre moradores dessas localidades", relatou Igor.

Vídeos mostram atuação da facção
Durante a apresentação do caso, a SSP exibiu vídeos obtidos ao longo da investigação. Segundo os delegados, as imagens mostram situações de violência praticadas por integrantes do grupo criminoso em áreas sob domínio da facção.
As autoridades afirmaram que os registros incluem episódios de punições internas, conhecidas entre criminosos como "disciplinas", aplicadas contra pessoas acusadas de descumprir regras impostas pelo grupo.
Segundo a investigação, esses vídeos eram enviados para lideranças da organização no Rio de Janeiro, responsáveis por monitorar e acompanhar a atuação dos integrantes em Alagoas.
A polícia informou que também possui materiais considerados ainda mais sensíveis, mas que não foram divulgados publicamente para não comprometer o andamento das investigações.
Patrimônio e movimentação financeira
Outro ponto destacado durante a coletiva foi a situação financeira do influenciador. O delegado Gustavo Henrique afirmou que há indícios de incompatibilidade entre o padrão de vida exibido por PTK nas redes sociais e a renda formal identificada até o momento pela investigação.
"A análise financeira do investigado será aprofundada nas próximas fases da operação. Entre os pontos que serão apurados estão a origem dos recursos utilizados para manutenção de seus negócios e eventual financiamento de atividades políticas", destacou o delegado.
Durante a operação, foram apreendidos R$ 20 mil em espécie, dois aparelhos celulares de alto valor comercial, joias e dispositivos de armazenamento digital.
As autoridades também confirmaram que serão investigadas atividades empresariais ligadas ao influenciador, incluindo empreendimentos dos setores de vestuário e comercialização de celulares.
Apesar das informações apresentadas, a SSP ressaltou que o inquérito policial continua em andamento e que novas diligências deverão ser realizadas.
Os investigadores não descartam novas fases da Operação Morro do Alemão e afirmam que a análise do material apreendido poderá revelar novos elementos relacionados à estrutura financeira, política e operacional da organização criminosa.
A operação foi realizada de forma integrada pela DRACCO, BOPE, ROTAM, CHOQUE, Comando de Missões Especiais (CME) e demais forças de segurança do estado. Os mandados foram expedidos pela 17ª Vara Criminal da Capital, especializada em organizações criminosas.
Até o momento, nove pessoas foram presas em Alagoas e no Rio de Janeiro.