Como Mainha do Brega largou a costura e virou fenômeno da música romântica
Aos 63 anos, cantora teve a vida transformada após se tornar um fenômeno nas redes sociais com regravações de clássicos românticos

Mainha do Brega passou 63 anos sendo chamada de Fátima Mascarenhas, até se tornar um fenômeno nas redes sociais, onde se apresenta cantando clássicos da música romântica. Agora, ela se prepara para o próximo passo: subir ao palco para cantar.
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Piauiense, a artista se mudou para Feira de Santana (BA) ainda na adolescência. Na infância, reunia a família para brincar de se apresentar, como se estivesse em um programa de TV, mas a fantasia do estrelato se perdeu ao longo dos anos, quando se tornou costureira. “Eu já era artista desde criança e não sabia”, brinca.
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Foi por meio do filho, conhecido artisticamente como O Rasta, que a música tomou conta da vida de Fátima. O nome artístico também foi dado por ele, músico e produtor, que a convidou para gravar uma canção e, ao final, chegou à conclusão: “Mainha é do Brega”.
Não demorou muito para a voz e a personalidade da recém-cantora caírem nas graças do público. Em poucos meses, Fátima se tornou viral entre a geração que nasceu décadas depois do lançamento das músicas interpretadas por ela. Por Que Brigamos, faixa reproduzida mais de um milhão de vezes no YouTube na voz da piauiense, por exemplo, ficou conhecida no país em 1972, na voz de Diana (1948-2024).


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O sucesso nas redes sociais desembocou na gravação de um projeto audiovisual, intitulado Recordações. Com um vestido vermelho cheio de brilho, a estreante gravou 12 sucessos românticos que já ultrapassam 4,5 milhões de reproduções em diferentes plataformas. Mainha não esquece a sensação ao entrar no palco para a gravação.
“Quando eu fui entrando, que alguém gritou ‘Agora, Mainha do Brega’, foi uma coisa assim surreal, foi impactante. Acho que eu perdi tudo, eu fiquei só observando. Impactante é o nome que eu dou pra isso”, recordou.
Além dos fãs, a voz da artista também ecoou no meio artístico e nomes como Tierry, Maraisa e Silvanno Salles passaram a acompanhá-la na internet. Ao ser questionada sobre uma parceria dos sonhos, Mainha é certeira: “Leonardo, eu gosto muito dele”.
Longe das máquinas de costura, Fátima encarna a rotina de Mainha e agora vive como artista: aulas de canto, sessões de dança e ensaios com a banda para a estreia nos palcos. Ao olhar para trás e para o momento atual, ela ainda se sente uma “moleca”, que quer colocar a nova geração para dançar a dois.
“Eu tenho 63 anos. Eu posso cantar até 100, se Deus permitir. Não tem isso. É bom cantar, né? Melhor do que costurar”, reflete. “Eu posso dizer que eu ainda sou menina, ainda não amadureci totalmente. Eu não tenho mente de velhinha.”
“Dançar agarradinho”
Os clássicos da música romântica atraem principalmente os jovens na internet. Canções como Naquela Mesa, interpretada por Nelson Gonçalves em 1971, e Foi Tudo Culpa do Amor, popularizada de Odair José de 1974, marcaram a vida de Mainha, que agora se orgulha de apresentá-las às novas gerações.
“É uma dança gostosa. É um casal dançando juntinho, aquela coisa sem muita agonia”, observa.
Para ela, o diferencial está justamente na cultura que cerca a música brega e romântica. A artista explica que a dança a dois e os chamegos entre o público são uma experiência nostálgica que a nova geração vem resgatando, também, com a ajuda de sua música.
“Nuitos acham bonito, mas não querem seguir ‘porque é cafona, isso não é música atual, isso não sei’. Não existe nada velho, existem coisas desatualizadas“, reflete. “A música antiga traz de volta aquela, aquela nostalgia, o saber viver a dois.”
