The Boys: ‘É difícil fazer sátira quando o mundo é mais absurdo que a sua sátira’, diz criador
“Honestamente, estamos apenas fazendo o nosso melhor para acompanhar”, lamentou Eric Kripke, que comandou a adaptação do Prime Video

Diversas reações hilárias surgiram pela internet quando Os Simpsons previram que Donald Trump seria presidente dos EUA; Neymar se lesionaria na Copa do Mundo do Brasil e a Seleção Alemã seria a vencedora do torneio; a Fox ser comprada pela Disney; ou até mesmo a nota de R$ 200. Isso sem contar as outras previsões bizarras da série, já com 37 temporadas exibidas, que ainda podem se tornar realidade.
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Por sua vez, The Boys, série do Prime Video que exibe sua quinta e última temporada, não causou a mesma comoção da família amarela quando “previu” espetacularização de mortes de políticos, lideranças dos Estados Unidos usando sua influência para controlar as pessoas e se perpetuar no poder, a expansão do fascismo ao redor do mundo, megacorporações e países abafando casos de abusos e mortes, movimentos neonazistas ganhando força, ou uso das redes sociais para distorcer a realidade. Afinal, estamos vendo a sociedade se deteriorando com os nossos próprios olhos — e The Boys, que começou como uma mera sátira sobre os EUA, virou praticamente nosso espelho.
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No começo, o subtexto político do seriado era mais sutil, mas, com o passar das temporadas, as críticas e referências, especialmente com o paralelo entre Capitão Pátria (Antony Starr) e Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, ficaram cada vez mais evidentes. Por exemplo, o vilão fez diversas declarações públicas revelando atos de violência e seu caráter racista e misógino — e mesmo assim é apoiado e defendido por seus fãs e seguidores. Coincidência?
Em entrevista à Rolling Stone Brasil, Eric Kripke, criador de The Boys, e parte do elenco da produção — Erin Moriarty (Luz-Estrela/Annie January), Laz Alonso (Leitinho), Karen Fukuhara (Kimiko Miyashiro), Colby Minifie (Ashley Barrett) e Tomer Capone (Francês) —, quando vieram ao Brasil para a CCXP 2025, reconheceram o forte teor político dos episódios, mas negaram que tomem algum lado ou reflitam alguma pessoa real.


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“Essa série é muito boa em fazer um monte de perguntas e permitir que o público tome sua própria decisão. Mas esses são personagens inteiramente ficcionais que questionam muito sobre as dinâmicas de poder e como é ter uma pessoa narcisista no comando”, explicou Minifie. “Todas essas são questões muito prevalentes no nosso tempo.”
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